segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Desembarque

Depois de ler uma reportagem sobre a prisão de Laszlo Csatary, o criminoso nazista mais procurado do mundo, lembrei-me de um dos últimos livros que li e não postei por aqui. Se reparar bem no lay-out da capa você entenderá o porquê da associação que fiz.

“O Desembarque” conta a história de um grupo de espiões nazistas que adentraram no território norte-americano em plena II Guerra Mundial. A ideia primordial é causar uma briga racial interna desviando, assim, o foco do governo de Franklin D. Roosevelt em relação ao conflito internacional. Mas como em todo livro pró-EUA sobre esta temática, os ianques vencem. Aliás, já disse mas vou reforçar, tenho vontade de ler algo envolvendo a Segunda Grande Guerra e/ou Guerra Fria tendo a visão do outro lado da moeda e ver como eles viam o que nos ensinaram a chamar de vencedores e perdedores. Pois na grande maioria das obras que li eles tratam os aliados como deuses.
 
Voltando para o “desentendimento” racial incitado pelos nazistas, fazia dois anos que não via algo associado a isso. Desde “Negras Raízes” de Alex Haley não aparecia o racismo, mesmo em segundo plano. E olha que a maior parte na narrativa de Haley passou-se entre os séculos XVIII e XIX. A questão racial norte-americana ainda não está 100% esclarecida porém houve grandes avanços desde 1960. Então deduz-se, que levando em conta o tempo cronológico da história, havia uma grande segregação dos negros. Foi uma boa sacada alemã. 
 
Logo no preâmbulo nota-se um mapa do leste dos EUA com algumas indicações do desembarque dos espiões e uns documentos com o carimbo de confidencial explicando o caso. Isso dá um ar de seriedade e autenticidade sobre o caso. Porém nunca realmente saberemos se isso aconteceu de verdade, se foi mais uma jogada do governo norte-americano na tentativa de justificar algo que tenham feito durante os anos de guerra ou se isso é pura fantasia. Creio mais na hipótese de que isso aconteceu mesmo. 
 
A temática é muito parecida com “A Águia Pousou” tanto pelo momento histórico, tanto pelas circunstâncias, tanto pelas estratégias e por possuírem um inimigo comum. Apesar de eu já ter lido vários livros que possuem ambientes semelhantes e detalhes parecidos foi um dos melhores. Podendo-se comparar com as obras de Frederick Forsyth.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Desembarque

Autor: Haynes Johnson/Howard Simons

Páginas: 351

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1986



  
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domingo, 4 de março de 2012

Terra dos Homens

A internet está saturada de frases e pensamentos referentes à “O Pequeno Príncipe”. Ela também está cheia de biografias de Saint-Exupéry. Porém nenhuma delas é tão completo quanto esse livro.

“Terra dos Homens” é o quarto lançamento de Antoine de Saint-Exupéry. Este é diferente de seus três antecessores no qual tratam basicamente do pioneirismo da aeronáutica. Este livro, em semelhança com os anteriores, fala dos feitos dos pioneiros da aviação na Europa, África e América do Sul, mas o autor dá mais espaço à sua biografia que pode ser confundido com a própria história dos aeroplanos. 
 
Saint-Exupéry sobreviveu a dois acidentes aéreos, um dos quais ele relata aqui. Quando o seu avião cai no meio do Saara ele vê-se obrigado a buscar um jeito de sair de lá. Junto com o mecânico da aeronave vagam durante 9 dias. Essa, de longe, é a melhor parte do livro tanto por nos mostrar o sofrimento em continuar andando mesmo sem forças e muito por passar-nos de modo incrivelmente palpável toda a dor e o desespero que enfrentam. 
 
Outro ponto relevante é quando Saint-Exupéry começou a fazer viagens pioneiras através dos Andes para levar o correio europeu à América do Sul, em especial o Chile e a Argentina. Na leitura deste trecho não senti tanta empolgação quanto o da passagem sobre o Saara. 
 
Despindo a alma humana para mostrar o que muitas vezes não queremos ver Saint-Exupéry trouxe-nos algumas reflexões que muitas vezes não queremos ter. Exupéry usa a sua vida e o lirismo poético como pano de fundo para ensinamento mais profundos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Terra dos Homens

Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Páginas: 166

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1939




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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Tambor

Nós conhecemos a Polônia como a nação que Hitler invadiu no dia 1º de setembro de 1939. Mas essa região ao leste da Alemanha já sofreu várias modificações em seu território sendo que já ficou 123 anos sem existir. É nesse cenário (especificamente na cidade de Gdańsk) ao qual desenvolve-se a história de Oskar e seus ascendentes cassúbios. 

“O Tambor” é uma narrativa em primeira pessoa, sendo Oskar o narrador-personagem da trama. Ele resolve escrever suas memórias quando encontra-se internado em um hospício. Porém a história não começa em seu nascimento e sim algumas décadas antes quando sua avó Anna engravida ainda no século XIX. O protagonista nasce apenas em 1924 quando a família já mudou-se para a cidade portuária de Gdańsk. 
 
Aos três anos dois eventos marcam Oskar por toda a sua vida: no dia de seu terceiro aniversário ele ganha um tambor vermelho e branco de sua mãe, Agnes; ao desconfiar piamente que sua progenitora tem um caso extraconjugal com Jan Bronski, Oskar atira-se da escada da adega, tendo como consequência o estacionamento de seu crescimento, mantendo-se com 94 centímetros de altura por vários anos. Mas não é só isso. Tocando o seu tambor durante todos os anos posteriores ele acaba sendo reconhecido pelo seu talento e também pela disformidade de seu corpo, tanto pelo seu tamanho, quanto pela sua caixa craniana incompatível com o seu corpo e pela sua corcova. 
 
Logo no começo da história Oskar cita-nos alguns vilarejos, cidadelas e riachos que fazem parte do espaço da história. Ele fala com certa naturalidade como se esses locais fosse conhecidos por todos os seus leitores. Outro fato bastante curioso fala a respeito de o narrador nunca referir-se a ele como personagem, ou seja, em primeira pessoa, dando a impressão, às vezes, que o narrador de toda a trama é o tambor, comprovando o motivo do título. Para alguns leitores mais atentos é possível confundir a vida de Oskar com a do próprio Grass, sendo que ambos possuem ascendência cassúbia, viveram em Gdańsk, e são filhos de comerciantes. 
 
Demorei para terminar a minha leitura pois este livro mostrou-se ser maçante, possui uma linguagem ligeiramente rebuscada, não há diálogos, os poucos que existem são rápido e confusos. Por trás disso tudo, Günter Grass faz uma severa crítica à burguesia, ainda que pouca, existente. Crítica essa que continua nos dois livros seguintes dessa trilogia: “Katz und Maus” e “Hundejahre”. “O Tambor” também foi adaptado às telonas em 1979 sendo premiado tanto em Cannes quanto no Oscar como Melhor Filme Estrangeiro.

Por retratar um pouco da vida dos polacos e cassúbios da década de 30 pensei que seria um livro bom com uma história que me prendesse. Mas por conter uma linguagem rebuscada, algumas metáforas e ironias não consegui manter um bom ritmo de leitura. Dispersei-me muito e demorei um mês para finalizar a leitura. Queria terminar a trilogia mas a minha experiência com esse livro não foi uma das melhores e não passou-me a vontade necessária para continuar. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Autor

Autor: Günter Grass

Páginas: 530

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro

Edição: Integral

 Ano: 1959





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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arlequim

Com a incrível evolução da informática e, consequentemente, do armazenamento e processamento de dados, empresas deste ramo tendem a ter um poder quase divino em decorrência dos serviços e produtos oferecidos tanto para o setor privado quando para o estatal. Morris West expõe-nos uma dessas tramóias.

Arlequim, neste caso, não diz repeito àquela figura popular dos blocos carnavalescos de rua, que também são retratados nas cartas de baralho como coringa. Aqui trata-se do sobrenome de George o protagonista da história e dono de um banco suíço. Sendo uma pessoa boa, culta e sensível não queria acreditar na carnificina que é o mundo corporativo, porém ele vê-se obrigado à penetrar nos meandros desse universo para provar a sua inocência ao qual foi acusado de dar um calote de US$15 milhões em seu próprio banco. 

Além do livro ter um foco maior em Arlequim, West  abre um espaço grande, até, para um “coadjuvante”. Paul Desmond, melhor amigo de Arlequim e diretor da Arlequim et Cie. é quem conta a história. Apesar de Desmond acompanhar o seu companheiro até o fim e ter de enfrentar situações horríveis como a morte da sra. Arlequim e o sequestro do filho de George, ainda arruma tempo para algumas reflexões de coro intimista. Durante a cronologia  há várias frases de efeito, conseguindo arrancar um pensamento mais profundo por parte do leitor. 

Todos nós sabemos que narrativas em primeira pessoa costumam ser parciais. Digo costumam porque nunca saberemos a verdade. Mas durante a leitura eu não consigo visualizar isso. Me deixo levar pela história e só tenho esse pensamento quando estou relembrando tudo o que acabei de ler. 

Só fazendo uma ponte com um o post do livro “Os Tolos Morrem Antes”: se exagerássemos um pouco e seguíssemos a mesma lógica deste livro, aquele iria chamar-se Jordan, com a diferença de que no primeiro Merlyn é apenas coadjuvante até a morte deste, seguindo o resto do livro como narrador e protagonista. O que reparei também foram os comportamentos, expressões, locais e gestos típicos de uma pessoa católica. Por ser ambientado entre a Suíça, os Estados Unidos e o México, com exceção deste último, são países predominantemente protestantes sendo difícil ver algo parecido, lendo obras de outros autores. Isso se explica pelos doze anos em que Morris West passou em um convento. E, assim como Grahan Greene, ele alicerçou os seus melhores romances em torno da temática católica. 

Este já é o  quarto livro de Morris West que leio sendo que os dois primeiros, “Um Mundo Transparente” e “Proteu” não foram tão bons quanto os dois últimos, “Kundu” e “Arlequim”. Isso o coloca entre os meus autores favoritos, dividindo o posto com o seu compatriota James Clavell, James A. Michener e Frederick Forsyth.


FICHA TÉCNICA:
 
Nome: Arlequim
 
Autor: Morris West
 
Páginas: 318
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1974


 
 
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Quarto Protocolo

As Convenções de Genebra são uma série de tratados que objetivam os direitos e deveres, de combatentes ou não, em tempos de guerra. De 1864 até hoje foram realizadas quatro reuniões com base no Direito Humanitário Internacional. Em 1949 foram elaboradas três protocolos de emendas aos textos já prontos. O suposto quarto protocolo seria uma acerto verbal entre as potências bélicas que não chegou aos ouvidos da massa. É esse tal acordo que nomeia este livro.

“O Quarto Protocolo” tem como estopim para os acontecimentos,  o desejo do partido trabalhista britânico em subir ao poder nas eleições gerais britânicas. Os conservadores não querem uma vitória da oposição por medo de uma aproximação entre Londres e Moscou. Então decide-se antecipar o pleito. Os pontos fracos do atual governo são as bases americanas na costa leste da Grã-Bretanha e o suposto desenvolvimento das armas nucleares para defesa do Ocidente. A par disto tudo o KGB planeja uma investida com armas nucleares perto das tais bases ianques e assim conseguir o voto dos 10% do eleitorado flutuante. 

Porém, quem protagoniza a história é John Preston, um funcionário federal que torna-se o comandante da busca britânica pelos soviéticos. Com a finalidade de evitar um desastre nuclear, Preston percorre vários quilômetros em direção ao sul na África para descobrir o paradeiro de um embaixador acusado de identidade falsa. O serviço secreto só chegou à ele através de um roubo dos diamantes Glen localizado na residência do falso diplomata, que aliás é o primeiro movimento da trama. Além dos diamantes, os outros materiais necessários para a confecção da bomba nuclear de baixa potência foram entrando em solo bretão de modo muito simples e objetivo apesar de as autoridades saberem com uma certa precisão o tamanho, o formato e o peso dos tais objetos. E, em decorrência dessa vida corrida, Preston se distancia de seu filho no qual só pôde vê-lo durante dez dias, mesmo em plena ação.    

Depois de algum tempo voltei a ler uma história que envolva guerra ideológica, os famosos MI5 e MI6 e que tenha dinâmica. E o que eleva o status do livro é o autor: Frederick Forsyth. Ele costuma usar o mesmo ambiente político e físico que Grahan Greene e John Lé Carré em suas narrativas. O diferencial é que Forsyth foca-se na ação e menos na mente e no comportamento dos envolvidos.

Como é de costume, durante a minha leitura observei certos fatos: 1º) A história começa no dia 31 de dezembro de 1986 e eu comecei a leitura deste livro em 31 de dezembro de 1986 2011. 2º) Quando leio uma história sobre espiões e contra-espionagem muitas vezes duvidamos do que foi relato, tachando-o de absurdo. Porém temos que levar em conta que nem tudo foi meticulosamente vasculhado e publicado. Ainda há muitas coisas debaixo dos tapetes.

Foi com grande empolgação que comecei a ler “O Quarto Protocolo”. Diferentemente de “A Casa da Rússia” este possui uma dinâmica muito envolvente e o autor consegue nos passar uma impressão de que o Ocidente e o Oriente precisavam manter suas forças em equilíbrio mesmo um querendo superar o outro no juízo final. E e por fim mais um ponto positivo para Forsyth. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Quarto Protocolo

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 418

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984





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