Você já pensou em vasculhar a árvore genealógica de sua família? Não começando pelos parentes mais longínquos que você possa se lembrar. Estou falando em ascendentes que você nunca imaginou ter existido, que viveram há 7 ou 8 gerações. Parece impossível? Mas para Alex Haley não foi. Este livro é a prova.
Para começo de conversa Alex Haley não partiu do nada. Ele possuía uma base para suas pesquisas: o nome do suposto antepassado que veio da África contado por seus tios e avós quando era criança. Com essa informação foi mais fácil (ou menos difícil) achar o paradeiro de seus ascendentes até chegar a Kunta Kinte em Gâmbia. A partir desse ponto Haley começou a contar com a sorte. Como o governo gambiano não possui registros oficiais de nomes daquela época, ele teve que recorrer à uma espécie de contadores de histórias. Essas pessoas idosas possuem gravadas na memória os acontecimentos de todo um clã. Digo todo um clã mas é todo o clã MESMO... desde sua origem independendo da data (seja 1970 ou 1345). É de impressionar realmente. Então Alex achou um desses anciãos que era especialista de toda a história do clã Kinte, cintando o seu tataravô que foi raptado e levado para a América.
É óbvio que nem tudo relatado no livro realmente aconteceu. Os locais, os nomes e os deslocamentos são reais mas os diálogos, não. Tanto é que certas passagens de “Negras Raízes” se parecem com alguns trechos do livro “The African” e consequentemente foi acusado de plágio que só serviu para aumentar a fama daquele.
Se algum afrodescendente brasileiro quisesse fazer a mesma coisa iria acabar esbarrando numa barreira intransponível: em 13 de maio de 1891 todos os arquivos relacionados à escravidão foram queimados por determinação do então ministro da Fazenda Rui Barbosa. Ou seja se algum antepassado seu chegou por aqui antes dessa data ficará mais difícil quaisquer pesquisas.
Aqui vai alguns aspectos físicos do livro: possui 108 capítulos (isso mesmo!) mas “apenas” 646 páginas, sendo que cada capítulo gira em torno de 4 a 6 páginas. Com esses números “Negras Raízes” é o terceiro livro mais longo que li até hoje. Outro aspecto curioso, digamos assim se trata da data de lançamento do livro: 1976, ou seja o bi-centenário da independência norte-americana. Com isso o autor dedicou essa obra, com mais de 10 anos de pesquisa, à sua nação. No mesmo ano Haley ganhou o prêmio Pulitzer por essa narrativa.
Em toda a sua vida, Alex Haley escreveu apenas esse romance. Mas ele redigiu a “Autobiografia de Malcom X” Portanto, se você gostou de “Negras Raízes” e quer pesquisar outras obras do mesmo autor... sinto desapontá-los mas, não há outros. Mas, convenhamos, só por este já vale por outros milhões que ele viesse a escrever, pelo seu esforço e dedicação nesses 10 anos de pesquisa e por sua origem africana que muita gente sente vergonha.
FICHA TÉCNICA:
Autor: Alex Haley
Páginas: 646
Editora: Record/Círculo do Livro
Edição: Intergral
Ano: 1976
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!

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