segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Velho e o Mar

José Saramago e Ernest Hemingway foram os dois literatos que possuem prêmios Nobel de Literatura ao qual já li alguma obra, “Ensaio sobre a Cegueira” e “O Velho e o Mar” respectivamente. Mas neste post vou falar apenas deste último. Aliás você já pescou em alto-mar com apenas uma linha?

No dia da morte de Saramago fui pesquisar os ganhadores do centenário Prêmio Nobel de Literatura. E tive duas surpresas: a primeira trata-se do fato de Ernest Hemingway ter ganho um, em 1953. O segundo refere-se ao fato de este ter sucedido Wiston Churchill. Isso mesmo! Aquele primeiro ministro britânico do fim da Segunda Guerra Mundial. Nunca me referi a ele como um escritor e nem pude imaginar que possuía talento para ser um premiado. Aliás quase ninguém faz essa associação (eu não conheço nenhum!).

Mas, vamos à história.

“O Velho e o Mar” narra a aventura de um pescador idoso cubano que vive tempos de vacas magras passando 84 dias sem pescar nada. No 85º dia, Santiago (o pescador) vai à alto-mar para tentar ter mais sorte. E consegue pescar um peixe-espada de 5m de comprimento. Porém o espadarte, depois de ter fisgado a isca, resiste durante 3 dias até morrer. Em seguida o velho leva-o à costa deixando-o ainda no mar, pois a canoa não suportaria tanto peso e para manter o peixe fresco. Mas no caminho de volta tubarões atacam o pequeno barco atrás da carne, apenas sobrando o esqueleto. Outros pescadores ficam impressionados com o tamanho do animal e com os ferimentos profundos nas mãos de Santiago, pois ele pescava com linhas e não com varas ou redes. Pescar um peixe-espada de 5 metros com apenas uma linha é para poucos. Tudo bem que não é um fio de nylon (nylon é uma abreviação de “now you lose old nippon!” SÉRIO!) e nem um fio de lã. Mas mesmo assim impressiona muito.

Durante algum tempo, pensava que esse autor era que nem os outros, sem muito de espetacular. Mas o nome de Ernest Hemingway foi citado em outros três livros, sendo dois como escritor e um como repórter. Foi a partir dessas citações é que me dei conta de que não se trata de um simples literato. Mas de um com excepcional talento. Tese confirmada com o Nobel de 1954 e o Pulitzer de 1953.

A história em si é bem curta, com 117 páginas mas eu gostei de ter lido, pois conta uma realidade no qual eu não fazia a menor ideia de como era. E, além do mais, histórias em alto-mar costumam me agradar (foi assim com Exodus, Havaí e Negras Raízes, logo postarei sobre este último), pois nada é previsível quando se está navegando. E essa falta de obviedade é que me prende ao livro, essa sensação de expectativa dos fatos subsequentes.

Em suma: são os pequenos frascos que contém os melhores aromas.


FICHA TÉCNICA:

Título: O Velho e o Mar

Autor: Ernest Hemingway

Páginas: 117

Editora: Civilização Brasileira/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1952





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Até a próxima!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Irmã Monika

Responda rápido: o que você sabe sobre o romantismo alemão? Quais eram as suas características, seus principais autores e obras?    
Não sabe? Tudo bem. Eu também não sei. Mas isso não é desculpa para não ler qualquer publicação que data de tal época. Eu fiz isso... mas não gostei.  

Depois de “Os Lusíadas”, “Irmã Monika” é o livro mais antigo que li, lançado em 1815. Mas o estranho é que E.T.A. Hoffmann é conhecido, junto com Edgar Alan Poe, como um dos mestres da literatura fantástica. Mas essa história não tem nada de fantasiosa. Basicamente conta as aventuras sexuais de uma mulher antes de entrar para um convento. Por isso que alguns o consideram como um conto erótico, o que é totalmente justificável pois o que você mais lê ao longo da história são as expressões “nádegas brancas” e “levantar a saia”. Mas é bom esclarecer que não há descrição vulgar dos atos sexuais praticados pelas personagens (até porque há um abismo separando livros pornográficos e os eróticos!).

Para ser franco, foi um sacrifício terminar de ler . Apesar de ter apenas 143 páginas demorei dez dias para concluir a leitura (em condições normais no mesmo período leio um livro de 400 páginas). O que atrapalhou foi a linguagem da época que, mesmo traduzida para um português mais recente, causa muita confusão. A cada parágrafo eu tinha que consultar o dicionário. Fora a falta de dinâmica da história.

Aliás, (quase) todas as publicações do século XIX possuem essa falta de dinamismo. Fica naquele marasmo, tudo muito “calmo”, pouco deslocamento espacial, sempre os mesmo assuntos nas conversas entre personagens, histórias que se passam nos mesmo lugares, mesmas cidades, mesmos ambientes e etc. O mundo é tão grande, há tantas coisas a serem relatadas... para quê se prender a meia-dúzia de aspectos? Pelo que eu lembro li em torno de 10 obras dessa época. Não me recordo de ter gostado de nenhum. No geral,  o resultado foi terrível, sempre fazendo uma tremenda força para não parar no meio do caminho. O lado bom disso se dá pelo fato de 90% desses livros não possuírem mais que 170 páginas. A exceção é “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Casa de Pensão” que têm 372 e 279 páginas respectivamente (em breve postarei sobre eles).

FICHA TÉCNICA:

Título: Irmã Monika

Autor: Ernest Theodor Amadeus Hoffman

Páginas: 146

Editora: Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1815



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Até a próxima!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Caso Dos Irmãos Naves

AVISO: Se você não é promotor, juiz criminal, advogado ou estudante em tais áreas, NÃO LEIA ESSE LIVRO! Caso contrário pode haver efeitos colaterais, tais como irritação excessiva, perda de vontade da leitura e depressão. Caso você insista em ler, não me responsabilizo por tais reverses. É bom deixa o aviso bem nítido pois essa publicação foi um das mais chatas que li, sem precisar pensar muito.

Foi realmente admirável a conduta e a atuação do defensor João Alamy Filho durante todo o processo. Também é de se exaltar a atitude dele em escrever um livro relatando tal caso. Mas o detalhe é que, como já disse, João Alamy era advogado e não escritor.

Tá, mais e daí?

E daí é que o livro possui algumas fotocópias dos autos do inquérito, habeas-corpus, vários despachos de juízes aonde se lê a MESMA COISA SEMPRE!!! E ainda por cima há a transcrição após tais cópias (era necessário, levando em conta que as copiadoras da década de 60 não são das melhores) Desestimula até o mais paciente dos leitores a continuar lendo.

Se um escritor nato tivesse reproduzido essa história em livro seria muito mais gostoso de ler, pois escritores possuem mais sensibilidade para tal tarefa enquanto um advogado, comparado a um literato, é mais frio e direto. Eu não gosto de nenhum tipo de análise numa história, tanto do narrador quanto do(a) personagem. Prefiro mais ação do que conjecturas. Mas nesse caso precisava de tais análises.

Mas esse livro tem seu lado bom. Para os leitores impacientes , indico o filme homônimo produzido em 1967. Foi considerado o filme do ano em 1968 e quatro anos mais tarde fez grande sucesso em New York. Aconselho também a leitura desse livro para quem cursa Direito pois é um relato de um processo judicial do fim da década de 30. Ajuda no estudo da história jurídica brasileira e é bom também para entender que não que há tempos a justiça do Brasil é falha. Chega a ser revoltante realmente a condenação dos dois irmãos.

Só como nota de curiosidade: eu terminei de ler essa publicação num domingo e no dia seguinte começou a julgamento do casal Nardoni. E não foi “combinado” pois eu soube das audiências na segunda-feira. (Eu sei que é bem besta mas está aí registrado).

Caso você queira saber a história completa desse livro, não o leia, mas acesse o site da OAB-RJ aonde há toda cronologia e a conclusão do processo, que, convenhamos, é muito menor do que as 390 páginas do livro.


FICHA TÉCNICA:

Título: O Caso dos Irmãos Naves

Autor: João Alamy Filho

Páginas: 390

Editora: Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1960





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Até a próxima!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Havaí

Quem gosta desse arquipélago localizado no meio do oceano Pacífico, um dos locais mais meridionais da Terra, um dos locais mais isolados e o estado norte-americano mais distante da capital federal, deve ler esse livro homônimo. Livro este que impõe respeito, tanto pela sua história, quanto pelo seu tamanho.

Para começo de conversa, “Havaí” é, por enquanto, o livro mais longo que li com 1024 páginas. E essa narrativa, obviamente, conta a história, fictícia, de formação do arquipélago, desde a formação rochosa até o processo de união aos EUA como o 50º estado. Para isso são necessárias 6 partes. A primeira parte relata a formação geológica da ilha. A parte seguinte conta como os primeiros taitianos chegaram ao Havaí por volta do ano de 750 d.C. A terceira narra a chegada dos primeiros missionários protestantes ao arquipélago na década de 1820. Na quarta parte, mostra como os chineses foram parar em tal ilha e na quinta parte faz-se o mesmo com os japoneses. Já na última parte do livro tem um enfoque maior em todo o processo para a união do arquipélago junto à federação.

O curioso disso tudo é que o autor não é natural do Havaí. Pois é! James Michener nasceu na Pennsylvania. A impressão que dá é que quem escreveu presenciou tudo o que aconteceu no livro de tantos detalhes da vida cotidiana da ilha. É realmente difícil de acreditar que o autor dessa magnânima obra não seja de lá.

Agora, quero ressaltar duas passagens do livro. A primeira cita que o alfabeto havaiano possui por volta 13 letras, por isso há repetição delas numa mesma palavra (Honolulu, Kamehameha, etc). A segunda refere-se a como os leprosos eram tratados na época da Segunda Guerra Mundial, onde eles eram levados para uma ilha isolada, habitado apenas por outros portadores da doença e alguns acompanhantes voluntários (grande parte formados por familiares).

Outro fato bastante curioso citado no livro refere-se ao nome de um líder indígena local chamado Kamehameha. Quem assistiu Dragon Ball entendeu o que eu quis dizer. Mas para quem não assistia, vou dar o “gabarito da piada”. Kamehameha (acho que é assim que se escreve) era um nome de um golpe de energia muito poderoso.

O que confunde a leitura desse livro são os nomes dos personagens ao longo da história, principalmente aqueles com ascendência branca. Os nomes dos filhos, netos, bisnetos, tataranetos e etc. dos missionários eram sempre derivados dos nomes e sobrenomes dos mesmos. E o agravante é que eles só se casavam entre si, quase não havendo casamentos entre brancos e nativos. Mas o que faz retirar parcialmente a minha crítica é o fato de no final do livro ter uma árvore genealógica de todos os principais personagens da narrativa (polinésios, brancos e asiáticos). Mas que ainda assim causam muita confusão.

Precedendo a história há uma nota esclarecendo que a narrativa é fictícia em fatos e em nomes, mas não no espírito. Apenas um personagem foi baseado em uma pessoa real. À primeira vista me impressionou o tamanho do livro, mas quando comecei a ler, torci para que não acabasse mais.

Ah, depois disso tudo você quer saber a minha opinião do livro? Está bem, aí vai: E-X-C-E-L-E-N-T-E!


FICHA TÉCNICA:

Título: Havaii

Autor: James A. Michener

Páginas: 1024

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1983







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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dois para Conquistar

Darkover é uma série de livros criado por Marion Z. Bradley. Mas Darkover também é o planeta fictício aonde se passam as histórias contidas nessa sequência. Série esta que está dividida em várias eras. “Dois para Conquistar” se passa no fim da “Era do Caos” e no início da era dos “Cem Reinos”. Mas há um aviso precedendo a história, dizendo que o leitor pode ler como uma narrativa independente, mas se preferir pode-se fazer a tal cronologia.

Para muitos que não leram esses livros na “ordem correta” (como eu), é muito fácil confundir o espaço da história. Eu jurava que se passava na Idade Média, tanto é que a narrativa possui rei, rainha, príncipe, princesa, cavalos e papagaios e um dos reinos se chama “Reino das Astúrias”. Só percebi que não se passava na Terra quando são citados os quatro satélite naturais que circundam o planeta. Mas até chegar a essa passagem foi-se 2/5 do livro.

A história de “Dois para Conquistar” conta a sucessão da corte real do reino das Astúrias, aonde usam-se a ciência, o estupro e a feitiçaria como armas de guerra. No caso especial da feitiçaria, com a ajuda dos “laranzu” (que eram os feiticeiros do sexo masculino), conseguiu-se teletransportar um terráqueo para Darkover.

Nessa parte eu fiquei confuso, pois esse terráqueo diz que vivia, ou sentia-se, preso em uma caixa de estase. O que eu quero ressaltar aqui não o fato de ele ficar preso numa caixa (o que é metafórico), mas o fato específico da palavra “estase” e não “êxtase”. Por muito tempo eu pensei que estivesse errado a escrita e fosse realmente “êxtase”. Só há pouco tempo, quando fui verificar se existia tal palavra, é que tive respostas satisfatórias. Basicamente, estase possui três sentidos diferentes em biologia, medicina e psicanálise. Mas também tal palavra pode ser usado de modo genérico para designar entorpecimento, o que faz mais sentido ao estado do tal terráqueo.

Eu me decepcionei com o final do livro pois não trás muitas explicações e/ou respostas sobre a história. Mas depois caiu a ficha de que esse livro faz parte de uma saga e para obter tais respostas preciso ler toda a cronologia. E então tudo fez sentido. Acho que eu levei a sério aquele aviso de narrativa independente. =P


FICHA TÉCNICA:

Título: Dois Para Conquistar

Autor: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 392

Editora: Imago/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1980




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