Pense num livro chato... e multiplique isso por 372. Pronto! Você obterá “O Morro dos Ventos Uivantes”! Olha, nem preciso pensar muito para dizer que essa história foi sofrível. Estou para conhecer um mais insuportável.
Eu tinha sorte quando ia ler uma narrativa estática, aquelas que dão muito sono logo após tomar um litro de chá mate, porque eram, em geral, curtas (Irmã Monika, Os Lusíadas, Cinco Minutos, Dom Casmurro e etc.), ou seja, meu sofrimento durava pouco. Mas esse não! DEMOREI 20 DIAS PARA LER TUDO!! NO MESMO PERÍODO DE TEMPO CONSEGUI TERMINAR “Havaí” QUE TEM TRÊS VEZES MAIS PÁGINAS!!! Tinha noite que eu não queria continuar folheando aquela narrativa, em vez disso eu lia gibi da Turma da Mônica. Para ter-se uma ideia, a minha média de leitura desse romance foi de 18,6 páginas por dia enquanto a média “normal” é de 41,9. Olha a diferença.
A história basicamente é contada em flashback. Apenas uns poucos capítulos no início e no fim são contemporâneos. E por causa disso eu fico pensando, por que Elis Bell (Emily Brönte) não fez uma cronologia simples? É lógico que tem algo por trás disso tudo porque eu sou ignorante em aspectos mais complexos das histórias (não estou sendo irônico). Isso é reforçado pelo fato de “O Morro dos Ventos Uivantes” ter, ainda hoje, uma boa vendagem e ser considerado um clássico inglês apesar de não poder se classificado em nenhuma escola literária da época (1845).
A narrativa em si conta a história de uma granja (Thrushcross Grange) no interior da Inglaterra. Mostra os acontecimentos nesta localidade durante quase 50 anos. É contada por Ellen Dean (testemunha ocular de tudo) em primeira pessoa. Foi isso que mais me irritou. O relato do cotidiano de uma família típica do século XIX, aonde não há muitos deslocamentos espaciais e nada de tão dinâmico acontece. Tanto é que enquanto conta tudo, ela tricota. Para mim soou como um indício de que nem ela, que é a narradora, tem interesse na história.
Ainda por cima, essa história foi base para diversos filmes desde 1938 e com direito até um remake feito pela MTV. Aqui no Brasil serviu como base para duas telenovelas: o homônimo transmitido pela extinta TV Excelsior em 1967; “Vendaval”, exibido pela TV Record em 1973.
Apesar de toda essa glória que o livro carrega, eu detestei demais a história. É apenas uma questão de gosto. Vivo no século XXI onde tudo é dinâmico (a internet representa isso) e a história é da década de 1840 transcorrida no começo daquele século. Imagina o choque de culturas que ocorre.
FICHA TÉCNICA:
Título: O Morro Dos Ventos Uivantes
Autor: Emily Brontë
Páginas: 372
Editora: Cedibra/Círculo do Livro
Edição: Integral
Ano: 1845
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!



