domingo, 26 de setembro de 2010

O Morro dos Ventos Uivantes

Pense num livro chato... e multiplique isso por 372. Pronto! Você obterá “O Morro dos Ventos Uivantes”! Olha, nem preciso pensar muito para dizer que essa história foi sofrível. Estou para conhecer um mais insuportável. 
 
Eu tinha sorte quando ia ler uma narrativa estática, aquelas que dão muito sono logo após tomar um litro de chá mate, porque eram, em geral, curtas (Irmã Monika, Os Lusíadas, Cinco Minutos, Dom Casmurro e etc.), ou seja, meu sofrimento durava pouco. Mas esse não! DEMOREI 20 DIAS PARA LER TUDO!! NO MESMO PERÍODO DE TEMPO CONSEGUI TERMINAR “Havaí” QUE TEM TRÊS VEZES MAIS PÁGINAS!!! Tinha noite que eu não queria continuar folheando aquela narrativa, em vez disso eu lia gibi da Turma da Mônica. Para ter-se uma ideia, a minha média de leitura desse romance foi de 18,6 páginas por dia enquanto a média “normal” é de 41,9. Olha a diferença.

A história basicamente é contada em flashback. Apenas uns poucos capítulos no início e no fim são contemporâneos. E por causa disso eu fico pensando, por que Elis Bell (Emily Brönte) não fez uma cronologia simples? É lógico que tem algo por trás disso tudo porque eu sou ignorante em aspectos mais complexos das histórias (não estou sendo irônico). Isso é reforçado pelo fato de “O Morro dos Ventos Uivantes” ter, ainda hoje, uma boa vendagem e ser considerado um clássico inglês apesar de não poder se classificado em nenhuma escola literária da época (1845).

A narrativa em si conta a história de uma granja (Thrushcross Grange) no interior da Inglaterra. Mostra os acontecimentos nesta localidade durante quase 50 anos. É contada por Ellen Dean (testemunha ocular de tudo) em primeira pessoa. Foi isso que mais me irritou. O relato do cotidiano de uma família típica do século XIX, aonde não há muitos deslocamentos espaciais e nada de tão dinâmico acontece. Tanto é que enquanto conta tudo, ela tricota. Para mim soou como um indício de que nem ela, que é a narradora, tem interesse na história. 
 
Ainda por cima, essa história foi base para diversos filmes desde 1938 e com direito até um remake feito pela MTV. Aqui no Brasil serviu como base para duas telenovelas: o homônimo transmitido pela extinta TV Excelsior em 1967; “Vendaval”, exibido pela TV Record em 1973.

Apesar de toda essa glória que o livro carrega, eu detestei demais a história. É apenas uma questão de gosto. Vivo no século XXI onde tudo é dinâmico (a internet representa isso) e a história é da década de 1840 transcorrida no começo daquele século. Imagina o choque de culturas que ocorre. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: O Morro Dos Ventos Uivantes
 
Autor: Emily Brontë
 
Páginas: 372
 
Editora: Cedibra/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1845




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domingo, 19 de setembro de 2010

A Galeria DelCorso

Depois da II Guerra Mundial, a Guerra do Vietnã é o conflito que ainda mais dá margem à discussão. Eu tinha uma curiosidade em saber o que fez o exército mais poderoso do mundo sucumbir diante dos vietcongs. Uma guerra que gerou milhares de protestos ao redor do globo, influenciando uma geração conhecida por “paz e amor”.

Primeiramente, Philip Caputo foi repórter antes de tornar-se escritor. Entre seus trabalhos, esteve na queda de Saigon. É justamente esse o principal pano-de-fundo desse romance (pois há outros). “A Galeria DelCorso” narra a saga de um fotógrafo que não mede esforços para conseguir o que quer: a melhor foto. E é justamente isso que causa a sua morte no final do livro (sim, eu tive que contar... desculpem-me!) quando Nick DelCorso cobre a guerra civil do Líbano.

Aliás, falando desse conflito, a única coisa que tenho conhecimento se trata de uma disputa entre católicos e muçulmanos. Só isso. O que é relatado na narrativa. Muita gente nem sabe localizar esse país no mapa. Quando era mais novo confundia Líbano com Libéria, sendo que este é uma nação africana e aquele localiza-se no Oriente Médio. 
 
Por ter dois conflitos pós-II Guerra, me agradou bastante conseguindo prender a minha atenção durante boa parte do livro. Digo boa parte pois no “meio” da história Nick se recupera de um acidente em sua casa nos EUA. Nessa hora a narrativa torna-se chata, parada e sonolenta, descrevendo a briga conjugal e divergências sobre a educação de seus dois filhos. Mas logo após ele parte para o Líbano e tudo volta ao normal!

A Galeira DelCorso foi um dos poucos livros que me fascinaram principalmente por fugir dos “lugares-comuns” (EUA, UK, Rússia e França) e colocar como pano-de-fundo dois países que ninguém dá muita importância atualmente. Aliás, os livros de que mais gosto de ler foram escritos por ex-repórteres (foi assim com Ernest Hemingway e Martin Cruz Smith), pois eles já passaram por muita coisa e possuem bagagem para escrever histórias localizadas no outro lado do planeta, e não apenas descrever o que acontece no seu bairro. 

 

FICHA TÉCNICA:

Título: A Galeria DelCorso

Autor: Philip Caputo

Páginas: 374

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1980





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domingo, 12 de setembro de 2010

Parque Górki

O que você espera quando lê uma romance policial? A resposta mais óbvia é: que o crime seja resolvido. E o quando acontece de a história se estender além do “limite”? Pode tornar-se chato, confuso e perder a essência. Foi o que aconteceu com esta obra, mais uma que se passa durante a Guerra Fria. 
 
Parque Górki conta o assassinato de 3 pessoas no local-título. Os corpos são encontrados em torno do mês de fevereiro. Ou seja, ainda no inverno (Napoleão e Hitler sabem bem como é cruel o friiiiiiiiiiiiiiiio lá!). Em outras palavras, ninguém tem certeza quando o crime foi cometido. E além do mais, ninguém se parece preocupado em solucioná-lo pois envolve o alto comando corrupto do FBI e do KGB. 
 
A narrativa toda se passa 2/3 na URSS e 1/3 nos EUA. Enquanto ela permanece em solo soviético a história é bem interessante e consegue prender a minha atenção. Mas quando muda para solo americano fica muito desconexo, não consigo fazer uma ligação lógica com a “outra” história. Me perdia facilmente e não entendi muito bem o final.
 
Essa ficção foi a terceira, que já li, adaptada às telonas. Mas assim como eu disse no post de “Perdidos na Noite”, não tenho a menor vontade de ver o filme. Não que seja um lixo. Mas pelos seguintes motivos: 1º eu já li o livro, que é mais completo e possui mais detalhes no qual, dificilmente, um filme irá retratar; 2º não gostei do final, querendo ou não o final costuma deixar a impressão mais forte. 
 
Mas fora isso, o autor relata muito bem o cotidiano de uma União Soviética já em decadência. É perfeitamente aceitável pensar que Martin Cruz Smith seja russo ou já tenha morado do outro lado da cortina-de-ferro. Nem um, nem outro. 

Vou confessar que já estou ficando cansado de ler livros cujo o período e o espaço concentram-se nessa época da “ordem bipolar”. Os enredos estão se tornando repetitivos. Não culpo os escritores por isso tudo. Muito pelo contrário. Todos os livros que estão programados para eu ler até o final de 2011 foram escritos entre 1965 e 1982. Não houve apenas a guerra leste-oeste nesse tempo. É inteiramente possível escrever uma história em outros locais do planeta Terra e com outros enfoques. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: Parque Górki

Autor: Martin Cruz Smith

Páginas: 445

Editora:Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1981




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domingo, 5 de setembro de 2010

Um Mundo Transparente

Se você cometesse um assassinato contaria para alguém? E se, por causa desse crime, começasse a enlouquecer, mesmo assim não contaria para ninguém? Ou desabafaria com alguém em que confia? Abriria o jogo com um analista ou coisa do tipo? Muitas perguntas e poucas respostas. O que fazer nessa hora, quando ninguém pode te ouvir? Essa é a tônica desse livro de Morris West em que relata a vida pessoal de Carl Gustav Jung, da qual ninguém fala.  

Essa história foi baseada em manuscritos reais e West apenas deu a sua interpretação (assim como eu faria se lesse). Então não deixa de ter uma ponta de verdade mas não em tudo. Em suma: é mais que um romance mas é menos que a vida real.  

A narrativa contém o ponto de vista de ambos os personagens (Jung e Magda), sendo que alternadamente. As falas individuais são gigantescas, chegando a durar 3 páginas. Não é para menos  levando em consideração que o espaço da “aventura” se passa em um divã de analista. Sendo essas falas tão longas, eu gostei pois era quase que um monólogo, ou, em outras palavras, é muito difícil você perder o raciocínio da conversa. E além do mais eu lia em voz alta para treinar minha dicção e eu achava sensacional falas esticadas pois era muito difícil eu gaguejar ou eu engasgar com uma palavra menos usual.

Confesso que, durante as seções de análises entre a assassina Magda e Jung, eu ficava confuso com os sonhos de ambos pois para mim eram muito surreais (sonhos são estranhos por natureza!). Eles faziam associações sem nexo que deixavam-me ainda mais perdido. Mas decidi não tentar entender mais essas análises e me concentrei apenas em ler a história, o que acabou dando certo. 
Outro ponto que é muito interessante é, justamente, a citação de Carl Jung e não partir para o óbvio e por no lugar dele Freud. Todo mundo sabe quem foi e o que este fez durante sua vida. Mas quase ninguém nem tem ideia de como era a vida daquele. Me agrada essa fuga do comum e lembrar também dos “alternativos”, vamos dizer assim.  

No geral: um livro que foge do normal por se tratar de uma obra semi-real (se é que existe isso!), a primeira desse gênero que leio. O enredo em torno de uma pessoa que existiu sendo que os fatos mencionados no livro possam ser ou não reais. Se você for uma pessoa que gosta de fazer reflexões mais complexas durante a leitura, eu recomendo. Mas se você estiver interessando apenas na história, como eu, você pode ter algumas dificuldade mas não chega a ser insuportável a ponto de abandonar a leitura.
   

FICHA TÉCNICA:

Título: Um Mundo Transparente

Autor: Morris West

Páginas: 328

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1983




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