domingo, 31 de outubro de 2010

Casa de Pensão

Em posts anteriores eu disse que não costumo me relacionar bem com livros antigos... principalmente os do século XIX. Já li uma dúzia deles e não gostei de nenhum. Mas esse é uma exceção porque desses todos, este é o menos pior.

Eu digo que é menos pior porque “Casa de Pensão” é uma obra do Realismo, ou seja, é uma história menos idealizada e muito mais real (fictícia ou não). Muito mais mesmo pois esta história foi baseada num acontecimento chamada de Questão Capistrano ocorrida em 1876/77. Tá certo que só o desfecho é realmente baseado nesse fato, pois o resto da história é totalmente ficção. 
 
Não vou fazer uma breve sinopse pois você pode encontrar resumos desse livro à rodo pela internet. Mas o que eu quero destacar é fato de ser chato de ler. Sim! Apesar de não ser mais Romantismo e sim Realismo ainda há falta de dinamismo (o grande vilão!). Mas há uma melhora considerável no transcorrer história pois o autor se enfatizou mais nos atos e não nos personagens ou em aspectos subjetivos. 
 
Na história acho curioso o fato de dizer “Rio de Janeiro, a capital federal” e “ver o Imperador passar”, pois eu e vocês nos acostumamos a ver Brasília como capital e viver numa democracia ou na ditadura para alguns mais vividos mas nunca ouvimos nos noticiários a expressão “Imperador governar o Brasil”. 
 
Dependendo da edição e da editora pode haver uma descrição mais detalhada da vida e obra de Aluísio Azevedo e da Questão Capistrano. No meu caso, por exemplo, o que eu li era da editora Ática e possuía mais de vinte páginas no fim do livro dando esses detalhes juntos com algumas fotos e retratos da época. Ajuda a compreender porque os escritores dessa época ainda não conseguiam viver com as suas criações.

Talvez exista algum livro dessa época que eu pegue alguma simpatia. Mas por enquanto isso não aconteceu. Não culpo os escritores pois eles seguiam o que estava em “vigência” e isso não encaixa com o meu gosto literário. Gosto de um pouco de suspense e de surpresas e muito dinamismo. DINAMISMO!

FICHA TÉCNICA:

Título: Casa de Pensão

Autor: Aluísio de Azevedo

Páginas: 279

Editora: Ática

Edição: 1ª

Ano: 1884




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domingo, 24 de outubro de 2010

Conspiração Telefone

Já disse em outros posts que todos os livros previstos para eu ler até agosto/2011 serão de antes de 1980, ou seja, durante a Guerra Fria. Já disse também que tem horas que é entediante ler sobre os mesmo desdobramentos apenas variando nos personagens e ações. Mas talvez nenhum deles mostra tão bem quanto essa época foi turbulenta. Sou de 90 então não presenciei isso tudo. A minha única base são os livros. 
   
Uma vez um professor me disse que os fatos são contados pelos vencedores. Ou seja, não temos os pontos de vista do lado perdedor. Basicamente, (quase) todos os livros que tratam da Guerra Fria são do lado oeste. É o que acontece nesta história, aonde o socialismo é sempre o vilão usando golpes baixos querendo destruir a pacificidade e a democracia americanas. A história fala sobre russos “programados” por hipnose a atacar pontos estratégicos nos EUA. Esse agentes soviéticos possuem uma vida inteira baseada nos princípios capitalistas. Mas com palavras-chave ou frases-chave voltam à “realidade” e vão cumprir sua missão. Essas palavras ou frases estão num relatório de posse soviética. Mas é furtado por um cidadão da alta cúpula das forças armadas soviéticas e começa a telefonar para seus “espiões”. O porém é que tanto a URSS quanto os EUA não querem que esse ataques aconteçam. A partir disso, os russos mandam um agente do KGB para recuperar o tal relatório e interromper o processo de destruição mútua. O único fato que achei ruim (para não dizer idiota) foi como descobriram o resto da sequência de ataques, que, penso eu, nunca poderia ter acontecido pelo fato de ser muito idiota. 
 
Um aspecto bom do livro é que o espaço da história, apesar de se passar nos EUA e na URSS, fugiu dos grandes centros como Nova York e se concentrou mais no “interior” do território norte-americano. Um outro fator importante, didaticamente falando, mostra como, apensar dos arsenais de cada lado, ambos os países tinham medo de um confronto direto pois sabiam que uma vez derrotados não haveria nem cogitação para uma recuperação física (se é que o planeta Terra aguentaria tantos ataques nucleares). 
 
Se você for pesquisar algo sobre esse livro ou o autor não irá achar muita coisa. Eu nem mesmo sei em que ano esse livro foi publicado. Acho que gira em torno de 1975 ou 1976. Eu apenas achei um rascunho de 5 linhas sobre Walter Wager, aonde informa que ele escreveu cerca de 30 livros desse mesmo gênero: espionagem. Morreu de câncer no cérebro com 79 anos. E sobre “Conspiração Telefone” você apenas irá achar referências de sites de compra e venda e nada mais! Não há nenhuma fonte de pesquisa e muito provavelmente esta foi a primeira resenha sobre este livro. 
   
No final das contas é uma história que consegue prender a atenção dos leitores, principalmente se você gostar desse gênero literário. Pode parecer surreal as ações descirtas nela mas temos que raciocinar que nenhum dos lados queria perder e havia muita tensão no ar. Não houve confrontos diretos mas sim indiretos como no caso das Coréias e no Vietnã principalmente. Confrontos esses que trouxeram consequências para todos nós e sentimos isso até hoje.


FICHA TÉCNICA:

Título: Conspiração Telefone

Autor: Walter Wager

Páginas: 206

Editora: Juniter/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1975




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domingo, 17 de outubro de 2010

O Sequestro do Metrô

Quando vi pela primeira vez a capa e o título desse livro pensei que a história seria fraquinha, fraquinha. Com muitos clichês, vergonhas alheias e coisas do gênero. Mas ainda bem que me enganei. Eu deixei de ver jogos do Mundial da África do Sul para lê-lo. Como consequência, foram 424 páginas devoradas em 4 dias e meio, o que dá 84,8 páginas diárias (coisa que não irei repetir mais). Sendo que minha média gira em torno de 35 a 40. 
   
Mas o que me fez ler tanto assim?

Resposta: NÃO SEI!

Eu lembro que li este livro na época da Copa do Mundo e eu deixava de ver alguns jogos sem importância para ir ler. Mas o que mais me chamou a atenção o fato da história conter ponto de vista de quase todos os personagens dentro daquele vagão do metrô, desde a prostituta até o ancião. Não me recordo de nada parecido. 
 
Para começo de conversa essa narrativa passa-se dentro do metrô (lógico!) mais antigo do mundo: o de Nova York. Na década de 70 essa cidade não era grande coisa, tenho a sensação que era como a cidade de São Paulo é hoje, suja, cinzenta, violenta, mau conservada, com desigualdades sociais muito fortes e um sentimento de racismo contra negros, latinos e mestiços muito difundido. Isso só começa a mudar lá por meados de 1990, vinte anos depois. 
 
Na narrativa, o autor passa a impressão de um sistema metroviário organizado, porém muito deteriorado, aonde apenas a escória populacional frequenta. Tem um final muito clichê. Porém tenho que ressaltar o fato de eu ter ficado curioso pela forma de captura dos sequestradores, o que durou até a última página (literalmente!).

Falando do autor, John Godey era um pseudônimo de Morton Freedgood pois ele queria separar os romances policiais dos livros “sérios”, escrevia esse gênero desde 1940, não obtendo êxito algum. Mas em 1973, quando lançou “O Sequestro Do Metrô”, a sorte deu as caras. Logo tornou-se best-seller e dois anos depois foi adaptado às telonas. Aliás se você jogar esse título em qualquer site de pesquisa irá aparecer mais referências sobre filme e não do livro.

Além, do mais Godey revelou uma vez que quando começou a esboçar este romance não tinha o final definido. E a facilidade com que descreveu as localidades e os deslocamentos deve-se ao fato de ser natural de Nova York e de ter morado em 4 dos 5 distritos da “capital do mundo”.

Como eu disse no começo do post, eu nunca mais irei igualar essa marca de 85 páginas lidas por dia. Muito pelas minhas obrigações do dia a dia e de meu tempo ocioso ter diminuído. Mas, com esses números posso dizer, sem dúvida alguma, que esse livro é um dos melhores que já li. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: O Sequestro do Metrô

Autor: John Godey

Páginas: 424

Editora: Nova Época/Círculo do Livro

Edição: 2ª

Ano: 1975




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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Negras Raízes

Você já pensou em vasculhar a árvore genealógica de sua família? Não começando pelos parentes mais longínquos que você possa se lembrar. Estou falando em ascendentes que você nunca imaginou ter existido, que viveram há 7 ou 8 gerações. Parece impossível? Mas para Alex Haley não foi. Este livro é a prova. 
 
Para começo de conversa Alex Haley não partiu do nada. Ele possuía uma base para suas pesquisas: o nome do suposto antepassado que veio da África contado por seus tios e avós quando era criança. Com essa informação foi mais fácil (ou menos difícil) achar o paradeiro de seus ascendentes até chegar a Kunta Kinte em Gâmbia. A partir desse ponto Haley começou a contar com a sorte. Como o governo gambiano não possui registros oficiais de nomes daquela época, ele teve que recorrer à uma espécie de contadores de histórias. Essas pessoas idosas possuem gravadas na memória os acontecimentos de todo um clã. Digo todo um clã mas é todo o clã MESMO... desde sua origem independendo da data (seja 1970 ou 1345). É de impressionar realmente. Então Alex achou um desses anciãos que era especialista de toda a história do clã Kinte, cintando o seu tataravô que foi raptado e levado para a América. 
 
É óbvio que nem tudo relatado no livro realmente aconteceu. Os locais, os nomes e os deslocamentos são reais mas os diálogos, não. Tanto é que certas passagens de “Negras Raízes” se parecem com alguns trechos do livro “The African” e consequentemente foi acusado de plágio que só serviu para aumentar a fama daquele.

Se algum afrodescendente brasileiro quisesse fazer a mesma coisa iria acabar esbarrando numa barreira intransponível: em 13 de maio de 1891 todos os arquivos relacionados à escravidão foram queimados por determinação do então ministro da Fazenda Rui Barbosa. Ou seja se algum antepassado seu chegou por aqui antes dessa data ficará mais difícil quaisquer pesquisas. 
 
Aqui vai alguns aspectos físicos do livro: possui 108 capítulos (isso mesmo!) mas “apenas” 646 páginas, sendo que cada capítulo gira em torno de 4 a 6 páginas. Com esses números “Negras Raízes” é o terceiro livro mais longo que li até hoje. Outro aspecto curioso, digamos assim se trata da data de lançamento do livro: 1976, ou seja o bi-centenário da independência norte-americana. Com isso o autor dedicou essa obra, com mais de 10 anos de pesquisa, à sua nação. No mesmo ano Haley ganhou o prêmio Pulitzer por essa narrativa. 
 
Em toda a sua vida, Alex Haley escreveu apenas esse romance. Mas ele redigiu a “Autobiografia de Malcom X” Portanto, se você gostou de “Negras Raízes” e quer pesquisar outras obras do mesmo autor... sinto desapontá-los mas, não há outros. Mas, convenhamos, só por este já vale por outros milhões que ele viesse a escrever, pelo seu esforço e dedicação nesses 10 anos de pesquisa e por sua origem africana que muita gente sente vergonha. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: Negras Raízes
 

Autor: Alex Haley
 

Páginas: 646
 

Editora: Record/Círculo do Livro
 

Edição: Intergral
 

Ano: 1976




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domingo, 3 de outubro de 2010

Casa Nobre I

Eu pensei muito antes de escrever este post pois “Casa Nobre” tem dois volumes... e só li o primeiro. Ou seja meu texto ficaria incompleto. Eu poderia tirar conclusões precipitadas com relação à história. Mas resolvi fazer mesmo assim e quando ler a segunda parte completarei o raciocínio contido aqui.

Primeiramente, “Casa Nobre” se passa em Honk Kong, ou seja, fora da conurbação Europa-EUA. Conta a história da maior empresa da região (fictícia) em decadência. A salvação corporativa está em uma mega-parceria com uma gigante norte-americana. Mas as concorrentes querem ver a Struan no chão tentando, a qualquer preço desfazer esse negócio. Essas duas companhias não são apenas adversárias... são INIMIGAS. 
   
Esse foi um dos pontos positivos do livro, junto com o espaço da história. Um outro fator interessante é a descrição de como uma grande empresa é controlada, como a alta cúpula comanda, agita, influencia, mascara as suas artimanhas para conseguir o que quer sem muito esforço e sem muita dó. 
 
Apesar da narrativa se passar em Hong Kong metade das personagens são inglesas (Hong Kong pertenceu ao Reino Unido até 1997), ou seja, há relatos de hábitos ocidentais muito familiares para nós. Mas também o autor expõe um pouco dos hábitos chineses presentes na vida cotidiana da península. Um desses costumes que mais me chamou a atenção foi o de cuspir toda vez que a garganta der aquela arranhada, pois os chineses acreditam que há um deus maligno nesse escarro e então é necessário se livrarem dele. Por isso é comum (pelo menos no livro) ter uma escarradeira, assim como o cinzeiro é para nós (nota: sou completamente anti-tabaco!).

E para finalizar... simplesmente não posso finalizar pois como eu havia dito no começo do texto para uma completa compreensão dessa história eu preciso ler o segundo volume. Este post vai ficar incompleto por esse motivo. Ou seja eu entendo se você não gostou dessa conclusão.


FICHA TÉCNICA:

Título: Casa Nobre I
 
Autor: James Clavell
 
Páginas: 701
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1981





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