quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Piadas Nerds - Química/Pinóquio às Avessas

Este post será um tanto diferente do costumeiro pois irei copiar o modelo que adotei no texto de “Pedro e João/Uma Vida” de Guy de Maupassant. Porém, desta vez as obras serão de autores e assuntos distintos, sendo que um refere-se a (saga) Piadas Nerds e outro é um conto infantil com ilustrações de Maurício de Souza. Irei comentá-los separadamente e concluirei em seguida.



--Piadas Nerds – Química--

Livro de pequenas dimensões com poucas páginas, letras grandes e umas três ou quatro piadas por página (quando não há ilustração). O livro está dividido em três partes como se fosse um material didático. As piadas são boas (para quem gosta ou entende de química, é claro!) porém curtas. Assemelha-se a alguns livros infantis de piadas porém com uma temática mais madura. Assim como o livro “Piadas Nerds” original algumas piadas foram coletadas pelo Twitter com a menção devida a cada participante. Uma ótima opção para dar umas risadas e quem sabe até ajudar você nos estudos.



--Pinóquio às Avessas--

Conta a história de Felipe que é uma criança muito curiosa e enfrenta algumas dificuldades durante sua jornada pela escola. É diagnosticado com distúrbio de atenção mas na realidade Felipe apenas pensava num pássaro azul o qual não sabia o nome. Porém após esse acontecimento ele dedica-se de corpo e alma para passar no vestibular e consegue. Porém houve um pequeno desvio da sua paixão por pássaros; ao entrar no mercado de trabalho especializou-se em frangos... mortos.


Achei estranho um autor infantil tratar de assuntos como o vestibular e um frigorífico. São temas um tanto “fortes” e talvez fora do padrão de uma história semelhante a um conto de fadas que está enraizado em nós. Não sei dizer se isso tudo irá trazer algum malefício para a criançada. Sabendo trabalhar ambas as temáticas pode ser até um ponto a favor.



--Conclusão--

Adquiri ambos os livros na 22ª Bienal do Livro de São Paulo, ocorrida em agosto de 2012. Mas não estava nos meus planos comprar esses títulos. Precisava achar algumas das obras de Rubem Alves com a colaboração de Maurício de Souza pois eu queria um autógrafo do criador da Turma da Mônica o qual remete-me à minha infância. Piadas Nerds acabei comprando por osmose. Porém não arrependo-me de possuí-los agora.



FICHAS TÉCNICAS:

Nome: Piadas Nerds – Química

Autor: I. Baroni, L. F. Giolo, P. Pourrat

Páginas: 112

Editora: Verus

Edição: 1ª

Ano: 2012




 
Nome:Pinóquio às Avessas

Autor: Rubem Alves, Maurício de Souza

Páginas: 46

Editora: Verus

Edição: ?

Ano: 2010






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terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Vida em Tons de Cinza

Os países bálticos foram as únicas ex-repúblicas soviéticas que ingressaram na UE em detrimento da CEI. Muito pelo o que aconteceu durante a década de 1940 quando Stalin invadiu, prendeu, matou e/ou exilou milhares de pessoas por considerá-las antissoviéticas. Seu destino? O inferno na Terra: Sibéria. 
 
“A Vida em Tons de Cinza” conta a história de Lina Vilkas um lituana de 15 anos prestes a ir estudar Artes na capital. Seu pesadelo começa quando a NKVD (a futura KGB) invade a casa de sua família e são obrigados a sair às pressas levando somente o necessário. Separados de seu pai, Lina e seu irmão Jonas junto com sua mãe Elena, são postos em vagões de gado como sardinhas em lata. Muitos perecem no caminho pela falta de higiene e pela fome. Numa das paradas ela e um companheiro de vagão, Andrius, saem à procura de seus pais e acabam encontrando Kostas Vilkas pelo buraco da latrina de outra composição. Seguindo viagem desembarcam no campo de trabalho forçado de Altai onde ficam durante um ano partindo enfim para Trofimovsk, no fim do mundo. 
 
Após algum tempo percebi que o livro teria muitos capítulos. Por conta disso pensei que a história seria muito infantil e superficial. Mas logo vi que não tinha como haver transições suaves entre um e outro capítulo e no fim conclui que foi melhor Ruta ter feito assim. Não sei se esse fato foi o principal elemento cativante nesta obra pois chegou um ponto da narrativa em que eu não queria mais parar de ler por uma curiosidade de saber como era sobreviver na Sibéria e, principalmente, como eles sairiam de lá. O meu primeiro interesse foi saciado durante o tempo e o segundo foi parcialmente sanado pois eu queria sentir a emoção das personagens em abandonar aquele deserto glacial. O que há registrado é uma cápsula desenterrada em 1995 com alguns dos registros feitos por Lina, sendo aquela lacrada em 1954, supostamente logo após ser concedida a sua liberdade. 
 
Pelo assunto e pela abordagem da autora este livro lembrou-me “Arquipélago Gulag” do nobel de 1970 Alexandr Soljenítsin. As diferenças são grandes e sutis ao mesmo tempo. Algumas delas estão no fato de Soljenítsin ser homem (russo) e Lina mulher (lituana), pois haviam destinos diferentes para os gêneros; o primeiro era intelectual e sofreu a acusação direta e reta enquanto Lina recebeu uma punição indireta por “culpa” de seus pais; e por Soljenítsin ter sido premiado com o Prêmio Nobel de Literatura e Ruta estar começando agora. 
 
Pela dedicatória que há a Jonas Šepetys, pelo irmão de Lina chamar-se justamente Jonas e por toda a pesquisa que Ruta fez supus que os personagens eram reais, fora o mapa que há descrevendo a viagem que fizeram até a foz do rio Lena.
 
Em toda a década de 1940 os olhos do mundo fitaram os campos de concentrações nazistas espalhadas pelo leste europeu. Mas a quilômetros deles havia uma região da Europa sendo engolida pela máquina soviética sem dó. Seus sofrimentos acabaram junto com a morte do segundo líder soviético e a ascensão de Nikita Krushchov e sua desestalinização da URSS.

FICHA TÉCNICA:
 
Nome: A Vida em Tons de Cinza

Autor: Ruta Sepetys

Páginas: 240

Editora: Arqueiro

Edição: ?

Ano: 2011






 

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Desembarque

Depois de ler uma reportagem sobre a prisão de Laszlo Csatary, o criminoso nazista mais procurado do mundo, lembrei-me de um dos últimos livros que li e não postei por aqui. Se reparar bem no lay-out da capa você entenderá o porquê da associação que fiz.

“O Desembarque” conta a história de um grupo de espiões nazistas que adentraram no território norte-americano em plena II Guerra Mundial. A ideia primordial é causar uma briga racial interna desviando, assim, o foco do governo de Franklin D. Roosevelt em relação ao conflito internacional. Mas como em todo livro pró-EUA sobre esta temática, os ianques vencem. Aliás, já disse mas vou reforçar, tenho vontade de ler algo envolvendo a Segunda Grande Guerra e/ou Guerra Fria tendo a visão do outro lado da moeda e ver como eles viam o que nos ensinaram a chamar de vencedores e perdedores. Pois na grande maioria das obras que li eles tratam os aliados como deuses.
 
Voltando para o “desentendimento” racial incitado pelos nazistas, fazia dois anos que não via algo associado a isso. Desde “Negras Raízes” de Alex Haley não aparecia o racismo, mesmo em segundo plano. E olha que a maior parte na narrativa de Haley passou-se entre os séculos XVIII e XIX. A questão racial norte-americana ainda não está 100% esclarecida porém houve grandes avanços desde 1960. Então deduz-se, que levando em conta o tempo cronológico da história, havia uma grande segregação dos negros. Foi uma boa sacada alemã. 
 
Logo no preâmbulo nota-se um mapa do leste dos EUA com algumas indicações do desembarque dos espiões e uns documentos com o carimbo de confidencial explicando o caso. Isso dá um ar de seriedade e autenticidade sobre o caso. Porém nunca realmente saberemos se isso aconteceu de verdade, se foi mais uma jogada do governo norte-americano na tentativa de justificar algo que tenham feito durante os anos de guerra ou se isso é pura fantasia. Creio mais na hipótese de que isso aconteceu mesmo. 
 
A temática é muito parecida com “A Águia Pousou” tanto pelo momento histórico, tanto pelas circunstâncias, tanto pelas estratégias e por possuírem um inimigo comum. Apesar de eu já ter lido vários livros que possuem ambientes semelhantes e detalhes parecidos foi um dos melhores. Podendo-se comparar com as obras de Frederick Forsyth.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Desembarque

Autor: Haynes Johnson/Howard Simons

Páginas: 351

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1986



  
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domingo, 4 de março de 2012

Terra dos Homens

A internet está saturada de frases e pensamentos referentes à “O Pequeno Príncipe”. Ela também está cheia de biografias de Saint-Exupéry. Porém nenhuma delas é tão completo quanto esse livro.

“Terra dos Homens” é o quarto lançamento de Antoine de Saint-Exupéry. Este é diferente de seus três antecessores no qual tratam basicamente do pioneirismo da aeronáutica. Este livro, em semelhança com os anteriores, fala dos feitos dos pioneiros da aviação na Europa, África e América do Sul, mas o autor dá mais espaço à sua biografia que pode ser confundido com a própria história dos aeroplanos. 
 
Saint-Exupéry sobreviveu a dois acidentes aéreos, um dos quais ele relata aqui. Quando o seu avião cai no meio do Saara ele vê-se obrigado a buscar um jeito de sair de lá. Junto com o mecânico da aeronave vagam durante 9 dias. Essa, de longe, é a melhor parte do livro tanto por nos mostrar o sofrimento em continuar andando mesmo sem forças e muito por passar-nos de modo incrivelmente palpável toda a dor e o desespero que enfrentam. 
 
Outro ponto relevante é quando Saint-Exupéry começou a fazer viagens pioneiras através dos Andes para levar o correio europeu à América do Sul, em especial o Chile e a Argentina. Na leitura deste trecho não senti tanta empolgação quanto o da passagem sobre o Saara. 
 
Despindo a alma humana para mostrar o que muitas vezes não queremos ver Saint-Exupéry trouxe-nos algumas reflexões que muitas vezes não queremos ter. Exupéry usa a sua vida e o lirismo poético como pano de fundo para ensinamento mais profundos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Terra dos Homens

Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Páginas: 166

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1939




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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Tambor

Nós conhecemos a Polônia como a nação que Hitler invadiu no dia 1º de setembro de 1939. Mas essa região ao leste da Alemanha já sofreu várias modificações em seu território sendo que já ficou 123 anos sem existir. É nesse cenário (especificamente na cidade de Gdańsk) ao qual desenvolve-se a história de Oskar e seus ascendentes cassúbios. 

“O Tambor” é uma narrativa em primeira pessoa, sendo Oskar o narrador-personagem da trama. Ele resolve escrever suas memórias quando encontra-se internado em um hospício. Porém a história não começa em seu nascimento e sim algumas décadas antes quando sua avó Anna engravida ainda no século XIX. O protagonista nasce apenas em 1924 quando a família já mudou-se para a cidade portuária de Gdańsk. 
 
Aos três anos dois eventos marcam Oskar por toda a sua vida: no dia de seu terceiro aniversário ele ganha um tambor vermelho e branco de sua mãe, Agnes; ao desconfiar piamente que sua progenitora tem um caso extraconjugal com Jan Bronski, Oskar atira-se da escada da adega, tendo como consequência o estacionamento de seu crescimento, mantendo-se com 94 centímetros de altura por vários anos. Mas não é só isso. Tocando o seu tambor durante todos os anos posteriores ele acaba sendo reconhecido pelo seu talento e também pela disformidade de seu corpo, tanto pelo seu tamanho, quanto pela sua caixa craniana incompatível com o seu corpo e pela sua corcova. 
 
Logo no começo da história Oskar cita-nos alguns vilarejos, cidadelas e riachos que fazem parte do espaço da história. Ele fala com certa naturalidade como se esses locais fosse conhecidos por todos os seus leitores. Outro fato bastante curioso fala a respeito de o narrador nunca referir-se a ele como personagem, ou seja, em primeira pessoa, dando a impressão, às vezes, que o narrador de toda a trama é o tambor, comprovando o motivo do título. Para alguns leitores mais atentos é possível confundir a vida de Oskar com a do próprio Grass, sendo que ambos possuem ascendência cassúbia, viveram em Gdańsk, e são filhos de comerciantes. 
 
Demorei para terminar a minha leitura pois este livro mostrou-se ser maçante, possui uma linguagem ligeiramente rebuscada, não há diálogos, os poucos que existem são rápido e confusos. Por trás disso tudo, Günter Grass faz uma severa crítica à burguesia, ainda que pouca, existente. Crítica essa que continua nos dois livros seguintes dessa trilogia: “Katz und Maus” e “Hundejahre”. “O Tambor” também foi adaptado às telonas em 1979 sendo premiado tanto em Cannes quanto no Oscar como Melhor Filme Estrangeiro.

Por retratar um pouco da vida dos polacos e cassúbios da década de 30 pensei que seria um livro bom com uma história que me prendesse. Mas por conter uma linguagem rebuscada, algumas metáforas e ironias não consegui manter um bom ritmo de leitura. Dispersei-me muito e demorei um mês para finalizar a leitura. Queria terminar a trilogia mas a minha experiência com esse livro não foi uma das melhores e não passou-me a vontade necessária para continuar. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Autor

Autor: Günter Grass

Páginas: 530

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro

Edição: Integral

 Ano: 1959





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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arlequim

Com a incrível evolução da informática e, consequentemente, do armazenamento e processamento de dados, empresas deste ramo tendem a ter um poder quase divino em decorrência dos serviços e produtos oferecidos tanto para o setor privado quando para o estatal. Morris West expõe-nos uma dessas tramóias.

Arlequim, neste caso, não diz repeito àquela figura popular dos blocos carnavalescos de rua, que também são retratados nas cartas de baralho como coringa. Aqui trata-se do sobrenome de George o protagonista da história e dono de um banco suíço. Sendo uma pessoa boa, culta e sensível não queria acreditar na carnificina que é o mundo corporativo, porém ele vê-se obrigado à penetrar nos meandros desse universo para provar a sua inocência ao qual foi acusado de dar um calote de US$15 milhões em seu próprio banco. 

Além do livro ter um foco maior em Arlequim, West  abre um espaço grande, até, para um “coadjuvante”. Paul Desmond, melhor amigo de Arlequim e diretor da Arlequim et Cie. é quem conta a história. Apesar de Desmond acompanhar o seu companheiro até o fim e ter de enfrentar situações horríveis como a morte da sra. Arlequim e o sequestro do filho de George, ainda arruma tempo para algumas reflexões de coro intimista. Durante a cronologia  há várias frases de efeito, conseguindo arrancar um pensamento mais profundo por parte do leitor. 

Todos nós sabemos que narrativas em primeira pessoa costumam ser parciais. Digo costumam porque nunca saberemos a verdade. Mas durante a leitura eu não consigo visualizar isso. Me deixo levar pela história e só tenho esse pensamento quando estou relembrando tudo o que acabei de ler. 

Só fazendo uma ponte com um o post do livro “Os Tolos Morrem Antes”: se exagerássemos um pouco e seguíssemos a mesma lógica deste livro, aquele iria chamar-se Jordan, com a diferença de que no primeiro Merlyn é apenas coadjuvante até a morte deste, seguindo o resto do livro como narrador e protagonista. O que reparei também foram os comportamentos, expressões, locais e gestos típicos de uma pessoa católica. Por ser ambientado entre a Suíça, os Estados Unidos e o México, com exceção deste último, são países predominantemente protestantes sendo difícil ver algo parecido, lendo obras de outros autores. Isso se explica pelos doze anos em que Morris West passou em um convento. E, assim como Grahan Greene, ele alicerçou os seus melhores romances em torno da temática católica. 

Este já é o  quarto livro de Morris West que leio sendo que os dois primeiros, “Um Mundo Transparente” e “Proteu” não foram tão bons quanto os dois últimos, “Kundu” e “Arlequim”. Isso o coloca entre os meus autores favoritos, dividindo o posto com o seu compatriota James Clavell, James A. Michener e Frederick Forsyth.


FICHA TÉCNICA:
 
Nome: Arlequim
 
Autor: Morris West
 
Páginas: 318
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1974


 
 
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Quarto Protocolo

As Convenções de Genebra são uma série de tratados que objetivam os direitos e deveres, de combatentes ou não, em tempos de guerra. De 1864 até hoje foram realizadas quatro reuniões com base no Direito Humanitário Internacional. Em 1949 foram elaboradas três protocolos de emendas aos textos já prontos. O suposto quarto protocolo seria uma acerto verbal entre as potências bélicas que não chegou aos ouvidos da massa. É esse tal acordo que nomeia este livro.

“O Quarto Protocolo” tem como estopim para os acontecimentos,  o desejo do partido trabalhista britânico em subir ao poder nas eleições gerais britânicas. Os conservadores não querem uma vitória da oposição por medo de uma aproximação entre Londres e Moscou. Então decide-se antecipar o pleito. Os pontos fracos do atual governo são as bases americanas na costa leste da Grã-Bretanha e o suposto desenvolvimento das armas nucleares para defesa do Ocidente. A par disto tudo o KGB planeja uma investida com armas nucleares perto das tais bases ianques e assim conseguir o voto dos 10% do eleitorado flutuante. 

Porém, quem protagoniza a história é John Preston, um funcionário federal que torna-se o comandante da busca britânica pelos soviéticos. Com a finalidade de evitar um desastre nuclear, Preston percorre vários quilômetros em direção ao sul na África para descobrir o paradeiro de um embaixador acusado de identidade falsa. O serviço secreto só chegou à ele através de um roubo dos diamantes Glen localizado na residência do falso diplomata, que aliás é o primeiro movimento da trama. Além dos diamantes, os outros materiais necessários para a confecção da bomba nuclear de baixa potência foram entrando em solo bretão de modo muito simples e objetivo apesar de as autoridades saberem com uma certa precisão o tamanho, o formato e o peso dos tais objetos. E, em decorrência dessa vida corrida, Preston se distancia de seu filho no qual só pôde vê-lo durante dez dias, mesmo em plena ação.    

Depois de algum tempo voltei a ler uma história que envolva guerra ideológica, os famosos MI5 e MI6 e que tenha dinâmica. E o que eleva o status do livro é o autor: Frederick Forsyth. Ele costuma usar o mesmo ambiente político e físico que Grahan Greene e John Lé Carré em suas narrativas. O diferencial é que Forsyth foca-se na ação e menos na mente e no comportamento dos envolvidos.

Como é de costume, durante a minha leitura observei certos fatos: 1º) A história começa no dia 31 de dezembro de 1986 e eu comecei a leitura deste livro em 31 de dezembro de 1986 2011. 2º) Quando leio uma história sobre espiões e contra-espionagem muitas vezes duvidamos do que foi relato, tachando-o de absurdo. Porém temos que levar em conta que nem tudo foi meticulosamente vasculhado e publicado. Ainda há muitas coisas debaixo dos tapetes.

Foi com grande empolgação que comecei a ler “O Quarto Protocolo”. Diferentemente de “A Casa da Rússia” este possui uma dinâmica muito envolvente e o autor consegue nos passar uma impressão de que o Ocidente e o Oriente precisavam manter suas forças em equilíbrio mesmo um querendo superar o outro no juízo final. E e por fim mais um ponto positivo para Forsyth. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Quarto Protocolo

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 418

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984





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domingo, 15 de janeiro de 2012

O Guia dos Curiosos - Invenções

Este é o terceiro livro da série “O Guia dos Curiosos” de Marcelo Duarte que leio. Teve um começo muito bom com o livro-chefe e depois decaiu um tanto no exemplar sobre Língua Portuguesa e voltou a ter uma pequena elevação com este volume sobre Invenções. “O Guia dos Curiosos – Invenções” é que melhor sintetiza e resume o título dessa gama.

“O Guia dos Curiosos – Invenções” não traz apenas criações e descobertas que ainda hoje ajudam-nos no cotidiano. Ele também contém objetos e produtos que não estão mais em uso por tornarem-se obsoletos, alguns objetos que não têm utilidade e a evolução de alguns dos utensílios mais estranhos possíveis. Ou seja, (quase) tudo que possa imaginar já foi inventado.

A melhor parte do livro está no último capítulo aonde há histórias de algumas das empresas e marcas mais famosas do mundo. E lendo isto tudo tive duas reflexões. A primeira trata-se de como eram feitas as publicidades dos tais produtos. As mulheres ou homens que apareciam nas propagandas assemelhavam-se a bonecos e parecem não transmitir qualquer vontade em consumir o item. Mas eram outros tempos, outra mentalidade... só vivendo há 60 anos é que entenderíamos tudo.

A segunda refere-se à evolução dos produtos. Pode parecer óbvio mas os protótipos não são iguais aos que utilizamos hoje. Como todo princípio, esses utensílios são muito rudimentares, às vezes, não fazendo jus ao que são hoje. Com a modernização da linha de produção, novas descobertas e aperfeiçoamentos foram feitas para torná-los bem mais duradouros. 

Como eu disse no “O Guia dos Curiosos – Língua Portuguesa”, alguns verbetes foram repetidos. Porém isso não impõe nenhum ponto negativo no final das contas. Ainda citando o livro acima, este volume contém, também, alguns erros de edição e de informações, entretanto não são tão graves quanto  o do referido anterior. No final de tudo, digo e repito: este livro sintetiza e resume a essência de um curioso. 

  FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curiosos – Invenções

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 464

Editora: Panda Books

Edição: 2ª

Ano: 2010






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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Casa Da Rússia

Logo que vi na capa o nome de John le Carré veio à minha mente lembranças de “A Garota do Tambor”. Porém, desta vez parecia ter cara de uma história típica dos anos da Guerra Fria, espionagem e contra-espionagem. Então eu me animei, com esperanças de que este livro seria melhor que o seu antecessor. Mero engano.

“A Casa Da Rússia” fala sobre a Casa da Rússia e o projeto Pássaro Azul (neste caso não é o Twitter, hein!). Não entendi direito o que estes dois projetos têm como objetivo. Mas, por dedução, seria algo como a defesa do mundo ocidental. Aumentado pelo fato de Katya possuir um livro escrito por Dante (Goethe) seu ex-amante e querer entregá-los à Barley Blair, um editorador britânico. Este livro expõe várias vulnerabilidades do sistema de defesa soviético o que acaba envolvendo Blair com o Serviço Secreto Britânico.

O livro me prendeu pouco. Não consegui manter muita concentração depois do primeiro terço da trama. Muito por causa da falta de dinâmica. Eu não vi nenhuma ação, ficou tudo na teoria. Sei que muitas vezes o trabalho da contra-espionagem é tedioso e muito hipotético. Mas há também as atividades de campo, o qual acaba sendo muito mais empolgante. Os romance que retratam esse lado costumam ter mais êxito (em mim).

Não sei se agi de má-fé neste livro pois eu fiquei com as impressões de “A Garota do Tambor”. A narrativa começou bem mas não manteve o ritmo até o final. E o desfecho conta muito na análise de uma história. Muitas vezes o miolo do livro pode ser um pouco maçante. Porém se tiver um bom final (o que muita gente pensa que é o bem vencendo o mal) ou, pelo menos, um final lógico as cotações do livro sobem mesmo não merecendo tais status. Mais uma vez John le Carré não me agradou mesmo este romance sendo melhor do que o seu anterior.

FICHA TÉCNICA:

Nome: A Casa da Rússia

Autor: John Le Carré

Páginas: 366

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1989





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