segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arlequim

Com a incrível evolução da informática e, consequentemente, do armazenamento e processamento de dados, empresas deste ramo tendem a ter um poder quase divino em decorrência dos serviços e produtos oferecidos tanto para o setor privado quando para o estatal. Morris West expõe-nos uma dessas tramóias.

Arlequim, neste caso, não diz repeito àquela figura popular dos blocos carnavalescos de rua, que também são retratados nas cartas de baralho como coringa. Aqui trata-se do sobrenome de George o protagonista da história e dono de um banco suíço. Sendo uma pessoa boa, culta e sensível não queria acreditar na carnificina que é o mundo corporativo, porém ele vê-se obrigado à penetrar nos meandros desse universo para provar a sua inocência ao qual foi acusado de dar um calote de US$15 milhões em seu próprio banco. 

Além do livro ter um foco maior em Arlequim, West  abre um espaço grande, até, para um “coadjuvante”. Paul Desmond, melhor amigo de Arlequim e diretor da Arlequim et Cie. é quem conta a história. Apesar de Desmond acompanhar o seu companheiro até o fim e ter de enfrentar situações horríveis como a morte da sra. Arlequim e o sequestro do filho de George, ainda arruma tempo para algumas reflexões de coro intimista. Durante a cronologia  há várias frases de efeito, conseguindo arrancar um pensamento mais profundo por parte do leitor. 

Todos nós sabemos que narrativas em primeira pessoa costumam ser parciais. Digo costumam porque nunca saberemos a verdade. Mas durante a leitura eu não consigo visualizar isso. Me deixo levar pela história e só tenho esse pensamento quando estou relembrando tudo o que acabei de ler. 

Só fazendo uma ponte com um o post do livro “Os Tolos Morrem Antes”: se exagerássemos um pouco e seguíssemos a mesma lógica deste livro, aquele iria chamar-se Jordan, com a diferença de que no primeiro Merlyn é apenas coadjuvante até a morte deste, seguindo o resto do livro como narrador e protagonista. O que reparei também foram os comportamentos, expressões, locais e gestos típicos de uma pessoa católica. Por ser ambientado entre a Suíça, os Estados Unidos e o México, com exceção deste último, são países predominantemente protestantes sendo difícil ver algo parecido, lendo obras de outros autores. Isso se explica pelos doze anos em que Morris West passou em um convento. E, assim como Grahan Greene, ele alicerçou os seus melhores romances em torno da temática católica. 

Este já é o  quarto livro de Morris West que leio sendo que os dois primeiros, “Um Mundo Transparente” e “Proteu” não foram tão bons quanto os dois últimos, “Kundu” e “Arlequim”. Isso o coloca entre os meus autores favoritos, dividindo o posto com o seu compatriota James Clavell, James A. Michener e Frederick Forsyth.


FICHA TÉCNICA:
 
Nome: Arlequim
 
Autor: Morris West
 
Páginas: 318
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1974


 
 
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Quarto Protocolo

As Convenções de Genebra são uma série de tratados que objetivam os direitos e deveres, de combatentes ou não, em tempos de guerra. De 1864 até hoje foram realizadas quatro reuniões com base no Direito Humanitário Internacional. Em 1949 foram elaboradas três protocolos de emendas aos textos já prontos. O suposto quarto protocolo seria uma acerto verbal entre as potências bélicas que não chegou aos ouvidos da massa. É esse tal acordo que nomeia este livro.

“O Quarto Protocolo” tem como estopim para os acontecimentos,  o desejo do partido trabalhista britânico em subir ao poder nas eleições gerais britânicas. Os conservadores não querem uma vitória da oposição por medo de uma aproximação entre Londres e Moscou. Então decide-se antecipar o pleito. Os pontos fracos do atual governo são as bases americanas na costa leste da Grã-Bretanha e o suposto desenvolvimento das armas nucleares para defesa do Ocidente. A par disto tudo o KGB planeja uma investida com armas nucleares perto das tais bases ianques e assim conseguir o voto dos 10% do eleitorado flutuante. 

Porém, quem protagoniza a história é John Preston, um funcionário federal que torna-se o comandante da busca britânica pelos soviéticos. Com a finalidade de evitar um desastre nuclear, Preston percorre vários quilômetros em direção ao sul na África para descobrir o paradeiro de um embaixador acusado de identidade falsa. O serviço secreto só chegou à ele através de um roubo dos diamantes Glen localizado na residência do falso diplomata, que aliás é o primeiro movimento da trama. Além dos diamantes, os outros materiais necessários para a confecção da bomba nuclear de baixa potência foram entrando em solo bretão de modo muito simples e objetivo apesar de as autoridades saberem com uma certa precisão o tamanho, o formato e o peso dos tais objetos. E, em decorrência dessa vida corrida, Preston se distancia de seu filho no qual só pôde vê-lo durante dez dias, mesmo em plena ação.    

Depois de algum tempo voltei a ler uma história que envolva guerra ideológica, os famosos MI5 e MI6 e que tenha dinâmica. E o que eleva o status do livro é o autor: Frederick Forsyth. Ele costuma usar o mesmo ambiente político e físico que Grahan Greene e John Lé Carré em suas narrativas. O diferencial é que Forsyth foca-se na ação e menos na mente e no comportamento dos envolvidos.

Como é de costume, durante a minha leitura observei certos fatos: 1º) A história começa no dia 31 de dezembro de 1986 e eu comecei a leitura deste livro em 31 de dezembro de 1986 2011. 2º) Quando leio uma história sobre espiões e contra-espionagem muitas vezes duvidamos do que foi relato, tachando-o de absurdo. Porém temos que levar em conta que nem tudo foi meticulosamente vasculhado e publicado. Ainda há muitas coisas debaixo dos tapetes.

Foi com grande empolgação que comecei a ler “O Quarto Protocolo”. Diferentemente de “A Casa da Rússia” este possui uma dinâmica muito envolvente e o autor consegue nos passar uma impressão de que o Ocidente e o Oriente precisavam manter suas forças em equilíbrio mesmo um querendo superar o outro no juízo final. E e por fim mais um ponto positivo para Forsyth. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Quarto Protocolo

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 418

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984





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Até a próxima!

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Guia dos Curiosos - Invenções

Este é o terceiro livro da série “O Guia dos Curiosos” de Marcelo Duarte que leio. Teve um começo muito bom com o livro-chefe e depois decaiu um tanto no exemplar sobre Língua Portuguesa e voltou a ter uma pequena elevação com este volume sobre Invenções. “O Guia dos Curiosos – Invenções” é que melhor sintetiza e resume o título dessa gama.

“O Guia dos Curiosos – Invenções” não traz apenas criações e descobertas que ainda hoje ajudam-nos no cotidiano. Ele também contém objetos e produtos que não estão mais em uso por tornarem-se obsoletos, alguns objetos que não têm utilidade e a evolução de alguns dos utensílios mais estranhos possíveis. Ou seja, (quase) tudo que possa imaginar já foi inventado.

A melhor parte do livro está no último capítulo aonde há histórias de algumas das empresas e marcas mais famosas do mundo. E lendo isto tudo tive duas reflexões. A primeira trata-se de como eram feitas as publicidades dos tais produtos. As mulheres ou homens que apareciam nas propagandas assemelhavam-se a bonecos e parecem não transmitir qualquer vontade em consumir o item. Mas eram outros tempos, outra mentalidade... só vivendo há 60 anos é que entenderíamos tudo.

A segunda refere-se à evolução dos produtos. Pode parecer óbvio mas os protótipos não são iguais aos que utilizamos hoje. Como todo princípio, esses utensílios são muito rudimentares, às vezes, não fazendo jus ao que são hoje. Com a modernização da linha de produção, novas descobertas e aperfeiçoamentos foram feitas para torná-los bem mais duradouros. 

Como eu disse no “O Guia dos Curiosos – Língua Portuguesa”, alguns verbetes foram repetidos. Porém isso não impõe nenhum ponto negativo no final das contas. Ainda citando o livro acima, este volume contém, também, alguns erros de edição e de informações, entretanto não são tão graves quanto  o do referido anterior. No final de tudo, digo e repito: este livro sintetiza e resume a essência de um curioso. 

  FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curiosos – Invenções

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 464

Editora: Panda Books

Edição: 2ª

Ano: 2010






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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Casa Da Rússia

Logo que vi na capa o nome de John le Carré veio à minha mente lembranças de “A Garota do Tambor”. Porém, desta vez parecia ter cara de uma história típica dos anos da Guerra Fria, espionagem e contra-espionagem. Então eu me animei, com esperanças de que este livro seria melhor que o seu antecessor. Mero engano.

“A Casa Da Rússia” fala sobre a Casa da Rússia e o projeto Pássaro Azul (neste caso não é o Twitter, hein!). Não entendi direito o que estes dois projetos têm como objetivo. Mas, por dedução, seria algo como a defesa do mundo ocidental. Aumentado pelo fato de Katya possuir um livro escrito por Dante (Goethe) seu ex-amante e querer entregá-los à Barley Blair, um editorador britânico. Este livro expõe várias vulnerabilidades do sistema de defesa soviético o que acaba envolvendo Blair com o Serviço Secreto Britânico.

O livro me prendeu pouco. Não consegui manter muita concentração depois do primeiro terço da trama. Muito por causa da falta de dinâmica. Eu não vi nenhuma ação, ficou tudo na teoria. Sei que muitas vezes o trabalho da contra-espionagem é tedioso e muito hipotético. Mas há também as atividades de campo, o qual acaba sendo muito mais empolgante. Os romance que retratam esse lado costumam ter mais êxito (em mim).

Não sei se agi de má-fé neste livro pois eu fiquei com as impressões de “A Garota do Tambor”. A narrativa começou bem mas não manteve o ritmo até o final. E o desfecho conta muito na análise de uma história. Muitas vezes o miolo do livro pode ser um pouco maçante. Porém se tiver um bom final (o que muita gente pensa que é o bem vencendo o mal) ou, pelo menos, um final lógico as cotações do livro sobem mesmo não merecendo tais status. Mais uma vez John le Carré não me agradou mesmo este romance sendo melhor do que o seu anterior.

FICHA TÉCNICA:

Nome: A Casa da Rússia

Autor: John Le Carré

Páginas: 366

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1989





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