domingo, 20 de novembro de 2011

O Guia dos Curiosos

Normalmente o curioso é conhecido por dizer “por que?” mais vezes que a própria respiração permite. Quando você vai crescendo outras palavras vão sendo adicionadas para fazer a mesma indagação. Mas Marcelo Duarte não deixa por menos e responde à todos os pronomes interrogativos existentes na língua portuguesa. 

“O Guia dos Curiosos” fala sobre... o título diz tudo. O que é normal qualquer leitor pensar à primeira vista é de tratar-se de um livro com dados históricos e científicos. Mas não só isso. Esta obra possui 20 capítulos abrangendo diversas áreas, desde astrofísica até invenções e esportes. As melhores partes do livro são algumas coincidências bizarras e engraçadas, assuntos ligados ao dia a dia, os capítulos sobre poder, medidas e o Universo. E logo no começo há alguns números das vendas da primeira edição de “O guia dos Curiosos” lançado em 1995, o que me entusiasmou bastante pois era isso mesmo que esperava encontrar nesta obra. Aliás, esta edição que li é a nona e com um bônus de 160 páginas.

Mas nem tudo é céu de brigadeiro. Há alguns capítulos que não empolgaram tanto. Como comidas, arte e música, datas e festas, cinema e televisão e, principalmente, celebridades. A única seção que poderia ter ficado de fora é o que mostra com quantos anos algumas celebridades usaram pela primeira vez um sutiã.(??!)

A série “O Guia dos Curiosos” possui outros volumes com assuntos mais específicos, como língua portuguesa, invenções, esportes, super-heróis, Brasil, O Guia das Curiosas, cards, sexo e jogos olímpicos. A medida que for lendo esses, eu os publicarei aqui. 

O livro é excelente para quem é curioso como eu. Tanto é que a minha média de leitura diária passava das 100 páginas. E lia com muito entusiasmo e cautela para absorver todo o conteúdo possível. Esta obra não possui apenas números de obras faraônicas ou façanhas humanas assim como o Guinness Book. Mas há um pouco mais que faz o leitor não querer fechar o livro em nenhuma circunstância.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curioso

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 704

Editora: Panda Books

Edição: 9ª

Ano: 1995




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Até a próxima!

domingo, 13 de novembro de 2011

O Dossiê ODESSA

Os horrores da II Guerra Mundial ainda não foram totalmente digeridas e lidamos com consequências desses tempos. Imagina então o que isso significava há 45 anos atrás numa Alemanha dividida pela “cortina de ferro”. Potencializado pelo fato de ter como tempo cronológico a década de 60 que é a mais tensa de toda a Guerra Fria.

A morte de John Kennedy faz Miller (o protagonista) parar numa estrada para refletir sobre o assunto. Logo na sequência vê uma ambulância passar por ele. O instinto de jornalista é ativado e então começa a seguir a sirene. Isso resulta no corpo de Salomon Tauber, um judeu sobrevivente de um campo de concentração nos Bálcãs. Junto dele encontra-se um diário com relatos minuciosos de tudo o que acontecera lá. Quando Miller põe as mãos nesses papeis decide ir atrás de Eduard Roshmann, o açougueiro de Riga.

A história possui um suspense que foge do normal. Credito isso à nossa aversão aos nazistas e por tudo o que ele fizeram e como fizeram, e pela sensação de justiça (pelo menos no campo da ficção), sabendo nem todos os líderes desses campos foram julgados. Mas não só por isso. Há vários elementos dentro da narrativa que prendem o leitor e impede que nos deixem fechar o livro para dormir. 
 
Há mais um ponto: a ODESSA realmente existiu (ou existe) e tinha (ou tem) como principal função a ajuda mútua, seja no campo jurídico, no caso de algum ex-membro da SS for à julgamento, seja no campo sócio-econômico, inserindo-os no comércio ou na indústria, pegando embalo na ascensão da economia pós-guerra, seja no político, na tentativa de transferir a culpa do holocausto aos soldados extremamente patrióticos, ou para pedir asilo em caso de perseguição. E o destino mais comum era Argentina. 
 
Porém o fato que mais chamou a atenção foi de saber se Miller conseguiria capturar Roshmann sabendo que na vida real este último morreu no Paraguai. Não costumo passar por isso mas aconteceu de eu torcer para o mocinho dessa vez. Não que eu prefiro ver o vilão sair ileso. Eu gosto é de finais surpreendentes. Mas nesse caso eu preferi o arroz-e-feijão. E por último: esta obra foi adaptada às telonas que seguiu o mesmo sucesso que o livro teve.

“O Dossiê ODESSA” é uma história que prendeu muito a minha atenção e por isso merece ter um lugar cativo na memória. E cada vez mais gosto dos trabalhos do inglês Frederick Forsyth do qual “Sem Perdão” está entre os meus livros favoritos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Dossiê ODESSA

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 316

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1972




 
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domingo, 6 de novembro de 2011

Enciclonérdia

O nerd ou geek, dependendo das circunstâncias, começou a ser bem visto com a popularização dos PCs e pela crescente demanda de profissionais no setor. Mas, de um modo geral, nerd não é só aqueles indivíduos que ficam na frente do computador o dia todo resolvendo problemas de rede e de boots. Esse termo pode ser usado em N ocasiões, designando uma pessoa que possui um conhecido profundo sobre um assunto.

“Enciclonérdia” é uma pequena introdução ao universo dos nerds. Não trás verbetes apenas de física quântica e informática. Possui também notas sobre os seus passatempos (HQs, jogos, filmes, seriados e etc). Até é mais provável que tenha mais tópicos sobre esse assunto que sobre conteúdos científicos. Uma das explicações é que muitas vezes a ficção antecipa, algumas vezes de forma exagerada, o futuro, tornando-se então a base para o desenvolvimento tecnológico, juntamente com as necessidades de uma sociedade cada vez mais globalizada.

Durante a minha leitura fiquei espantado com alguns dados. Um deles refere-se sobre os filmes “Shrek” e a trilogia “O Senhor dos Anéis” terem sido baseados em livros. No caso deste último, os três livros não têm o mesmo nome da dos longas-metragens. J.R.R. Tolkien publicou-os na década de 50. Já o ogro mais famoso do mundo nasceu de um livro ilustrado em 1990.

Outro fato que eu nem desconfiava é sobre Star Trek e Star Wars. Os dois disputam o título de a séria favorita dos nerd. Além desses seriados, aparecem tópicos sobre filmes e histórias em quadrinhos norte-americanos, nos quais eu nunca fui um bom entendedor. Agora está mais claro como os heróis de HQs nasceram e conquistaram o mundo. 
 
Na parte científica encontramos biografias resumidas dos nomes mais importantes da história. Desde Newton até Stephen Hawking. Há também algumas explicações sobre alguns assuntos que ainda são desconhecidos do grande público. Destaque para o sempre polêmico paradoxo tempo-espaço e o “Gato de Schödinger”

Antes mesmo de iniciar a leitura pode-se ver uma nota dizendo que “Enciclonérdia” não é uma obra completa sobre o assunto. Trata-se apenas de uma introdução à cultura nerd sendo que este universo engloba muita mais coisas do que foi publicado neste livro. Não tinha intenção de comprá-lo pois não sabia de sua existência. Agora tenho uma visão mais ampla de todo esse universo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Enciclonérdia

Autor: Luís Flávio Fernandes, Rosana Rios

Páginas: 248

Editora: Panda Books

Edição: 1ª

Ano: 2011




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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Arquipélago Gulag

O Arquipélago Gulag não é um conjunto de ilhas como é bem comum ser confundido. Alexandr Soljenítsin usa a expressão como metáfora para designar os vários campos de trabalho forçado que existia na Sibéria na época stalinista. Aliás era mais fácil você ir para esses tais presídios do que ficar em liberdade.

“Arquipélago Gulag” é um relato do dia a dia de 66 milhões de pessoas que tiveram a infelicidade de passar períodos de suas vidas nesse inferno sem realmente cometer um crime. As autoridades possuíam N argumentos para prender qualquer cidadão em qualquer local. Ia-se preso por xingamentos alheios, por discussões em público, por brigar no trânsito, contato com pessoas sob investigação, trabalhos em locais chave e etc. Enfim, tudo o que poderia por em risco a URSS, por mais banal que seja o ocorrido.

A minha primeira ideia que veio logo nas primeiras páginas era de tratar-se de um livro de memórias. Mas não é bem assim. Há alguns fatos que ocorreram com Alexandr. A maioria delas fala de terceiros, pessoas que Soljenítsin conviveu. As experiências de vida do autor aparecem pouco durante a narrativa. Outro fator que desestimula a leitura são as circunstâncias que precisam ser expostas para que o resto do livro faça sentido. 
 
Antes de ler essa obra descobri que todo o relato do “arquipélago” possui 1800 páginas. Porém o livro que eu tenho não passa das 610. Então, corri atrás das partes que faltavam. O porém é que não há nenhuma continuação com o nome de “Arquipélago Gulag”. Essa continuação deve estar sob o disfarce de um outro nome.

Eu criei uma expectativa enorme logo que soube que a obra tinha como cenário a imensidão da Sibéria. Porém as exposições e os esclarecimentos que Soljenítsin teve que fazer deixaram a narrativa chata. Mesmo assim quero terminar de ler todo o relato desse russo que fala por 66 milhões de pessoas que adentraram os portões do Arquipélago.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Arquipélago Gulag

Autor: Alexandre Soljenítsin

Páginas: 608

Editora: Livraria Bertrand/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973




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