domingo, 28 de novembro de 2010

Memórias do Cárcere

Um leitor mais assíduo verá o título deste texto e perguntará de qual autor é essa “Memórias do Cárcere”. Para quem não conhece, Camilo Castelo Branco e Graciliano Ramos deram nomes iguais às suas obras. Mas neste caso falarei sobre aquele escrito por este último.
 
Como diz o nome do livro, Graciliano escreveu suas lembranças do tempo em que era preso por suposta ligação com o Partido Comunista, ficando cerca de 11 meses encarcerado. Mas como é que um intelectual sobreviveu convivendo com outros detentos? Simples! A maioria dos outros detentos também eram perseguidos sob acusações de ligação com o Partido em Moscou. E os passatempos dos internos eram xadrez e teatro (impressionante, não acha?). E fora que ele acabou levando três romances junto com a sua valise. 
 
Nos capítulos o autor faz relatos e para encerrar analisava as próprias narrações. Os diálogos são monossilábicos (lembra “Vidas Secas”) e o curioso é que quando chamavam o nome do autor ele colocava como “Fulano de Tal” e não como “Graciliano Ramos”. Uma coisa que me irritou bastante foi o fato de o personagem-autor se abalar com qualquer coisinha fora do normal enquanto estava encarcerado. Tá certo que ninguém fica com o seu psicológico 100% numa cadeia mas não é para tanto. Graciliano fumava muito, isso não é segredo de ninguém. Mas no cárcere ele era uma chaminé... era um atrás do outro. Não é à toa que morreu em decorrência do tabaco.Como diz James Hetfield: “My lifestyle determines my death style”. 
 
Quem conhecia a biografia de Graciliano sabia que ele não morreu na prisão. Então fiquei curioso em saber como é que ele foi libertado após 11 meses de reclusão. Mas o autor faleceu antes de completar o último capítulo. Ou seja, fiquei na saudade... Em resumo, em se tratando de meu relacionamento com a literatura nacional o livro não é ruim, mas também não foi uma maravilha de leitura. Eu recomendo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Mémorias do Cárcere I e II

Autor: Graciliano Ramos

Páginas: 562

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Intergral

Ano: 1953




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domingo, 21 de novembro de 2010

O Tronco do Ipê

Já tive outras experiências com livros de José de Alencar. Porém, todas foram terríveis de ler (Iracema e Cinco Minutos), apesar de serem bem curtas. Esse também foi uma luta terminar a leitura. A única diferença para as outras duas é que este possui 267 páginas. 
   
Essa narrativa conta a história de uma fazenda no interior fluminense em decadência. E o que representa bem esse declínio é um ipê que, no passado, era imponente. Mas, além disso, fala também de uma morte mal resolvida que é a chave para todos os acontecimentos subsequentes. E mais... esse livro envolve vários aspectos da cultura brasileira como o folclore e as forças mágicas do rio e o pai Benedito, chamado de onisciente.

“O Tronco do Ipê” é livro do Romantismo (1871) e vocês sabem que eu não possuo um bom relacionamento com este gênero. Porém, este foi um dos menos piores dentre todos que já li apesar da gramática da época e algumas expressões que dificultam a leitura. Por exemplo, nesse livro, os brancos cumprimentam os escravos com “adeus”. Eu demorei a metade da narrativa para entender que era uma saudação e não um despedida. E fora isso não estou acostumado a ver escrito “ir à corte” ou qualquer coisa que remeta ao Brasil Imperial.

Se tratando de uma obra do Romantismo a resposta é óbvia. Não gostei. Ainda mais por envolver um pouco das características do folclore nacional. Duas coisas que eu não sou muito chegado. Somando as duas... bom, você já adivinhou né? 


FICHA TÉCNICA:

Título: O Tronco Do Ipê

Autor: José De Alencar

Páginas: 267

Editora: Melhoramentos

Edição: 12ª

Ano: 1871




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domingo, 14 de novembro de 2010

Último Tango em Paris

Existem muitos romances adaptados para o cinema. Uns ficaram ótimos e fizeram sucesso, outros foram grandes fracassos e outros mais deveriam ter ficado só no livro. Mas esta é a primeira vez que vejo um filme servir de base para um romance. 
   
Quando bati o olho na capa e vi o título eu tive certeza de já ter visto esse nome em algum lugar. Só depois que comecei a ler é que caiu a ficha. Antes mesmo do início da história há notas avisando que este livro foi baseado no filme homônimo. Mas eu pensei comigo... porquê? Já que o filme leva vantagem sobre os livros de ter a visão como foco principal (ajuda o espectador a se situar melhor na trama) e este tira proveito de possuir mais detalhes que aquele. Mas todos os detalhes do livro foram tirados do filme. Ou seja, vantagem nenhuma. 
 
A história basicamente fala de um casal que se encontra no meio da multidão e começa a encontrarem-se para praticar atos sexuais. Apenas isso. Nenhum dos dois sabe o nome do outro, nenhuma informação sobre a vida de ambos, se possuem famílias, namoradas, amantes, esposas e etc. Apenas marcam o encontro e aparecem. O curioso é que Jeanne possui um namorado que é diretor de cinema e quer fazer um filme com sua companheira como protagonista. Mas pareceu-me que não tinha roteiro, ensaios e outros atores. Não entendi bem o que esse sujeito queria fazer. 
 
Quero citar dois pontos que achei interessantes. O primeiro trata-se do casal se reunir apenas para o sexo, chegando ao masoquismo. Mas diferente de outras histórias este descreveu fielmente o ato sexual. O Outro ponto refere-se à forma de como o livro foi (mal) revisado. Muitos erros em acentuação, troca de letras, falta de vírgulas e pontos finais. Isoladamente eu ignoro, mas quando aparecem em sequência irrita bastante. Não é possível que não viram tais deslizes. 
   
Não achei ruim a história e não foi chato de ler. Recomendo. Eu gastei uns 5 dias para ler esse livro, mas seria mais vantajoso perder 2 horas para ver o filme, já que não há diferenças entre o que está no papel ou na telona. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: Último Tango em Paris

Autor: Robert Alley

Páginas: 190

Editora: Civilização Brasileira

Edição: Integral

Ano: 1973




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domingo, 7 de novembro de 2010

Uma Vida/Pedro e João

Esse post vai ser diferente pois irei falar de duas histórias que estão em um mesmo livro. Então terá três partes. Na primeira falarei sobre “Uma Vida” e na segunda abordarei “Pedro e João”, ambos de Guy de Maupassant e na terceira falarei de aspectos comuns aos dois romances.

-Uma Vida- 
 
Esse romance conta a história de Joana que, quando sai do convento e volta a morar com os pais acaba conhecendo o visconde Júlio de Lamare, com quem se casa. Mas logo após o matrimônio Júlio começa a deixar a máscara cair e partir de então começa o sofrimento de sua esposa. Ela acaba pegando o seu cônjuge na cama com a criada e irmã de leite Rosália. E no mesmo dia acaba descobrindo que está grávida. A partir desse momento a vida de Joana se torna um inferno. E, por pura ironia, quem ampara-a nas piores situações acaba sendo exatamente Rosália, pois o filho leva a própria mãe a falência. 
 
Essa história conseguiu me deixar irritado com alguns fatos. O primeiro deles trata-se de como o pai de Joana reage ao saber da traição de Júlio. No primeiro momento ele fica revoltado, como qualquer um de bom senso, mas logo depois acaba “afrouxando” e ignorando por um motivo muuuito idiota (que não consigo lembrar! =[ ). Mas antes disso tirou-me do sério como Joana era ingênua. O terceiro ponto é a respeito das conversas entre alguns dos personagens, principalmente entre Júlio e o pai de Joana. Pois quase não havia variações. Era sempre sobre títulos de nobreza e status na sociedade francesa do século XIX. A quarta fala sobre a vida no castelo. Para Joana era tudo cor-de-rosa, tudo perfeito. Irrita porque a vida não é cor-de-rosa nem um conto de fadas. O quinto é que Guy de Maupassant se preocupa mais com o psicológico dos personagens do que com as ações. Isto deixa o livro sonolento.

-Pedro e João-

“Pedro e João” conta a história de dois irmãos que vivem em atrito, agravada pelo fato de um deles (João) ganhar 20.000 francos de herança de um amigo de seus pais. Mas, historicamente, João sempre se destacava mais que Pedro até por uma viúva que estava louca para arrumar um novo marido. A partir desses fatos e principalmente da herança, Pedro começa a desconfiar de que o caçula seja fruto desse amigo falecido com sua mãe. E acaba tendo certeza disso e joga isso na cara dela por puro ódio e por causa do dinheiro. E, como aconteceu antes, não me lembro nitidamente do final.

-Igualdade-

As duas histórias possuem aspectos semelhantes na estrutura das estrofes. Não aparece notas de rodapé esclarecendo quem é a personalidade citada. Ambas possuem a ortografia antiga (pois esse edição é da década de 50, aproximadamente). Vou citar alguns por pura curiosidade: sôbre, cêsta, êle, êles, alamêda, êsse, sôpro, espêsso, cêrca, fôra, bôlsa, estrêlas, sòzinhos, fàcilmente, sòmente, interminàlvemente e etc. Quando o narrador precisa intervir no meio das falas dos personagens, nesse livro, usa-se vírgulas e não travessões como é mais comum. Chega até a confundir o que é narrador e o que é personagem. 
 
Como aconteceu em outros casos, essas narrativas foram muito paradas, chegava a dar raiva de ler, não pelo estilo de Guy de Maupassant, mas muito mais por culpa dos personagens. Mas foi até uma experiência curiosa pelo fato de o livro ser antigo e pertencer a uma coleção de clássicos universais (esse livro foi a 20ª parte) e de ter duas histórias em um contidas num mesmo encadernamento.


FICHA TÉCNICA:

Título: Uma Vida/ João e Pedro
 

Autor: Guy De Maupassant
 

Páginas: 389
 

Editora: W. M. Jackson
 

Edição: 1ª





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