sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A Queda de Atlântida

As Brumas de Avalon fecha a saga de Avalon de Marion Zimmer Bradley. O livro que abre essa sequência, ou melhor, os livros que abrem são esses dois dos quais falarei agora: A Queda de Atlântida: Teia de Luz e Teia de Trevas.

A Queda de Atlântida tem pouca relação com a famosa lenda da ilha que afundou há tempos. Esse livro conta a história de duas irmãs, Deoris e Domaris, filhas do sacerdote Talkannon. Elas possuem comportamentos diferentes sendo que uma é atraída para os túnicas negras (Teia de Trevas) e a segunda luta por seu amor, Micon, que possui poderes extraordinários. Caso este morra seus poderes passam para o seu herdeiro. Como Micon não possui descendentes os poderes irão transferir-se para Reio-ta, seu irmão, que foi raptado e convertido pelos Túnicas Negras. A Teia de Luz foca em Domaris e Micon. Já Teia de Trevas tem como protagonista Deoris e sua relação com “o lado negro da força”.

Apesar de estar no título Atlântida não é muito explorado na história com relação ao local das ações da trama. A relação mais forte e evidente que vemos é com a saga de Avalon. Isso é potencializado pelo fato de eu ter lido primeiro As Brumas de Avalon e ao fazer a pesquisa para escrever sobre este último descobri que A Queda de Atlântida é a origem de tudo o que li antes. Com isso na cabeça comecei a procurar ligações entre ambas as obras e o máximo que vi foi uma menção à Deoris por possuir o dom da Visão, o mesmo de Morgana. Mais tarde, também após pesquisas, reparei em um aspecto interessante nas obras de Marion Bradley: a reencarnação. Isso quer dizer que os personagens que aparecem neste livro aparecerão nos posteriores, o que corrobora a ligação entre os livros da saga de Avalon, apesar de terem sido escritas fora de ordem.

Os dois volumes não foram tão empolgantes como As Brumas de Avalon. Fora o tempo que eu acabei usando para tentar achar alguma ligação com a ilha de Atlântida. E ainda tive dificuldades em associar nome à personagens por serem parecidos (Domaris e Deoris e Rajasta e Riveda). Apesar de serem dois volumes os livros não são extensos e poderiam ser compilados em único pacote mas é necessária essa divisão pelos caminhos antagônicos que as irmãs seguiram na narrativa. Pode até ser bobeira minha mas durante a leitura criei um certo ódio por Deoris pelas suas irresponsabilidades. Tomei partido de Domaris e acabei colocando ela como a heroína da história sendo o papel de vilão pertence à sua irmã caçula.

Com esses dois volumes, li seis obras de Marion Bradley seguidas. Não
é minha autora favorita mas eu achei muito interessante essa saga de Avalon e tenho a intenção de ler o resto dos livros que estão entre A Queda de Atlântida e As Bruma de Avalon, assim como eu tenho vontade de entender toda a saga de Darkover.

Não recomendo o leitor a começar a ler Marion Zimmer Bradley com esse livro. Recomendo que leia outros e se acostume com o estilo da autora para poder iniciar a leitura desta obra. Pois caso contrário poderá ter-se uma impressão errônea da criadora de Darkover.


FICHA TÉCNICA:

Nome: A Queda de Atlântida

Autor: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 202; 212

Editora: Imago/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1983




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Até a próxima!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

As Brumas de Avalon


Historia Regum Britanniae de Geoffrey de Monmouth é o responsável pela popularização da lenda sobre o rei Artur. A maioria dos fatos narrados em edições posteriores basearam-se nesta obra. Marion Bradley, que aos dez anos ganhou de seu avô um exemplar de As Fábulas do rei Artur, de Sidney Lamier, demorou vinte anos para escrever esta história que também foi baseada na produção de Monmouth mas com um toque Marion Z. Bradley.

As Brumas de Avalon é dividida em quatro volumes: A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore:

A Senhora da Magia

Ao longo dos volumes, Marion dará um destaque para as mulheres do rei Artur: Igaine, Gwenhwyfar (Guinevere) e Morgana, respectivamente mãe, mulher e irmã de Artur. Mas neste primeiro momento Igraine será colocada em destaque junto com o nascimento e a coroação de Artur.
Para conter a invasão Saxã na Bretanha, Igraine precisa ter um filho de linhagem real com Uther Pendragon. Esse filho nasce com o nome de Gwydion. 

Porém Gwydion possui uma irmã mais velha chamada Morgana a qual o trata como sendo o seu próprio filho. A relação entre Morgana e Duque Gorlois a faz ir a Avalon para ser treinada por Viviane com o objetivo de tornar-se a nova Senhora do Lago justamente por possuir o dom da Visão. Após certo tempo separados Morgana encontra com Gwydion, ambos sob máscaras e em seguida são submetidos a um ritual característico de Avalon. Deita-se com Gwydion, mas sem ambos saberem da identidade do outro, para que gere-se um filho de linhagem pura.

Quando a verdade vem à tona e Morgana descobre que está esperando um filho de Artur, rompe com Viviane e passa a morar em outro reino. Este volume encerra-se quando Gwydion após converter-se ao cristianismo e adotar o nome de Artur sobre ao trono com a morte de Uther.

A Grande Rainha

Com a ajuda de Avalon, Artur ascende ao trono tornando-se o Grande Rei da Bretanha ao lado de Gwenhwyfar que foi escolhida para ser a grande rainha. Porém Gwen ao tentar gerar um herdeiro descobre que não consegue segurar por muito tempo o feto no útero, chegando a recorrer às “bruxarias” de Morgana. Gwen pensa que isso é uma espécie de castigo por possuir um amor platônico por Lancelot, um dos cavaleiros mais fieis ao rei. Por conta disso e por sua fé incondicional ao catolicismo, ela força Artur a ser o mais católico dos reis e impõe que toda a corte arturiana comporte-se como tal. Nesse meio tempo também nutre um ódio, de certa forma doentio, pelo paganismo e pelo estilo de vida de Morgana.

O clímax deste volume é a decisiva Batalha do Monte Badon. Após sair de Avalon, Morgana instala-se na corte de Morgause e posteriormente aceita o convite de um casamento politico com o consentimento de Artur. Ainda neste livro vemos a formação da Távola Redonda.

O Gamo Rei

Alguns fatos importantes acontecem neste terceiro volume. Viviane é assassinada pelo filho de uma mulher o qual ela ajudou a matar para livrar-lhe das dores que sentia. Como consequência disso Taliesin, em seguida, acaba morrendo de velhice mas um tanto deprimido por pressentir que Avalon corre grande risco sem uma matriarca ou patriarca respeitáveis para comandar os pagãos.

Agora o grande porém da história é a relação entre Gwenhwyfar e Lancelot. Os boatos da intimidade de ambos chegam aos ouvidos do povo e da corte na mesma proporção com que o crédito de Artur perante estes vai decaindo. Para salvar a reputação e o casamento do rei, Morgana bola uma armadilha para Lance casar com Elaine ir-se da corte arturiana. Mas antes de Lance mudar-se ele assume que possui um amor por Artur deixando claro que há tempo vem escondendo a homossexualidade dentro de si. Há ainda o fato de Morgana ter um filho com Artur. Mas como a criança parece-se com Lance todos pensam que ele é o pai.

O Prisioneiro da Árvore

O ponto chave desse volume, talvez, é a morte de Elaine. Pois com isso Lancelot vê uma possível reaproximação com Gwenhwyfar, visto que ele retorna para a corte arturiana. E, de fato, os dois voltam a ter a relação que marcou os dois desde o momento em que o próprio Artur permitiu que os dois dormissem juntos, pensando que a culpa de Gwen não engravidar era ele. Mas os dois são pegos no ato pelos cavaleiros da Távola Redonda (dentre eles Mordred, filho de Artur) e fogem. Em meio a isso tudo o rei Artur nomeia Galahad com seu sucessor mesmo este sendo filho de Lancelot. Porém Mordred, que possui a Visão, percebe que Galahad não assumirá o trono pois será morto antes.

Os cavaleiros restantes da Távola Redonda decidem ir em busca do Santo Graal e prometem o procurar por um ano e um dia. A corte vazia simboliza o envelhecimento do próprio Artur mostrando implicitamente sua decadência. Kevin foi acusado de traição a Avalon por entregar símbolos pagãos para o rei interpretá-los sob a doutrina cristã. Morgana, ainda, tenta tirar a Excalibur de Artur e Mordred enfrenta o pai num último suspiro de salvar Avalon.

Há ainda, para os mais curiosos, um filme produzido para a TV baseada no livro. Justamente por não ter sido desenvolvida para as telonas o longa possui mais de três horas de duração. Assim como outros filmes vindos de livro não é 100% fiel ao livro. Aliás, o filme foge da narrativa de Bradley, chegando, em alguns casos a alterar a sequências de morte na trama. Mas ainda assim é uma opção de entretenimento para quem já leu os quatro volumes.


A demora em escrever As Brumas de Avalon se deveu por conta de pesquisas sobre a localização de Somerset e Camelot, sendo necessário a leitura de escrituras antigas. Porém todo o esforço foi recompensado. Este livro não é apenas mais uma versão comum sobre o Rei Artur. Esta é única pois trata-se da mesma história que virou uma lenda mundial mas contada de uma maneira diferente: pelas heroínas de Artur. Há um filme produzido para a TV baseado neste livro. Deixo aqui o vídeo para tirarem suas conclusões.


FICHA TÉCNICA:

Nome: As Brumas de Avalon

Autor: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 312; 286; 264; 302

Editora: Nova Cultural

Edição: ?

Ano: 1982






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Até a próxima!