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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Quarto Protocolo

As Convenções de Genebra são uma série de tratados que objetivam os direitos e deveres, de combatentes ou não, em tempos de guerra. De 1864 até hoje foram realizadas quatro reuniões com base no Direito Humanitário Internacional. Em 1949 foram elaboradas três protocolos de emendas aos textos já prontos. O suposto quarto protocolo seria uma acerto verbal entre as potências bélicas que não chegou aos ouvidos da massa. É esse tal acordo que nomeia este livro.

“O Quarto Protocolo” tem como estopim para os acontecimentos,  o desejo do partido trabalhista britânico em subir ao poder nas eleições gerais britânicas. Os conservadores não querem uma vitória da oposição por medo de uma aproximação entre Londres e Moscou. Então decide-se antecipar o pleito. Os pontos fracos do atual governo são as bases americanas na costa leste da Grã-Bretanha e o suposto desenvolvimento das armas nucleares para defesa do Ocidente. A par disto tudo o KGB planeja uma investida com armas nucleares perto das tais bases ianques e assim conseguir o voto dos 10% do eleitorado flutuante. 

Porém, quem protagoniza a história é John Preston, um funcionário federal que torna-se o comandante da busca britânica pelos soviéticos. Com a finalidade de evitar um desastre nuclear, Preston percorre vários quilômetros em direção ao sul na África para descobrir o paradeiro de um embaixador acusado de identidade falsa. O serviço secreto só chegou à ele através de um roubo dos diamantes Glen localizado na residência do falso diplomata, que aliás é o primeiro movimento da trama. Além dos diamantes, os outros materiais necessários para a confecção da bomba nuclear de baixa potência foram entrando em solo bretão de modo muito simples e objetivo apesar de as autoridades saberem com uma certa precisão o tamanho, o formato e o peso dos tais objetos. E, em decorrência dessa vida corrida, Preston se distancia de seu filho no qual só pôde vê-lo durante dez dias, mesmo em plena ação.    

Depois de algum tempo voltei a ler uma história que envolva guerra ideológica, os famosos MI5 e MI6 e que tenha dinâmica. E o que eleva o status do livro é o autor: Frederick Forsyth. Ele costuma usar o mesmo ambiente político e físico que Grahan Greene e John Lé Carré em suas narrativas. O diferencial é que Forsyth foca-se na ação e menos na mente e no comportamento dos envolvidos.

Como é de costume, durante a minha leitura observei certos fatos: 1º) A história começa no dia 31 de dezembro de 1986 e eu comecei a leitura deste livro em 31 de dezembro de 1986 2011. 2º) Quando leio uma história sobre espiões e contra-espionagem muitas vezes duvidamos do que foi relato, tachando-o de absurdo. Porém temos que levar em conta que nem tudo foi meticulosamente vasculhado e publicado. Ainda há muitas coisas debaixo dos tapetes.

Foi com grande empolgação que comecei a ler “O Quarto Protocolo”. Diferentemente de “A Casa da Rússia” este possui uma dinâmica muito envolvente e o autor consegue nos passar uma impressão de que o Ocidente e o Oriente precisavam manter suas forças em equilíbrio mesmo um querendo superar o outro no juízo final. E e por fim mais um ponto positivo para Forsyth. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Quarto Protocolo

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 418

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984





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Até a próxima!

domingo, 13 de novembro de 2011

O Dossiê ODESSA

Os horrores da II Guerra Mundial ainda não foram totalmente digeridas e lidamos com consequências desses tempos. Imagina então o que isso significava há 45 anos atrás numa Alemanha dividida pela “cortina de ferro”. Potencializado pelo fato de ter como tempo cronológico a década de 60 que é a mais tensa de toda a Guerra Fria.

A morte de John Kennedy faz Miller (o protagonista) parar numa estrada para refletir sobre o assunto. Logo na sequência vê uma ambulância passar por ele. O instinto de jornalista é ativado e então começa a seguir a sirene. Isso resulta no corpo de Salomon Tauber, um judeu sobrevivente de um campo de concentração nos Bálcãs. Junto dele encontra-se um diário com relatos minuciosos de tudo o que acontecera lá. Quando Miller põe as mãos nesses papeis decide ir atrás de Eduard Roshmann, o açougueiro de Riga.

A história possui um suspense que foge do normal. Credito isso à nossa aversão aos nazistas e por tudo o que ele fizeram e como fizeram, e pela sensação de justiça (pelo menos no campo da ficção), sabendo nem todos os líderes desses campos foram julgados. Mas não só por isso. Há vários elementos dentro da narrativa que prendem o leitor e impede que nos deixem fechar o livro para dormir. 
 
Há mais um ponto: a ODESSA realmente existiu (ou existe) e tinha (ou tem) como principal função a ajuda mútua, seja no campo jurídico, no caso de algum ex-membro da SS for à julgamento, seja no campo sócio-econômico, inserindo-os no comércio ou na indústria, pegando embalo na ascensão da economia pós-guerra, seja no político, na tentativa de transferir a culpa do holocausto aos soldados extremamente patrióticos, ou para pedir asilo em caso de perseguição. E o destino mais comum era Argentina. 
 
Porém o fato que mais chamou a atenção foi de saber se Miller conseguiria capturar Roshmann sabendo que na vida real este último morreu no Paraguai. Não costumo passar por isso mas aconteceu de eu torcer para o mocinho dessa vez. Não que eu prefiro ver o vilão sair ileso. Eu gosto é de finais surpreendentes. Mas nesse caso eu preferi o arroz-e-feijão. E por último: esta obra foi adaptada às telonas que seguiu o mesmo sucesso que o livro teve.

“O Dossiê ODESSA” é uma história que prendeu muito a minha atenção e por isso merece ter um lugar cativo na memória. E cada vez mais gosto dos trabalhos do inglês Frederick Forsyth do qual “Sem Perdão” está entre os meus livros favoritos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Dossiê ODESSA

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 316

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1972




 
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Até a próxima!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem Perdão

“Sem Perdão” é um livro de piadas de contos escrito pelo inglês Frederick Forsyth que possui a Irlanda como cenário de pelo menos 4 destas pequenas histórias. Mas há variação no espaço, revezando em territórios dentro do Reino Unido à ilhas perdidas no meio do Oceano Índico. 
   
Nesses contos Forsyth explora temas pessoais como a vingança, arrependimento e etc. fugindo do seu habitual estilo literário no qual trouxe-lhe a fama: espionagem e política internacional, sendo, em ambos os casos, o mais realista possível. Dentre as dez histórias que compõe na obra vou destacar as 3 primeiras.

1º) Sem Perdão: o conto que dá nome ao livro é justamente a primeira narrativa. Fala basicamente de um homem rico que quer conquistar uma mulher de origem humilde e leva o caso às últimas consequências. Não vou contar o final para não ser tachado de chato, mas uma coisa eu posso afirmar... foi muito hilário. Ri pacas
2º) Não Há Cobras na Irlanda: conta a chegada (fictícia) da primeira serpente na ilha trazida por um estudante indiano de medicina. O conto pode ser resumido nesse chavão: “O feitiço virou contra o feiticeiro”. Se você lê-lo irá entender melhor. Junto com a primeira história, formam a dupla que compõe o lay-out da capa (o nome e a ilustração).
3º) O Imperador: não entendi direito o motivo do nome mas o que me chamou a atenção foi o local da aventura: Ilhas Maurício. 99,8% das pessoas nem imaginam de onde começar a procurar no mapa. Aqui vai uma luz. Esse arquipélago localiza-se bem perto de Madagascar, na costa leste africana. Esta narrativa conta a história de um executivo inglês que resolveu tirar férias na ilha com sua esposa. Mas durante esse período algo acontece e faz o sr. Murgatroyd desistir da vida que levava.

Eu pus a expressão “de piadas” em tachado no começo do texto pelos contos possuírem um final cômico, principalmente o primeiro deles. Não sei se é excesso de humor negro em mim... mas não tive como segurar a risada quando terminava de ler cada história. 
   
Foi a minha segunda experiência com livros de contos. Me lembrou muito “Sagarana” de Guimarães Rosa (o único livro do gênero que já havia lido). Mas esse me fez rir bastante. “Sem Perdão” deixa muito livro de piadas no chinelo. Vale a pena ler (e dar risadas).


FICHA TÉCNICA:

Nome: Sem Perdão

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 258

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1982




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Até a próxima!