As Brumas de Avalon fecha a saga de
Avalon de Marion Zimmer Bradley. O livro que abre essa sequência, ou
melhor, os livros que abrem são esses dois dos quais falarei agora:
A Queda de Atlântida: Teia de Luz e
Teia de Trevas.
A
Queda de Atlântida tem pouca
relação com a famosa lenda da ilha que afundou há tempos. Esse
livro conta a história de duas irmãs, Deoris e Domaris, filhas do
sacerdote Talkannon. Elas possuem comportamentos diferentes sendo que
uma é atraída para os túnicas negras (Teia de Trevas)
e a segunda luta por seu amor, Micon, que possui poderes
extraordinários. Caso este morra seus poderes passam para o seu
herdeiro. Como Micon não possui descendentes os poderes irão
transferir-se para Reio-ta, seu irmão, que foi raptado e convertido
pelos Túnicas Negras. A Teia de Luz foca
em Domaris e Micon. Já Teia de Trevas
tem como protagonista Deoris e sua relação com “o lado negro da
força”.
Apesar
de estar no título Atlântida não é muito explorado na história
com relação ao local das ações da trama. A relação mais forte e
evidente que vemos é com a saga de Avalon. Isso é potencializado
pelo fato de eu ter lido primeiro As Brumas de Avalon
e ao fazer a pesquisa para escrever sobre este último descobri que A
Queda de Atlântida é a origem
de tudo o que li antes. Com isso na cabeça comecei a procurar
ligações entre ambas as obras e o máximo que vi foi uma menção à
Deoris por possuir o dom da Visão, o mesmo de Morgana. Mais tarde,
também após pesquisas, reparei em um aspecto interessante nas obras
de Marion Bradley: a reencarnação. Isso quer dizer que os
personagens que aparecem neste livro aparecerão nos posteriores, o
que corrobora a ligação entre os livros da saga de Avalon, apesar
de terem sido escritas fora de ordem.
Os
dois volumes não foram tão empolgantes como As Brumas de
Avalon. Fora o tempo que eu
acabei usando para tentar achar alguma ligação com a ilha de
Atlântida. E ainda tive dificuldades em associar nome à personagens
por serem parecidos (Domaris e Deoris e Rajasta e Riveda). Apesar de
serem dois volumes os livros não são extensos e poderiam ser
compilados em único pacote mas é necessária essa divisão pelos
caminhos antagônicos que as irmãs seguiram na narrativa. Pode até
ser bobeira minha mas durante a leitura criei um certo ódio por
Deoris pelas suas irresponsabilidades. Tomei partido de Domaris e
acabei colocando ela como a heroína da história sendo o papel de
vilão pertence à sua irmã caçula.
Com esses dois volumes, li seis obras de Marion Bradley seguidas.
Não
é
minha autora favorita mas eu achei muito interessante essa saga de
Avalon e tenho a intenção de ler o resto dos livros que estão
entre A Queda de Atlântida e
As Bruma de Avalon,
assim como eu tenho vontade de entender toda a saga de Darkover.
Não
recomendo o leitor a começar a ler Marion Zimmer Bradley com esse
livro. Recomendo que leia outros e se acostume com o estilo da autora
para poder iniciar a leitura desta obra. Pois caso contrário poderá
ter-se uma impressão errônea da criadora de Darkover.
Historia
Regum Britanniae de Geoffrey de Monmouth é o
responsável pela popularização da lenda sobre o rei Artur. A
maioria dos fatos narrados em edições posteriores basearam-se nesta
obra. Marion Bradley, que aos dez anos ganhou de seu avô um exemplar
de As Fábulas do rei Artur,
de Sidney Lamier, demorou vinte anos para escrever esta história que
também foi baseada na produção de Monmouth mas com um toque Marion
Z. Bradley.
As
Brumas de Avalon é dividida em
quatro volumes: A Senhora da Magia,
A Grande Rainha, O
Gamo-Rei e O
Prisioneiro da Árvore:
A
Senhora da Magia
Ao
longo dos volumes, Marion dará um destaque para as mulheres do rei
Artur: Igaine, Gwenhwyfar (Guinevere) e Morgana, respectivamente mãe,
mulher e irmã de Artur. Mas neste primeiro momento Igraine será
colocada em destaque junto com o nascimento e a coroação de Artur.
Para
conter a invasão Saxã na Bretanha, Igraine precisa ter um filho de
linhagem real com Uther Pendragon. Esse filho nasce com o nome de
Gwydion.
Porém Gwydion possui uma irmã mais velha chamada Morgana a
qual o trata como sendo o seu próprio filho. A relação entre
Morgana e Duque Gorlois a faz ir a Avalon para ser treinada por
Viviane com o objetivo de tornar-se a nova Senhora do Lago justamente
por possuir o dom da Visão. Após certo tempo separados Morgana
encontra com Gwydion, ambos sob máscaras e em seguida são
submetidos a um ritual característico de Avalon. Deita-se com
Gwydion, mas sem ambos saberem da identidade do outro, para que
gere-se um filho de linhagem pura.
Quando
a verdade vem à tona e Morgana descobre que está esperando um filho
de Artur, rompe com Viviane e passa a morar em outro reino. Este
volume encerra-se quando Gwydion após converter-se ao cristianismo e
adotar o nome de Artur sobre ao trono com a morte de Uther.
A
Grande Rainha
Com
a ajuda de Avalon, Artur ascende ao trono tornando-se o Grande Rei
da Bretanha ao lado de Gwenhwyfar que foi escolhida para ser a
grande rainha. Porém Gwen ao tentar gerar um herdeiro descobre que
não consegue segurar por muito tempo o feto no útero, chegando a
recorrer às “bruxarias” de Morgana. Gwen pensa que isso é uma
espécie de castigo por possuir um amor platônico por Lancelot, um
dos cavaleiros mais fieis ao rei. Por conta disso e por sua fé
incondicional ao catolicismo, ela força Artur a ser o mais católico
dos reis e impõe que toda a corte arturiana comporte-se como tal.
Nesse meio tempo também nutre um ódio, de certa forma doentio, pelo
paganismo e pelo estilo de vida de Morgana.
O
clímax deste volume é a decisiva Batalha do Monte Badon. Após sair
de Avalon, Morgana instala-se na corte de Morgause e posteriormente
aceita o convite de um casamento politico com o consentimento de
Artur. Ainda neste livro vemos a formação da Távola Redonda.
O
Gamo Rei
Alguns
fatos importantes acontecem neste terceiro volume. Viviane é
assassinada pelo filho de uma mulher o qual ela ajudou a matar para
livrar-lhe das dores que sentia. Como consequência disso Taliesin,
em seguida, acaba morrendo de velhice mas um tanto deprimido por
pressentir que Avalon corre grande risco sem uma matriarca ou
patriarca respeitáveis para comandar os pagãos.
Agora
o grande porém da história é a relação entre Gwenhwyfar e
Lancelot. Os boatos da intimidade de ambos chegam aos ouvidos do povo
e da corte na mesma proporção com que o crédito de Artur perante
estes vai decaindo. Para salvar a reputação e o casamento do rei,
Morgana bola uma armadilha para Lance casar com Elaine ir-se da corte
arturiana. Mas antes de Lance mudar-se ele assume que possui um amor
por Artur deixando claro que há tempo vem escondendo a
homossexualidade dentro de si. Há ainda o fato de Morgana ter um
filho com Artur. Mas como a criança parece-se com Lance todos pensam
que ele é o pai.
O
Prisioneiro da Árvore
O
ponto chave desse volume, talvez, é a morte de Elaine. Pois com isso
Lancelot vê uma possível reaproximação com Gwenhwyfar, visto que
ele retorna para a corte arturiana. E, de fato, os dois voltam a ter
a relação que marcou os dois desde o momento em que o próprio
Artur permitiu que os dois dormissem juntos, pensando que a culpa de
Gwen não engravidar era ele. Mas os dois são pegos no ato pelos
cavaleiros da Távola Redonda (dentre eles Mordred, filho de Artur) e
fogem. Em meio a isso tudo o rei Artur nomeia Galahad com seu
sucessor mesmo este sendo filho de Lancelot. Porém Mordred, que
possui a Visão, percebe que Galahad não assumirá o trono pois será
morto antes.
Os
cavaleiros restantes da Távola Redonda decidem ir em busca do Santo
Graal e prometem o procurar por um ano e um dia. A corte vazia
simboliza o envelhecimento do próprio Artur mostrando implicitamente
sua decadência. Kevin foi acusado de traição a Avalon por entregar
símbolos pagãos para o rei interpretá-los sob a doutrina cristã.
Morgana, ainda, tenta tirar a Excalibur de Artur e Mordred enfrenta o
pai num último suspiro de salvar Avalon.
Há
ainda, para os mais curiosos, um filme produzido para a TV baseada no
livro. Justamente por não ter sido desenvolvida para as telonas o
longa possui mais de três horas de duração. Assim como outros
filmes vindos de livro não é 100% fiel ao livro. Aliás, o filme
foge da narrativa de Bradley, chegando, em alguns casos a alterar a
sequências de morte na trama. Mas ainda assim é uma opção de
entretenimento para quem já leu os quatro volumes.
A
demora em escrever As
Brumas de Avalon se
deveu por conta de pesquisas sobre a localização de Somerset e
Camelot, sendo necessário a leitura de escrituras antigas. Porém
todo o esforço foi recompensado. Este livro não é apenas mais uma
versão comum sobre o Rei Artur. Esta é única pois trata-se da
mesma história que virou uma lenda mundial mas contada de uma
maneira diferente: pelas heroínas de Artur. Há um filme produzido
para a TV baseado neste livro. Deixo aqui o vídeo para tirarem suas
conclusões.
Darkover é uma série de livros criado por Marion Z. Bradley. Mas Darkover também é o planeta fictício aonde se passam as histórias contidas nessa sequência. Série esta que está dividida em várias eras. “Dois para Conquistar” se passa no fim da “Era do Caos” e no início da era dos “Cem Reinos”. Mas há um aviso precedendo a história, dizendo que o leitor pode ler como uma narrativa independente, mas se preferir pode-se fazer a tal cronologia.
Para muitos que não leram esses livros na “ordem correta” (como eu), é muito fácil confundir o espaço da história. Eu jurava que se passava na Idade Média, tanto é que a narrativa possui rei, rainha, príncipe, princesa, cavalos e papagaios e um dos reinos se chama “Reino das Astúrias”. Só percebi que não se passava na Terra quando são citados os quatro satélite naturais que circundam o planeta. Mas até chegar a essa passagem foi-se 2/5 do livro.
A história de “Dois para Conquistar” conta a sucessão da corte real do reino das Astúrias, aonde usam-se a ciência, o estupro e a feitiçaria como armas de guerra. No caso especial da feitiçaria, com a ajuda dos “laranzu” (que eram os feiticeiros do sexo masculino), conseguiu-se teletransportar um terráqueo para Darkover.
Nessa parte eu fiquei confuso, pois esse terráqueo diz que vivia, ou sentia-se, preso em uma caixa de estase. O que eu quero ressaltar aqui não o fato de ele ficar preso numa caixa (o que é metafórico), mas o fato específico da palavra “estase” e não “êxtase”. Por muito tempo eu pensei que estivesse errado a escrita e fosse realmente “êxtase”. Só há pouco tempo, quando fui verificar se existia tal palavra, é que tive respostas satisfatórias. Basicamente, estase possui três sentidos diferentes em biologia, medicina e psicanálise. Mas também tal palavra pode ser usado de modo genérico para designar entorpecimento, o que faz mais sentido ao estado do tal terráqueo.
Eu me decepcionei com o final do livro pois não trás muitas explicações e/ou respostas sobre a história. Mas depois caiu a ficha de que esse livro faz parte de uma saga e para obter tais respostas preciso ler toda a cronologia. E então tudo fez sentido. Acho que eu levei a sério aquele aviso de narrativa independente. =P