domingo, 25 de dezembro de 2011

O Guia Dos Curiosos - Língua Portuguesa

Não me lembro ao certo quando eu comecei a interessar-me pelas curiosidades da língua portuguesa. O pouco que eu sabia sobre origens de algumas palavras me fez a querer conhecer um pouco mais do latim. Foi esses os dois principais motivos para eu comprar esse livro.

Esse é o meu segundo volume da série “O Guia Dos Curiosos” de Marcelo Duarte. O outro volume que li é o mais extenso de todos e trata de tudo um pouco, como eu disse aqui há um mês. Eu tive grande expectativa em começar a ler logo esse livro para saber sobre a evolução do português desde o galego, e de outras línguas, tanto latinas, como germânicas, eslavas e etc. 
 
A minha leitura começou bem, com o capítulo sobre parentescos dos idiomas, línguas mortas e artificiais e algumas expressões em latim que usamos até hoje. Outra parte em que eu botei muita fé em ser a melhor do livro era a dos ditados populares. Não vingou. Muito porque pouco deles fazem referências àquilo que significam. Ou seja, eles foram modificados ao longo do tempo, trocando de palavras, letras, engolindo alguns caracteres, possuíam um outro significado e por aí vai.

Por eu já ter lido o “livro-chefe”, alguns verbetes apareceram novamente. Não reparei se tinham alguma modificação ou se tinham complementos. Parece-me que não. Este volume contém mais textos do que o primeiro livro. Então a minha leitura foi menos rápida. Dentro disso tudo, ainda tiveram alguns erros estranhos em dois tópicos. Umas delas está no verbete da síndrome de Down e a segunda encontra-se na parte relacionada ao Pico da Neblina. Ainda parei para pensar se eu poderia ter cometido um erro de interpretação ou se esses equívocos são toleráveis. Depois disso eu fiquei com um pé atrás sobre tudo o que lia porém cheguei a conclusão de que não devo ser tão desconfiado assim. Esses delizes não interferem no resto da série.

Eu me empolguei bastante com a série “O Guia Dos Curiosos”. Quis comprar os oito volumes que o compõe mas resolvi pisar no freio e voltar a ler romances que estão na fila. Postarei ainda um texto sobre o volume “Invenções”. Apesar de não ter sido aquilo tudo que eu imaginei continua sendo uma ótima opção de leitura.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curiosos – Língua Portuguesa

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 440

Editora: Panda Books

Edição: 2ª

Ano: 2010





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domingo, 4 de dezembro de 2011

Os Tolos Morrem Antes

Mario Puzo é lembrado pela sua obra-prima “O Poderoso Chefão”, que fez sucesso tanto nas livrarias como nas telonas, Vencedor de 3 Óscares e 5 Globos de Ouro além de ser escolhido pelo Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos para a preservação da película. Porém, o romance eleito o seu favorito foi este.

“Os Tolos Morrem Antes” conta a história de John Merlyn, órfão que tornou-se um escritor de sucesso, tendo o seu livro adaptado para o cinema sem êxito. Antes de transformar-se em um literato, Merlyn tenta seguir os passos de seu irmão mais velho, Artie, no qual considera a pessoa mais correta do mundo. Porém, acaba se envolvendo com subornos, encrencas judiciais e até arruma uma amante (coisa que recusou-se a fazer nas suas estadas em Las Vegas, apesar da pequenas que lá existiam) durante as adaptações cinematográficas de seu romance. 
 
No começo do livro, há um enfoque especial em Jordan, jogador que acaba ganhando US$ 400 mil nas mesas de apostas e acaba suicidando-se horas depois no seu quarto. Com isso, tive a impressão de ser ele o protagonista da história, até porque Cully Contagem e Merlyn ainda relembram os feitos do falecido. Contudo, só no terceiro livro é que me dou conta que John Merlyn é o real herói da trama. 
 
O livro teve suas variações durante a cronologia. Quando a história fixava-se em Las Vegas ou ficava nas questões de jogo ou de amizade entre Cully e Merlyn a trama era muito empolgante, pelo simples motivo de envolver jogos de azar, de cartas e todo esse mundo dos cassinos. A história perde fôlego quando Merlyn vai para Hollywood e envolve-se com Janelle, uma atriz secundária. Entre as idas e vindas dos estúdios de filmagem, ela conta algumas histórias à ele, fugindo da linha de raciocínio da obra. Em meio a esse tédio todo, Cully aparecia para dar mais dinâmica à história, sendo pedindo ajuda ao protagonista ou mesmo um favorzinho simples. 
 
Um fato curioso é que esse livro teve muitas mortes de personagens não -relacionados, ou seja, eles morriam em consequências diferentes e com um espaço de tempo razoável. Entre eles estão Artie, o seu irmão mais velho, que morre de infarto (se não me engano), Osano, um escritor mulherengo, que almeja o prêmio Nobel e, o mais notório deles, Jordan, o sortudo jogador que suicida-se. Esse ponto difere das mortes em combates, de explosões ou acidentes automobilísticos e de avião. Junto com todas essas mortes, eu pensava que Merlyn teria o mesmo fim ou iria pagar por tudo o que ele fez de um forma bem cruel. Mas ele sobreviveu a tudo por um simples motivo: ele é Merlyn, o Mágico.

Pode parecer estranho mas eu associei Merlyn ao autor, pensando que esta obra trataria-se de uma auto-biografia, sendo que Puzo também é um jogador declarado. E esse raciocínio ganha muito mais impulso por essa frase: “Tenho duas razões para continuar a escrever as histórias que tenho para contar: primeiro, porque me divirto; e segundo, porque cheguei à conclusão de que ler é muito melhor que comer, beber, jogar e ter mulher. Enfim, tudo o que já conheci na vida”. Mas ainda assim são argumentos fracos, tanto que abandonei essa ideia.

Por mostrar a vida de Las Vegas, o lado bom e o lado ruim dos jogos de azar e por ter um final realista, este livro figura entre os meus favoritos. Tiro, também, o meu chapéu para esse incrível escritor que consegue fazer obras magníficas e merece ter seu nome vinculado entre os grandes da literatura universal. 

FICHA TÉCNICA: 

Nome: Os Tolos Morrem Antes

Autor: Mario Puzo

Páginas: 572

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1978




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domingo, 20 de novembro de 2011

O Guia dos Curiosos

Normalmente o curioso é conhecido por dizer “por que?” mais vezes que a própria respiração permite. Quando você vai crescendo outras palavras vão sendo adicionadas para fazer a mesma indagação. Mas Marcelo Duarte não deixa por menos e responde à todos os pronomes interrogativos existentes na língua portuguesa. 

“O Guia dos Curiosos” fala sobre... o título diz tudo. O que é normal qualquer leitor pensar à primeira vista é de tratar-se de um livro com dados históricos e científicos. Mas não só isso. Esta obra possui 20 capítulos abrangendo diversas áreas, desde astrofísica até invenções e esportes. As melhores partes do livro são algumas coincidências bizarras e engraçadas, assuntos ligados ao dia a dia, os capítulos sobre poder, medidas e o Universo. E logo no começo há alguns números das vendas da primeira edição de “O guia dos Curiosos” lançado em 1995, o que me entusiasmou bastante pois era isso mesmo que esperava encontrar nesta obra. Aliás, esta edição que li é a nona e com um bônus de 160 páginas.

Mas nem tudo é céu de brigadeiro. Há alguns capítulos que não empolgaram tanto. Como comidas, arte e música, datas e festas, cinema e televisão e, principalmente, celebridades. A única seção que poderia ter ficado de fora é o que mostra com quantos anos algumas celebridades usaram pela primeira vez um sutiã.(??!)

A série “O Guia dos Curiosos” possui outros volumes com assuntos mais específicos, como língua portuguesa, invenções, esportes, super-heróis, Brasil, O Guia das Curiosas, cards, sexo e jogos olímpicos. A medida que for lendo esses, eu os publicarei aqui. 

O livro é excelente para quem é curioso como eu. Tanto é que a minha média de leitura diária passava das 100 páginas. E lia com muito entusiasmo e cautela para absorver todo o conteúdo possível. Esta obra não possui apenas números de obras faraônicas ou façanhas humanas assim como o Guinness Book. Mas há um pouco mais que faz o leitor não querer fechar o livro em nenhuma circunstância.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curioso

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 704

Editora: Panda Books

Edição: 9ª

Ano: 1995




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domingo, 13 de novembro de 2011

O Dossiê ODESSA

Os horrores da II Guerra Mundial ainda não foram totalmente digeridas e lidamos com consequências desses tempos. Imagina então o que isso significava há 45 anos atrás numa Alemanha dividida pela “cortina de ferro”. Potencializado pelo fato de ter como tempo cronológico a década de 60 que é a mais tensa de toda a Guerra Fria.

A morte de John Kennedy faz Miller (o protagonista) parar numa estrada para refletir sobre o assunto. Logo na sequência vê uma ambulância passar por ele. O instinto de jornalista é ativado e então começa a seguir a sirene. Isso resulta no corpo de Salomon Tauber, um judeu sobrevivente de um campo de concentração nos Bálcãs. Junto dele encontra-se um diário com relatos minuciosos de tudo o que acontecera lá. Quando Miller põe as mãos nesses papeis decide ir atrás de Eduard Roshmann, o açougueiro de Riga.

A história possui um suspense que foge do normal. Credito isso à nossa aversão aos nazistas e por tudo o que ele fizeram e como fizeram, e pela sensação de justiça (pelo menos no campo da ficção), sabendo nem todos os líderes desses campos foram julgados. Mas não só por isso. Há vários elementos dentro da narrativa que prendem o leitor e impede que nos deixem fechar o livro para dormir. 
 
Há mais um ponto: a ODESSA realmente existiu (ou existe) e tinha (ou tem) como principal função a ajuda mútua, seja no campo jurídico, no caso de algum ex-membro da SS for à julgamento, seja no campo sócio-econômico, inserindo-os no comércio ou na indústria, pegando embalo na ascensão da economia pós-guerra, seja no político, na tentativa de transferir a culpa do holocausto aos soldados extremamente patrióticos, ou para pedir asilo em caso de perseguição. E o destino mais comum era Argentina. 
 
Porém o fato que mais chamou a atenção foi de saber se Miller conseguiria capturar Roshmann sabendo que na vida real este último morreu no Paraguai. Não costumo passar por isso mas aconteceu de eu torcer para o mocinho dessa vez. Não que eu prefiro ver o vilão sair ileso. Eu gosto é de finais surpreendentes. Mas nesse caso eu preferi o arroz-e-feijão. E por último: esta obra foi adaptada às telonas que seguiu o mesmo sucesso que o livro teve.

“O Dossiê ODESSA” é uma história que prendeu muito a minha atenção e por isso merece ter um lugar cativo na memória. E cada vez mais gosto dos trabalhos do inglês Frederick Forsyth do qual “Sem Perdão” está entre os meus livros favoritos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Dossiê ODESSA

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 316

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1972




 
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domingo, 6 de novembro de 2011

Enciclonérdia

O nerd ou geek, dependendo das circunstâncias, começou a ser bem visto com a popularização dos PCs e pela crescente demanda de profissionais no setor. Mas, de um modo geral, nerd não é só aqueles indivíduos que ficam na frente do computador o dia todo resolvendo problemas de rede e de boots. Esse termo pode ser usado em N ocasiões, designando uma pessoa que possui um conhecido profundo sobre um assunto.

“Enciclonérdia” é uma pequena introdução ao universo dos nerds. Não trás verbetes apenas de física quântica e informática. Possui também notas sobre os seus passatempos (HQs, jogos, filmes, seriados e etc). Até é mais provável que tenha mais tópicos sobre esse assunto que sobre conteúdos científicos. Uma das explicações é que muitas vezes a ficção antecipa, algumas vezes de forma exagerada, o futuro, tornando-se então a base para o desenvolvimento tecnológico, juntamente com as necessidades de uma sociedade cada vez mais globalizada.

Durante a minha leitura fiquei espantado com alguns dados. Um deles refere-se sobre os filmes “Shrek” e a trilogia “O Senhor dos Anéis” terem sido baseados em livros. No caso deste último, os três livros não têm o mesmo nome da dos longas-metragens. J.R.R. Tolkien publicou-os na década de 50. Já o ogro mais famoso do mundo nasceu de um livro ilustrado em 1990.

Outro fato que eu nem desconfiava é sobre Star Trek e Star Wars. Os dois disputam o título de a séria favorita dos nerd. Além desses seriados, aparecem tópicos sobre filmes e histórias em quadrinhos norte-americanos, nos quais eu nunca fui um bom entendedor. Agora está mais claro como os heróis de HQs nasceram e conquistaram o mundo. 
 
Na parte científica encontramos biografias resumidas dos nomes mais importantes da história. Desde Newton até Stephen Hawking. Há também algumas explicações sobre alguns assuntos que ainda são desconhecidos do grande público. Destaque para o sempre polêmico paradoxo tempo-espaço e o “Gato de Schödinger”

Antes mesmo de iniciar a leitura pode-se ver uma nota dizendo que “Enciclonérdia” não é uma obra completa sobre o assunto. Trata-se apenas de uma introdução à cultura nerd sendo que este universo engloba muita mais coisas do que foi publicado neste livro. Não tinha intenção de comprá-lo pois não sabia de sua existência. Agora tenho uma visão mais ampla de todo esse universo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Enciclonérdia

Autor: Luís Flávio Fernandes, Rosana Rios

Páginas: 248

Editora: Panda Books

Edição: 1ª

Ano: 2011




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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Arquipélago Gulag

O Arquipélago Gulag não é um conjunto de ilhas como é bem comum ser confundido. Alexandr Soljenítsin usa a expressão como metáfora para designar os vários campos de trabalho forçado que existia na Sibéria na época stalinista. Aliás era mais fácil você ir para esses tais presídios do que ficar em liberdade.

“Arquipélago Gulag” é um relato do dia a dia de 66 milhões de pessoas que tiveram a infelicidade de passar períodos de suas vidas nesse inferno sem realmente cometer um crime. As autoridades possuíam N argumentos para prender qualquer cidadão em qualquer local. Ia-se preso por xingamentos alheios, por discussões em público, por brigar no trânsito, contato com pessoas sob investigação, trabalhos em locais chave e etc. Enfim, tudo o que poderia por em risco a URSS, por mais banal que seja o ocorrido.

A minha primeira ideia que veio logo nas primeiras páginas era de tratar-se de um livro de memórias. Mas não é bem assim. Há alguns fatos que ocorreram com Alexandr. A maioria delas fala de terceiros, pessoas que Soljenítsin conviveu. As experiências de vida do autor aparecem pouco durante a narrativa. Outro fator que desestimula a leitura são as circunstâncias que precisam ser expostas para que o resto do livro faça sentido. 
 
Antes de ler essa obra descobri que todo o relato do “arquipélago” possui 1800 páginas. Porém o livro que eu tenho não passa das 610. Então, corri atrás das partes que faltavam. O porém é que não há nenhuma continuação com o nome de “Arquipélago Gulag”. Essa continuação deve estar sob o disfarce de um outro nome.

Eu criei uma expectativa enorme logo que soube que a obra tinha como cenário a imensidão da Sibéria. Porém as exposições e os esclarecimentos que Soljenítsin teve que fazer deixaram a narrativa chata. Mesmo assim quero terminar de ler todo o relato desse russo que fala por 66 milhões de pessoas que adentraram os portões do Arquipélago.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Arquipélago Gulag

Autor: Alexandre Soljenítsin

Páginas: 608

Editora: Livraria Bertrand/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973




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domingo, 23 de outubro de 2011

Xaveira

Olhando a figura e a predominância da cor rosa na capa fica fácil deduzir o que esperar quando você abrir esse livro. Logo vi que seria uma tarefa árdua terminar de ler essa novela erótica com 408 páginas, levando em conta as minha experiências com outras obras desse gênero: “A História de O” e “Irmã Monika”. Mas essa história teve algo que conseguiu prender-me a atenção (e não foram os relatos das orgias de Xaveira).

“Xaviera!” é basicamente lembranças de Xaviera Hollander durante a sua estada nos EUA. A maior parte dos fatos expostos aconteceram quando ela possuía um bordel de luxo em Nova York. A história em si não tem uma sequência cronológica (os editores deixam isso bem claro no começo do livro), sendo que alguns relatos que possam estar tanto no início como no fim do livro ocorreram simultaneamente. 
 
Além disso tudo, Xaviera narra em primeira pessoa dando a impressão de ser uma conversa entre amigos. Mais pro final, ela conta-nos alguns detalhes da concepção e divulgação do seu mais famoso livro “A Aliciadora Feliz”. O grande trunfo de “Xaviera!” é a exposição de como é a vida de uma madame numa cidade como Nova York. Ficamos reféns daquilo que vemos na TV e são poucas as pessoas que realmente sabem o que acontece dentro deste círculo das que são donas(os) de bordéis.

A última vez que um livro me prendeu a atenção assim foi com o clássico de Júlio Verne “Vinte Mil Léguas Submarinas” há uns 3 ou 4 meses. E ironicamente foi com uma novela erótica, no qual não tenho boas recordações. Mas “Xaviera!” possui um diferencial. Ela não só contém relatos de sexo. Além disso aparecer em grande quantidade, é claro, essa novela mostra o dia a dia de uma ex-prostituta no qual ainda gera uma certa repugnância e um desinteresse em saber o que há por trás das meretrizes.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Xaviera!

Autor: Xaviera Hollander

Páginas: 408

Editora: Record/Círculo Do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973





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domingo, 9 de outubro de 2011

O Beijo da Mulher-Aranha

Eu tenho uma vaga lembrança de um filme homônimo antigo no qual foi a única vez em que o Brasil co-produziu um filme vencedor de uma categoria no Oscar, apesar de o ator ganhador ser norte-americano. Ao pesquisar e não descobrir muita coisa acabei ficando cético em relação a isso. Mas no fim é tudo verdade. 
 
“O Beijo da Mulher-Aranha” conta a história de dois presos, um homossexual e um esquerdista. Durante a convivência deles na cela Molina (o homossexual) conta alguns filmes que ele viu para Valentím no objetivo de manter a mente sã. Um desses longa-metragens chama-se “Her Real Glory” que teria sido produzida pela Alemanha Nazista para propaganda. Molina é, também, usado pelo diretor da presídio para descobrir algumas informações extras do esquerdista. 
 
A primeira coisa que você nota na história é que não há narrador. Ou seja, você deduz a cronologia apenas com o diálogo entre os presos. No encontro de Molina com o diretor do presídio as falas são indicadas assim como em scripts. Ao invés delas serem indicadas por travessão há os nomes dos envolvidos. E outro fato meio confuso refere-se à alguns trechos do livro em que há caracteres em itálico que podem durar linhas ou páginas. Não sei direito de onde vêm. Mas eles estão inseridos no meio dos diálogos entre os protagonistas. Não tenho como afirmar que são trechos dos tais filmes de Molina. 
 
Se eu for verificar na minha memória irei encontrar semelhanças com outras obras. Se parece muito com “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos, por ter uma cela de presídio como o espaço da história. Lembra também “O Cônsul Honorário” por se passar na América do Sul, não sei precisamente se na Argentina ou no Brasil. Há também algumas notas de rodapé com algumas supostas explicações para o homossexualismo, a maioria delas vem da filosofia freudiana. Ainda nos rodapés há também algumas passagens misteriosas do mesmo gênero daquelas que aparecem em itálico. Esses possuem um indício muito maior de referirem-se aos filmes narrados por Molina.

Talvez o auge (ou o momento de grande espanto) do livro seja a parte aonde Molina penetra na intimidade de Valentím e consegue o quer: uma relação sexual com o seu companheiro de cela. Não só uma vez, me lembro de outra cópula entre os dois. Isso é até surpreendente pois em toda a narrativa este repreende Molina por seus gestos explicitamente afeminados.

Esta obra do argentino Manuel Puig conseguiu manter a minha atenção quando Molina contava os filmes para Valentím. Quando a história fugia disso, ou seja, quando havia apenas uma conversa sobre a vida de ambos ou os sentimentos e sensações deles dentro da prisão, o livro tornou-se monótono. O filme é altamente recomendável pois foi muito bem produzido e isso refletiu em festivais de cinema importantes como Cannes, no Globo de Ouro e no Oscar.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Beijo Da Mulher Aranha

Autor: Manuel Puig

Páginas: 234

Editora: Codecri/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1981




 
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domingo, 2 de outubro de 2011

Mais Um Domingo

Na Idade Antiga os povos bárbaros de origem saxônica usavam o domingo para o culto do Deus Sol. Por isso, nessas regiões esse dia é conhecido como o Dia do Sol. Desde o Concílio de Niceia, em 325, o domingo sobrepôs-se ao sábado como o dia de descanso e para incorporar povos pagãos ao Cristianismo. Desde então as missas começaram a serem celebradas nessa data. É exatamente nesse dia que John MacDonald usa para iniciar a sua trama envolvendo religião e poder.

“Mais Um Domingo” conta como uma grande Instituição Religiosa usa a fé para obter o poder e a manipulação de seus fiéis. Essa trama conta a história do sumiço de Lindy logo depois de descobrir alguns segredos da Igreja Eterna do Crente. Dentro do complexo religioso havia uma sessão que cuidava só dos dízimos(!) ao qual o autor dá uma atenção especial. 
 
Eu me perdi quando a história saía do foco pela busca por Lindy. Até porque não há nada de interessante e novo em dizer que uma enorme instituição manipule o que for preciso para manter e conseguir mais poder. Alguns dos personagens possuem um ar misterioso o que dá mais emoção na leitura. Mas a minha motivação não era saber quem a tinha matado. Queria saber quais foram esses segredos que ela, supostamente, havia descoberto e se haveria alguma punição no final da trama.

Outro ponto interessante diz respeito aos dogmas. Apesar dos pastores aparecerem na TV e no rádio como pessoas que pregam e difundem a palavra divina, é curioso notar como esses tais dogmas não servem para esses indivíduos domados pela ganância. 
 
Apesar de se passar em uma igreja protestante isso não só acontece nesse ambiente. Há casos tanto no cristianismo e no catolicismo quanto em outros seguimentos capitalistas que podem, ou não, usar a fé, o pânico, a chantagem e o medo em prol de dinheiro e poder. O mundo deixou de ser dos mais aptos como dizia Darwin. Agora o mundo são dos abastados. 
 
FICHA TÉCNICA:

Nome: Mais Um Domingo

Autor: John D. MacDonald

Páginas: 374

Editora: Imago/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984




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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Arte da Guerra

Um clássico da literatura universal. Leitura obrigatória para qualquer general e/ou todos os envolvidos em uma guerra. Escrito há 2500 anos e continua sendo contemporâneo: “A Arte da Guerra”.

Houve uma época da China antiga denominada Estados Belicosos. Existiam vários pequenos impérios e eles guerreavam entre si para obter o poder absoluto. Sun Tsu era o general de um desses Estados. Um outro reino vizinho porém superior tanto em território quanto em contingente militar decide invadir e tomar a sua região. Contrariando todas as expectativas Sun Tsu vence com 10 vezes menos homens do que seu inimigo. Todas as estratégias usadas por ele durante esses combates estão em “A Arte da Guerra” na forma de 13 capítulos englobando todos os aspectos das batalhas.

Ao contrário do que eu pensava esta obra foi escrita de forma muito sucinta e direta sem direito a ponderação do autor. Ou seja, o livro não possui estrofes com análises mas frases curtas que resumem toda a ideia do capítulo. Bem ao estilo chinês. Outro aspecto é até curioso. Sun Tsu entra em contradição quando diz nos primeiros capítulos para não expor os combatentes. Porém no final o mesmo fala em colocá-los em perigo para que lutem bravamente. Há várias teorias e explicações para tentar esclarecer o porquê disso tudo.

A versão que eu comprei é uma tradução direta do chinês para o português. O que torna a transcrição mais fiel em comparação aos que tínhamos antes, que eram adaptações de outras línguas que não o chinês. Então o título correto, segundo o autor, é “A Lei da Guerra”. A palavra ARTE no qual nos acostumamos vinha de versões em inglês. Mas o livro ficou famoso com essa palavra.

Apesar de criar uma grande expectativa para a minha leitura deste livro acabei me decepcionando um pouco quando vi que o livro era muito direto e não uma obra mais elaborada. “A Arte da Guerra” despertou uma curiosidade em mim de procurar algo relacionado ao passado remoto da China. Não só dela como da Ásia em geral. Estudamos toda a evolução do homem europeu e não temos noção de como os ancestrais asiáticos viveram ao longos dos anos. Recomendo a leitura desta obra em conjunto com um documentário ou alguma ilustração para que os leigos em estratégias militares (como eu) absorvam o conteúdo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: A Arte Da Guerra

Autor: Sun Tzu

Páginas: 157

Editora: Jardim Dos Livros

Edição: ?

Ano: 2010




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domingo, 18 de setembro de 2011

O Código da Inteligência e a Excelência Emocional

Olhando para o título desta obra imaginei em um livro que me auxiliasse a ampliar a minha capacidade intelectual mais rapidamente, ajudasse-me a melhorar minha concentração e desenvolver meu lado criativo. Não é bem isso o que acabei encontrando. Porém é uma forma de obter isso tudo, só que pelo lado emocional. 
 
Nesta obra o Dr. Augusto Cury nos expõe alguns dos quarenta códigos da inteligência existentes, segundo ele. Mas nesta versão revisada e ampliada há os nove mais importantes para uma boa saúde mental. Para um melhor aproveitamento do conteúdo é necessário uma parcela de vontade por parte do leitor. É aquele velho chavão da psicologia: você precisa querer ser ajudado. 
 
À primeira vista os códigos expostos podem parecer fáceis de decifrar porém não são. Tudo na teoria é mais simples do que na prática. Eu tive algumas dificuldades em entender o que dr. Cury quis passar. Em cada capítulo referente a esses códigos ele nos conta uma pequena história, nos passa as características de quem não a decifra e as possíveis vantagens de uma pessoa que o desvendou. Só na última página ele nos ensina alguns exercícios para treinamento. Talvez para uma pessoa que não tenha uma vida muito extensa não seja possível decifrar todos esses códigos e os outros que não foram selecionados para esta obra. Alguns deles só farão sentido quando enfrentarmos algumas dificuldades em nossa vida. Então este também será um livro para consulta quando necessário.

A minha leitura não foi muito dinâmica desta vez e nem pude acelerar pois fiquei com receito de perder algum conteúdo exposto. E entre um código e outro eu fiz pausas para reflexões com o objetivo de absorver o máximo possível e tentar exercitar-me um pouco, mesmo sabendo que não iria decifrá-los todos agora. Pensei também que esta obra tratava-se de um livro de auto-ajuda porém o autor explica que não é bem assim e esclarece que refere-se a um livro de ciência aplicada. O que faz sentido. 
 
Apesar da maioria das pessoas pensarem (como eu pensei) que este livro seria uma espécie de trampolim para a superinteligência, serviu-me para um amadurecimento psicológico. E esse processo todo servirá de catapulta para o que tenho em mente.


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Código da Inteligência e a Excelência 
Emocional

Autor: Augusto Cury

Páginas: 256

Editora: Thomas Nelson Brasil

Edição: 2ª

Ano: 2010




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domingo, 11 de setembro de 2011

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola

É um tanto estranho que alguém com 78 assinaturas no livro negro, 12 suspensões e 1 expulsão possa ter alguma credibilidade para escrever um livro com o tema escola. Porém estamos falando de Danilo Gentili e o título que colocou em sua obra é “Como Se Tornar O Pior Aluno Da Escola”. Tá explicado. 
 
Para quem conhece o estilo de stand-up dele sabe que costuma ser ácido. E não tinha porquê ser diferente na concepção deste “guia”.
Com o objetivo de alegrar a ida para a escola e infernizar a vida do diretor, com direito a, até, um diploma no final, este manual de 'bons modos” nos ensina a como... bem, o título já diz tudo. Há lições de como colar nas provas, assustar professores, matar aula, fazer trabalhos escolares no último dia, botar apelidos em colegas de classe e uma infinidade de outras utilidades.

Mas o mais curioso são as páginas negras (literalmente) no fim do almanaque. Intitulado como “O Grande Livro dos Pequenos Planos”, lá estão as armadilhas para botarmos em prática. São cerca de 30 páginas com o melhor que a mente de Danilo Gentili produziu. Além de muito funcionais são extremamente engraçadas. A melhor parte do livro, com certeza. 
 
Gentili disse algumas verdades sobre a escola e em ser o melhor aluno da classe. Assim como nos palcos essas verdades são exageradas porém possuem nexo e são muito bem montadas. E para aqueles que defendem o moral o e os bons costumes é melhor passar longe disso tudo. Esse livro não foi feito para você. 
 
“Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola” é a obra que fecha a trilogia da comédia, precedido por “Piadas Nerds” e “Notas de um Comediante: Stand-Up”. Sendo que o primeiro e este último são mais para descontração e risadas. O livro de Léo Lins é mais técnico do o par anterior. Certamente se eu estivesse ainda no Ensino Médio tentaria botar alguns planos em prática. Já cogitei em usá-los no ambiente de trabalho porém descartei-as por falta das ferramentas necessárias.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Como Se Tornar O Pior Aluno Da Escola

Autor: Danilo Gentili

Páginas:

Editora: Panda Books

Edição: 2ª

Ano: 2010




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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Che Guevara - A Vida em Vermelho

Che Guevara é praticamente um semi-Deus para quem tem tendências de esquerda. Enfrentou a CIA em um território desfavorável e ainda assim participou e ajudou a implantar o socialismo em Cuba. Tentou exportar a revolução para a África, para sua terra natal (Argentina) e para a Bolívia aonde foi capturado e morto. Isso tudo está nesta biografia construída pelo mexicano Jorge Castañheda.

Apesar do título dar uma impressão de focar-se mais na luta comunista de Guevara, o livro nos conta toda a sua trajetória desde a sua formação de caráter até o detalhes do seu fracasso nas selvas bolivianas. O que é ótimo pois devemos saber como Che pensava para entendermos as suas ações. 
 
Justamente por detalhar a sua infância, o livro é um tanto chato e muito parado. Mas com aproximação de sua famosa viagem pela Amélica Latina e a Revolução Cubana acaba criando uma expectativa para mais detalhes sobre tais episódios. Esse foi o ápice da minha leitura. Quando, enfim, chegamos à 1959 todo esse êxtase desvaneceu-se pois não há tanta ação e descrição das batalhas quanto eu havia imaginado. Mas o pior não é isso. Na vida pós-revolução descobri um Che burocrático, trabalhando nos trâmites do socialismo cubano. Durante esse período ele faz viagens à Moscou e a China e acaba tomando umas decisões confusas sobre o cultivo da cana-de-açúcar.

Eu sabia aonde e o motivo de sua morte porém desconhecia as circunstâncias. Não tinha noção se Che morrera em batalha ou se foi executado. Agora está mais claro. De quebra, neste livro há uma foto do cadáver de Ernesto o que me surpreendeu bastante. 
 
O livro contém muitas notas de rodapé o que diminui a velocidade da leitura. Alguns chegam a ocupar mais de 3/5 da página. E há muitas referências bibliográficas no final da obra. Quando comecei a ler este livro quis definir se o autor era pró ou contra o Che. Finda a leitura não cheguei a uma conclusão. 

O que esta biografia tem a mais do que um resumo da vida de Che, que pode-se encontrar na internet, é o fato de detalhar ao máximo o seu desenvolvimento da personalidade comunista. Muitos de nós sabemos o que ele foi e o que ele fez mas poucos entendem o porquê disso tudo. Ainda demorará décadas e décadas para que possamos entender Ernesto Guevara por completo.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Che Guevara: A Vida Em Vermelho

Autor: Jorge Castañeda

Páginas: 522

Editora: Companhia das Letras

Edição: 2ª

Ano: 2001




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!