domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Tambor

Nós conhecemos a Polônia como a nação que Hitler invadiu no dia 1º de setembro de 1939. Mas essa região ao leste da Alemanha já sofreu várias modificações em seu território sendo que já ficou 123 anos sem existir. É nesse cenário (especificamente na cidade de Gdańsk) ao qual desenvolve-se a história de Oskar e seus ascendentes cassúbios. 

“O Tambor” é uma narrativa em primeira pessoa, sendo Oskar o narrador-personagem da trama. Ele resolve escrever suas memórias quando encontra-se internado em um hospício. Porém a história não começa em seu nascimento e sim algumas décadas antes quando sua avó Anna engravida ainda no século XIX. O protagonista nasce apenas em 1924 quando a família já mudou-se para a cidade portuária de Gdańsk. 
 
Aos três anos dois eventos marcam Oskar por toda a sua vida: no dia de seu terceiro aniversário ele ganha um tambor vermelho e branco de sua mãe, Agnes; ao desconfiar piamente que sua progenitora tem um caso extraconjugal com Jan Bronski, Oskar atira-se da escada da adega, tendo como consequência o estacionamento de seu crescimento, mantendo-se com 94 centímetros de altura por vários anos. Mas não é só isso. Tocando o seu tambor durante todos os anos posteriores ele acaba sendo reconhecido pelo seu talento e também pela disformidade de seu corpo, tanto pelo seu tamanho, quanto pela sua caixa craniana incompatível com o seu corpo e pela sua corcova. 
 
Logo no começo da história Oskar cita-nos alguns vilarejos, cidadelas e riachos que fazem parte do espaço da história. Ele fala com certa naturalidade como se esses locais fosse conhecidos por todos os seus leitores. Outro fato bastante curioso fala a respeito de o narrador nunca referir-se a ele como personagem, ou seja, em primeira pessoa, dando a impressão, às vezes, que o narrador de toda a trama é o tambor, comprovando o motivo do título. Para alguns leitores mais atentos é possível confundir a vida de Oskar com a do próprio Grass, sendo que ambos possuem ascendência cassúbia, viveram em Gdańsk, e são filhos de comerciantes. 
 
Demorei para terminar a minha leitura pois este livro mostrou-se ser maçante, possui uma linguagem ligeiramente rebuscada, não há diálogos, os poucos que existem são rápido e confusos. Por trás disso tudo, Günter Grass faz uma severa crítica à burguesia, ainda que pouca, existente. Crítica essa que continua nos dois livros seguintes dessa trilogia: “Katz und Maus” e “Hundejahre”. “O Tambor” também foi adaptado às telonas em 1979 sendo premiado tanto em Cannes quanto no Oscar como Melhor Filme Estrangeiro.

Por retratar um pouco da vida dos polacos e cassúbios da década de 30 pensei que seria um livro bom com uma história que me prendesse. Mas por conter uma linguagem rebuscada, algumas metáforas e ironias não consegui manter um bom ritmo de leitura. Dispersei-me muito e demorei um mês para finalizar a leitura. Queria terminar a trilogia mas a minha experiência com esse livro não foi uma das melhores e não passou-me a vontade necessária para continuar. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Autor

Autor: Günter Grass

Páginas: 530

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro

Edição: Integral

 Ano: 1959





DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!