domingo, 26 de dezembro de 2010

Monsignore

Olhando o lay-out da capa você percebe do que fala este livro e a quem é dirigida a crítica. Porém J.-A. Léger diz na introdução que apesar de os fatos relatados serem autênticos não deixa de ser um romance. Durante toda a minha leitura eu não tratei como tal.

“Monsignore” expõe (fictícias ou não, como disse) as sujeiras da Igreja Católica, relatando as manobras dos clérigos para benefício de poucos. O que mais me impressionou é que houve citações de algumas artimanhas de papas já falecidos, porém não são tão confiáveis a ponto de serem levados em consideração por qualquer leitor. 
 
A história é em flashback, fazendo, assim, perder-me durante o enredo. Parecia que cada capítulo era uma história independente. Isso é normal até, para apresentação dos personagens, tempo e espaço. Mas logo percebi que a minha confusão era baseada na distância entre os capítulos. Mesmo assim fiquei perdidão. 
 
Ando reparando em um detalhe: há algum preconceito de americanos e britânicos para com os irlandeses? Já não é a primeira vez que vejo isso. Andei fazendo umas pesquisas rápidas pelos confins da net e achei pouca coisa. Mais precisamente um relato curto falando que essa discriminação é causada pelo atraso do desenvolvimento da qualidade de vida irlandesa. Outra questão que veio à tona neste livro foi a de eu preferir diálogos longos ao invés de períodos grande de narração pois este descreve o estático, o fixo, o parado. Enquanto aquele transmite dinâmica, velocidade e o rápido. 
 
No final das contas foi uma história chata por diversos motivos, mas o principal deles foi a “falta de sinalização” do flashback. Eu lia pensando que era continuação do capítulo anterior enquanto era na verdade um retorno para justificar o agora. Além de falar que a história não é tão interessante quanto parece.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Monsignore

Autor: Jack-Alain Léger

Páginas: 355

Editora: Difel/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1976





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domingo, 19 de dezembro de 2010

Proteu

Estamos (infelizmente) acostumados com todos os tipos de crimes como sequestros, atentados, assassinatos, jogos de poder e influência... enfim. Mas o que nem todos sabemos é se esses acontecimentos são pré-determinados para privilegiar fulano ou em benefício de uma elite em especial. Não posso provar nada... mas não podemos ter a ingenuidade de acreditar que essas coisas não acontecem.

Devo primeiramente explicar o por quê de o livro ter esse nome: Proteu é o pastor dos rebanhos de Poseidon. Tem o poder da premonição, sendo sondado por muitos. Para fugir ele se esconde nas profundezas oceânicas ou transformava-se em criaturas ferozes. Apenas conta toda a verdade aos corajosos. É justamente esse poder de “saber” (pré-determinar) o futuro e de metamorfose que são as semelhanças com John Spada que possui dois lados contraditórios e não associáveis: o lado empresário que, de certa forma, ajuda o sistema; e o lado humano que combate esse sistema. 
 
A história possui certa semelhança com “Casa Nobre” por mostrar como grandes corporações agem por interesses próprios. A narrativa dá enfoque às ditaduras sul-americanas, com destaque especial à da Argentina. Mostra como essas tiranias abusavam dos civis e como repreendiam ferozmente qualquer poeira socialista. Aponta também como um homem de influência e rico reage a esses abusos. Um ponto positivo do livro foi o suspense para o resgate do genro de Spada. Valorizo demais isso pois não me deixa dar uma pausa se quer na leitura. 
 
A frase que resume bem toda a trama é: "SE AJO TORNO-ME UM DELES. SE NÃO AJO TORNO-ME SEU ESCRAVO." Até onde podemos insurgir; essa reação possui alguma moral?; devemos agir ou simplesmente aceitar os fatos como naturais?; ou devemos nos mexer e acabar perdendo nossa identidade e transformar-nos em um deles?

FICHA TÉCNICA:

Título: Proteu

Autor: Morris West

Páginas: 336

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1979




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domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma Semana para a Defesa

Se você for dar uma pesquisada sobre este livro, não irá encontrar muita coisa. Mas nem precisa procurar nada. Só pelo título dá para saber do que se trata. Dependendo da edição, a capa também fornece detalhes da história. Um livro curto, clichê, até um certo ponto, porém consegue prender a atenção de quem gosta de romances policiais. 

“Uma Semana para a Defesa” conta a história de um advogado que tem em suas mãos um caso inusitado, defender a sua mulher de um assassinato. Mas quando ele fica sabendo disso, logo pensa tratar-se de uma traição de sua companheira. Mas a seguir descobre que ela foi vítima de uma conspiração para mandá-la à prisão. Com isso tudo, ambos têm apenas uma semana para prepararem-se para o julgamento. 
 
Este livro foi escrito em primeira pessoa (narrado pelo defensor), porém não se assemelha em nada com livros do tipo “memórias” encontrado em “Memórias do Cárcere” ou “Dom Casmurro”. J. P. Garen colocou os verbo no presente. O final é bem clichêzão pois o advogado consegue provar a inocência de sua mulher. Particularmente, odeio finais assim: clichês (tanto finais felizes ou não). Mas, também devo admitir que conseguiu prender a minha atenção durante os 3 dias que demorei para finalizar a leitura (esse foi o menor prazo com que li um romance). Um péssimo hábito que tenho é julgar o livro pelo seu desfecho; isso ainda exerce uma grande influência em mim. Gostei também do fato de o livro ser curto, pois romances policiais muito longos são desfavoráveis pois comumente perdem o fio da meada; quando você chega no final da história esquece o que aconteceu no começo. Só mais um ponto: por que todo livro que leio mostra personagens masculinos tomando uísque? Eu não bebo nada alcoólico (aliás o álcool, junto com o tabaco, são os vícios mais idiotas que existem) e não consigo entender como eles bebem álcool como se fosse água.

Para finalizar eu preciso dar minha opinião sobre este romance. Foi bom pelo que conseguiu prender a minha atenção durante a história, mesmo eu já sabendo como seria o final. O ruim, como eu previ, foi o final e muitos outros clichês que me deixaram com vergonha alheia. Se fosse de todo ruim não teria lido em 72 horas. Se fosse de todo bom teria devorado em 24 horas (no máximo!).

FICHA TÉCNICA:

Nome: Uma Semana para a Defesa

Autor: J. P. Garen

Páginas: 174

Editora: Abril

Edição: 1ª

Ano: 1972




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domingo, 5 de dezembro de 2010

Fator Humano

Eu botei muita expectativa nos livros de Grahan Greene pois eu já ouvi falar muito dele mas não tive chance de ler nada. Mas essa oportunidade chegou logo com duas obras, “Fator Humano” e “O Cônsul Honorário” (logo postarei sobre este). Pelo que li sobre ele e suas obras, acabei me decepcionando bastante com o que parecia ser o livro... mas não foi.
 
Eu digo que não foi o que eu esperava porque “Fator Humano” é um livro de espionagem. Só que eu demorei para reparar que Maurice Castle era um espião. E agente duplo. Mas o serviço secreto inglês acaba desconfiando de outra pessoa... um colega muito próximo de Castle, Arthur Davis que acaba pagando o pato. Quando o cerco aperta Maurice acaba fugindo, separando-se de sua esposa Sarah e o filho dela Sam, que adoece. Quero também ressaltar que em um ponto no meio da história aonde Castle precisa matar o cão de estimação de sua família, Buller. Isso remete-me à “Vidas Secas” e a cadela Baleia. Em ambos os casos os carrascos erram os alvos e os animais ficam agonizando até chegar bem lentamente à morte. 
 
Para começo de conversa eu pensava que o livro abordaria o lado humano de um agente em missões secretas e não como era a vida pessoal de um deles. Dois dos poucos pontos positivos da narrativa foi de dar enfoque, durante a Guerra Fria, a uma nação coadjuvante, a Grã-Bretanha; o outro refere-se, diferente de outras obras que já li com esse tema, à que esse agente duplo “soviético” não morreu, não sofreu nenhuma punição mais severa ou foi capturado. 
 
Acabei ficando decepcionado com a história toda pois foi muito monótona, lembrando-me de algumas narrativas do século XIX aonde a monotonia é um dos sérios agravantes à (minha) leitura. Mas valeu por fugir óbvio, num tema, até certo ponto, clichê.


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Fator Humano

Autor: Graham Grenne

Páginas: 330

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: 12ª

Ano: 1978




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domingo, 28 de novembro de 2010

Memórias do Cárcere

Um leitor mais assíduo verá o título deste texto e perguntará de qual autor é essa “Memórias do Cárcere”. Para quem não conhece, Camilo Castelo Branco e Graciliano Ramos deram nomes iguais às suas obras. Mas neste caso falarei sobre aquele escrito por este último.
 
Como diz o nome do livro, Graciliano escreveu suas lembranças do tempo em que era preso por suposta ligação com o Partido Comunista, ficando cerca de 11 meses encarcerado. Mas como é que um intelectual sobreviveu convivendo com outros detentos? Simples! A maioria dos outros detentos também eram perseguidos sob acusações de ligação com o Partido em Moscou. E os passatempos dos internos eram xadrez e teatro (impressionante, não acha?). E fora que ele acabou levando três romances junto com a sua valise. 
 
Nos capítulos o autor faz relatos e para encerrar analisava as próprias narrações. Os diálogos são monossilábicos (lembra “Vidas Secas”) e o curioso é que quando chamavam o nome do autor ele colocava como “Fulano de Tal” e não como “Graciliano Ramos”. Uma coisa que me irritou bastante foi o fato de o personagem-autor se abalar com qualquer coisinha fora do normal enquanto estava encarcerado. Tá certo que ninguém fica com o seu psicológico 100% numa cadeia mas não é para tanto. Graciliano fumava muito, isso não é segredo de ninguém. Mas no cárcere ele era uma chaminé... era um atrás do outro. Não é à toa que morreu em decorrência do tabaco.Como diz James Hetfield: “My lifestyle determines my death style”. 
 
Quem conhecia a biografia de Graciliano sabia que ele não morreu na prisão. Então fiquei curioso em saber como é que ele foi libertado após 11 meses de reclusão. Mas o autor faleceu antes de completar o último capítulo. Ou seja, fiquei na saudade... Em resumo, em se tratando de meu relacionamento com a literatura nacional o livro não é ruim, mas também não foi uma maravilha de leitura. Eu recomendo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Mémorias do Cárcere I e II

Autor: Graciliano Ramos

Páginas: 562

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Intergral

Ano: 1953




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domingo, 21 de novembro de 2010

O Tronco do Ipê

Já tive outras experiências com livros de José de Alencar. Porém, todas foram terríveis de ler (Iracema e Cinco Minutos), apesar de serem bem curtas. Esse também foi uma luta terminar a leitura. A única diferença para as outras duas é que este possui 267 páginas. 
   
Essa narrativa conta a história de uma fazenda no interior fluminense em decadência. E o que representa bem esse declínio é um ipê que, no passado, era imponente. Mas, além disso, fala também de uma morte mal resolvida que é a chave para todos os acontecimentos subsequentes. E mais... esse livro envolve vários aspectos da cultura brasileira como o folclore e as forças mágicas do rio e o pai Benedito, chamado de onisciente.

“O Tronco do Ipê” é livro do Romantismo (1871) e vocês sabem que eu não possuo um bom relacionamento com este gênero. Porém, este foi um dos menos piores dentre todos que já li apesar da gramática da época e algumas expressões que dificultam a leitura. Por exemplo, nesse livro, os brancos cumprimentam os escravos com “adeus”. Eu demorei a metade da narrativa para entender que era uma saudação e não um despedida. E fora isso não estou acostumado a ver escrito “ir à corte” ou qualquer coisa que remeta ao Brasil Imperial.

Se tratando de uma obra do Romantismo a resposta é óbvia. Não gostei. Ainda mais por envolver um pouco das características do folclore nacional. Duas coisas que eu não sou muito chegado. Somando as duas... bom, você já adivinhou né? 


FICHA TÉCNICA:

Título: O Tronco Do Ipê

Autor: José De Alencar

Páginas: 267

Editora: Melhoramentos

Edição: 12ª

Ano: 1871




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domingo, 14 de novembro de 2010

Último Tango em Paris

Existem muitos romances adaptados para o cinema. Uns ficaram ótimos e fizeram sucesso, outros foram grandes fracassos e outros mais deveriam ter ficado só no livro. Mas esta é a primeira vez que vejo um filme servir de base para um romance. 
   
Quando bati o olho na capa e vi o título eu tive certeza de já ter visto esse nome em algum lugar. Só depois que comecei a ler é que caiu a ficha. Antes mesmo do início da história há notas avisando que este livro foi baseado no filme homônimo. Mas eu pensei comigo... porquê? Já que o filme leva vantagem sobre os livros de ter a visão como foco principal (ajuda o espectador a se situar melhor na trama) e este tira proveito de possuir mais detalhes que aquele. Mas todos os detalhes do livro foram tirados do filme. Ou seja, vantagem nenhuma. 
 
A história basicamente fala de um casal que se encontra no meio da multidão e começa a encontrarem-se para praticar atos sexuais. Apenas isso. Nenhum dos dois sabe o nome do outro, nenhuma informação sobre a vida de ambos, se possuem famílias, namoradas, amantes, esposas e etc. Apenas marcam o encontro e aparecem. O curioso é que Jeanne possui um namorado que é diretor de cinema e quer fazer um filme com sua companheira como protagonista. Mas pareceu-me que não tinha roteiro, ensaios e outros atores. Não entendi bem o que esse sujeito queria fazer. 
 
Quero citar dois pontos que achei interessantes. O primeiro trata-se do casal se reunir apenas para o sexo, chegando ao masoquismo. Mas diferente de outras histórias este descreveu fielmente o ato sexual. O Outro ponto refere-se à forma de como o livro foi (mal) revisado. Muitos erros em acentuação, troca de letras, falta de vírgulas e pontos finais. Isoladamente eu ignoro, mas quando aparecem em sequência irrita bastante. Não é possível que não viram tais deslizes. 
   
Não achei ruim a história e não foi chato de ler. Recomendo. Eu gastei uns 5 dias para ler esse livro, mas seria mais vantajoso perder 2 horas para ver o filme, já que não há diferenças entre o que está no papel ou na telona. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: Último Tango em Paris

Autor: Robert Alley

Páginas: 190

Editora: Civilização Brasileira

Edição: Integral

Ano: 1973




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domingo, 7 de novembro de 2010

Uma Vida/Pedro e João

Esse post vai ser diferente pois irei falar de duas histórias que estão em um mesmo livro. Então terá três partes. Na primeira falarei sobre “Uma Vida” e na segunda abordarei “Pedro e João”, ambos de Guy de Maupassant e na terceira falarei de aspectos comuns aos dois romances.

-Uma Vida- 
 
Esse romance conta a história de Joana que, quando sai do convento e volta a morar com os pais acaba conhecendo o visconde Júlio de Lamare, com quem se casa. Mas logo após o matrimônio Júlio começa a deixar a máscara cair e partir de então começa o sofrimento de sua esposa. Ela acaba pegando o seu cônjuge na cama com a criada e irmã de leite Rosália. E no mesmo dia acaba descobrindo que está grávida. A partir desse momento a vida de Joana se torna um inferno. E, por pura ironia, quem ampara-a nas piores situações acaba sendo exatamente Rosália, pois o filho leva a própria mãe a falência. 
 
Essa história conseguiu me deixar irritado com alguns fatos. O primeiro deles trata-se de como o pai de Joana reage ao saber da traição de Júlio. No primeiro momento ele fica revoltado, como qualquer um de bom senso, mas logo depois acaba “afrouxando” e ignorando por um motivo muuuito idiota (que não consigo lembrar! =[ ). Mas antes disso tirou-me do sério como Joana era ingênua. O terceiro ponto é a respeito das conversas entre alguns dos personagens, principalmente entre Júlio e o pai de Joana. Pois quase não havia variações. Era sempre sobre títulos de nobreza e status na sociedade francesa do século XIX. A quarta fala sobre a vida no castelo. Para Joana era tudo cor-de-rosa, tudo perfeito. Irrita porque a vida não é cor-de-rosa nem um conto de fadas. O quinto é que Guy de Maupassant se preocupa mais com o psicológico dos personagens do que com as ações. Isto deixa o livro sonolento.

-Pedro e João-

“Pedro e João” conta a história de dois irmãos que vivem em atrito, agravada pelo fato de um deles (João) ganhar 20.000 francos de herança de um amigo de seus pais. Mas, historicamente, João sempre se destacava mais que Pedro até por uma viúva que estava louca para arrumar um novo marido. A partir desses fatos e principalmente da herança, Pedro começa a desconfiar de que o caçula seja fruto desse amigo falecido com sua mãe. E acaba tendo certeza disso e joga isso na cara dela por puro ódio e por causa do dinheiro. E, como aconteceu antes, não me lembro nitidamente do final.

-Igualdade-

As duas histórias possuem aspectos semelhantes na estrutura das estrofes. Não aparece notas de rodapé esclarecendo quem é a personalidade citada. Ambas possuem a ortografia antiga (pois esse edição é da década de 50, aproximadamente). Vou citar alguns por pura curiosidade: sôbre, cêsta, êle, êles, alamêda, êsse, sôpro, espêsso, cêrca, fôra, bôlsa, estrêlas, sòzinhos, fàcilmente, sòmente, interminàlvemente e etc. Quando o narrador precisa intervir no meio das falas dos personagens, nesse livro, usa-se vírgulas e não travessões como é mais comum. Chega até a confundir o que é narrador e o que é personagem. 
 
Como aconteceu em outros casos, essas narrativas foram muito paradas, chegava a dar raiva de ler, não pelo estilo de Guy de Maupassant, mas muito mais por culpa dos personagens. Mas foi até uma experiência curiosa pelo fato de o livro ser antigo e pertencer a uma coleção de clássicos universais (esse livro foi a 20ª parte) e de ter duas histórias em um contidas num mesmo encadernamento.


FICHA TÉCNICA:

Título: Uma Vida/ João e Pedro
 

Autor: Guy De Maupassant
 

Páginas: 389
 

Editora: W. M. Jackson
 

Edição: 1ª





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domingo, 31 de outubro de 2010

Casa de Pensão

Em posts anteriores eu disse que não costumo me relacionar bem com livros antigos... principalmente os do século XIX. Já li uma dúzia deles e não gostei de nenhum. Mas esse é uma exceção porque desses todos, este é o menos pior.

Eu digo que é menos pior porque “Casa de Pensão” é uma obra do Realismo, ou seja, é uma história menos idealizada e muito mais real (fictícia ou não). Muito mais mesmo pois esta história foi baseada num acontecimento chamada de Questão Capistrano ocorrida em 1876/77. Tá certo que só o desfecho é realmente baseado nesse fato, pois o resto da história é totalmente ficção. 
 
Não vou fazer uma breve sinopse pois você pode encontrar resumos desse livro à rodo pela internet. Mas o que eu quero destacar é fato de ser chato de ler. Sim! Apesar de não ser mais Romantismo e sim Realismo ainda há falta de dinamismo (o grande vilão!). Mas há uma melhora considerável no transcorrer história pois o autor se enfatizou mais nos atos e não nos personagens ou em aspectos subjetivos. 
 
Na história acho curioso o fato de dizer “Rio de Janeiro, a capital federal” e “ver o Imperador passar”, pois eu e vocês nos acostumamos a ver Brasília como capital e viver numa democracia ou na ditadura para alguns mais vividos mas nunca ouvimos nos noticiários a expressão “Imperador governar o Brasil”. 
 
Dependendo da edição e da editora pode haver uma descrição mais detalhada da vida e obra de Aluísio Azevedo e da Questão Capistrano. No meu caso, por exemplo, o que eu li era da editora Ática e possuía mais de vinte páginas no fim do livro dando esses detalhes juntos com algumas fotos e retratos da época. Ajuda a compreender porque os escritores dessa época ainda não conseguiam viver com as suas criações.

Talvez exista algum livro dessa época que eu pegue alguma simpatia. Mas por enquanto isso não aconteceu. Não culpo os escritores pois eles seguiam o que estava em “vigência” e isso não encaixa com o meu gosto literário. Gosto de um pouco de suspense e de surpresas e muito dinamismo. DINAMISMO!

FICHA TÉCNICA:

Título: Casa de Pensão

Autor: Aluísio de Azevedo

Páginas: 279

Editora: Ática

Edição: 1ª

Ano: 1884




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domingo, 24 de outubro de 2010

Conspiração Telefone

Já disse em outros posts que todos os livros previstos para eu ler até agosto/2011 serão de antes de 1980, ou seja, durante a Guerra Fria. Já disse também que tem horas que é entediante ler sobre os mesmo desdobramentos apenas variando nos personagens e ações. Mas talvez nenhum deles mostra tão bem quanto essa época foi turbulenta. Sou de 90 então não presenciei isso tudo. A minha única base são os livros. 
   
Uma vez um professor me disse que os fatos são contados pelos vencedores. Ou seja, não temos os pontos de vista do lado perdedor. Basicamente, (quase) todos os livros que tratam da Guerra Fria são do lado oeste. É o que acontece nesta história, aonde o socialismo é sempre o vilão usando golpes baixos querendo destruir a pacificidade e a democracia americanas. A história fala sobre russos “programados” por hipnose a atacar pontos estratégicos nos EUA. Esse agentes soviéticos possuem uma vida inteira baseada nos princípios capitalistas. Mas com palavras-chave ou frases-chave voltam à “realidade” e vão cumprir sua missão. Essas palavras ou frases estão num relatório de posse soviética. Mas é furtado por um cidadão da alta cúpula das forças armadas soviéticas e começa a telefonar para seus “espiões”. O porém é que tanto a URSS quanto os EUA não querem que esse ataques aconteçam. A partir disso, os russos mandam um agente do KGB para recuperar o tal relatório e interromper o processo de destruição mútua. O único fato que achei ruim (para não dizer idiota) foi como descobriram o resto da sequência de ataques, que, penso eu, nunca poderia ter acontecido pelo fato de ser muito idiota. 
 
Um aspecto bom do livro é que o espaço da história, apesar de se passar nos EUA e na URSS, fugiu dos grandes centros como Nova York e se concentrou mais no “interior” do território norte-americano. Um outro fator importante, didaticamente falando, mostra como, apensar dos arsenais de cada lado, ambos os países tinham medo de um confronto direto pois sabiam que uma vez derrotados não haveria nem cogitação para uma recuperação física (se é que o planeta Terra aguentaria tantos ataques nucleares). 
 
Se você for pesquisar algo sobre esse livro ou o autor não irá achar muita coisa. Eu nem mesmo sei em que ano esse livro foi publicado. Acho que gira em torno de 1975 ou 1976. Eu apenas achei um rascunho de 5 linhas sobre Walter Wager, aonde informa que ele escreveu cerca de 30 livros desse mesmo gênero: espionagem. Morreu de câncer no cérebro com 79 anos. E sobre “Conspiração Telefone” você apenas irá achar referências de sites de compra e venda e nada mais! Não há nenhuma fonte de pesquisa e muito provavelmente esta foi a primeira resenha sobre este livro. 
   
No final das contas é uma história que consegue prender a atenção dos leitores, principalmente se você gostar desse gênero literário. Pode parecer surreal as ações descirtas nela mas temos que raciocinar que nenhum dos lados queria perder e havia muita tensão no ar. Não houve confrontos diretos mas sim indiretos como no caso das Coréias e no Vietnã principalmente. Confrontos esses que trouxeram consequências para todos nós e sentimos isso até hoje.


FICHA TÉCNICA:

Título: Conspiração Telefone

Autor: Walter Wager

Páginas: 206

Editora: Juniter/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1975




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domingo, 17 de outubro de 2010

O Sequestro do Metrô

Quando vi pela primeira vez a capa e o título desse livro pensei que a história seria fraquinha, fraquinha. Com muitos clichês, vergonhas alheias e coisas do gênero. Mas ainda bem que me enganei. Eu deixei de ver jogos do Mundial da África do Sul para lê-lo. Como consequência, foram 424 páginas devoradas em 4 dias e meio, o que dá 84,8 páginas diárias (coisa que não irei repetir mais). Sendo que minha média gira em torno de 35 a 40. 
   
Mas o que me fez ler tanto assim?

Resposta: NÃO SEI!

Eu lembro que li este livro na época da Copa do Mundo e eu deixava de ver alguns jogos sem importância para ir ler. Mas o que mais me chamou a atenção o fato da história conter ponto de vista de quase todos os personagens dentro daquele vagão do metrô, desde a prostituta até o ancião. Não me recordo de nada parecido. 
 
Para começo de conversa essa narrativa passa-se dentro do metrô (lógico!) mais antigo do mundo: o de Nova York. Na década de 70 essa cidade não era grande coisa, tenho a sensação que era como a cidade de São Paulo é hoje, suja, cinzenta, violenta, mau conservada, com desigualdades sociais muito fortes e um sentimento de racismo contra negros, latinos e mestiços muito difundido. Isso só começa a mudar lá por meados de 1990, vinte anos depois. 
 
Na narrativa, o autor passa a impressão de um sistema metroviário organizado, porém muito deteriorado, aonde apenas a escória populacional frequenta. Tem um final muito clichê. Porém tenho que ressaltar o fato de eu ter ficado curioso pela forma de captura dos sequestradores, o que durou até a última página (literalmente!).

Falando do autor, John Godey era um pseudônimo de Morton Freedgood pois ele queria separar os romances policiais dos livros “sérios”, escrevia esse gênero desde 1940, não obtendo êxito algum. Mas em 1973, quando lançou “O Sequestro Do Metrô”, a sorte deu as caras. Logo tornou-se best-seller e dois anos depois foi adaptado às telonas. Aliás se você jogar esse título em qualquer site de pesquisa irá aparecer mais referências sobre filme e não do livro.

Além, do mais Godey revelou uma vez que quando começou a esboçar este romance não tinha o final definido. E a facilidade com que descreveu as localidades e os deslocamentos deve-se ao fato de ser natural de Nova York e de ter morado em 4 dos 5 distritos da “capital do mundo”.

Como eu disse no começo do post, eu nunca mais irei igualar essa marca de 85 páginas lidas por dia. Muito pelas minhas obrigações do dia a dia e de meu tempo ocioso ter diminuído. Mas, com esses números posso dizer, sem dúvida alguma, que esse livro é um dos melhores que já li. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: O Sequestro do Metrô

Autor: John Godey

Páginas: 424

Editora: Nova Época/Círculo do Livro

Edição: 2ª

Ano: 1975




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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Negras Raízes

Você já pensou em vasculhar a árvore genealógica de sua família? Não começando pelos parentes mais longínquos que você possa se lembrar. Estou falando em ascendentes que você nunca imaginou ter existido, que viveram há 7 ou 8 gerações. Parece impossível? Mas para Alex Haley não foi. Este livro é a prova. 
 
Para começo de conversa Alex Haley não partiu do nada. Ele possuía uma base para suas pesquisas: o nome do suposto antepassado que veio da África contado por seus tios e avós quando era criança. Com essa informação foi mais fácil (ou menos difícil) achar o paradeiro de seus ascendentes até chegar a Kunta Kinte em Gâmbia. A partir desse ponto Haley começou a contar com a sorte. Como o governo gambiano não possui registros oficiais de nomes daquela época, ele teve que recorrer à uma espécie de contadores de histórias. Essas pessoas idosas possuem gravadas na memória os acontecimentos de todo um clã. Digo todo um clã mas é todo o clã MESMO... desde sua origem independendo da data (seja 1970 ou 1345). É de impressionar realmente. Então Alex achou um desses anciãos que era especialista de toda a história do clã Kinte, cintando o seu tataravô que foi raptado e levado para a América. 
 
É óbvio que nem tudo relatado no livro realmente aconteceu. Os locais, os nomes e os deslocamentos são reais mas os diálogos, não. Tanto é que certas passagens de “Negras Raízes” se parecem com alguns trechos do livro “The African” e consequentemente foi acusado de plágio que só serviu para aumentar a fama daquele.

Se algum afrodescendente brasileiro quisesse fazer a mesma coisa iria acabar esbarrando numa barreira intransponível: em 13 de maio de 1891 todos os arquivos relacionados à escravidão foram queimados por determinação do então ministro da Fazenda Rui Barbosa. Ou seja se algum antepassado seu chegou por aqui antes dessa data ficará mais difícil quaisquer pesquisas. 
 
Aqui vai alguns aspectos físicos do livro: possui 108 capítulos (isso mesmo!) mas “apenas” 646 páginas, sendo que cada capítulo gira em torno de 4 a 6 páginas. Com esses números “Negras Raízes” é o terceiro livro mais longo que li até hoje. Outro aspecto curioso, digamos assim se trata da data de lançamento do livro: 1976, ou seja o bi-centenário da independência norte-americana. Com isso o autor dedicou essa obra, com mais de 10 anos de pesquisa, à sua nação. No mesmo ano Haley ganhou o prêmio Pulitzer por essa narrativa. 
 
Em toda a sua vida, Alex Haley escreveu apenas esse romance. Mas ele redigiu a “Autobiografia de Malcom X” Portanto, se você gostou de “Negras Raízes” e quer pesquisar outras obras do mesmo autor... sinto desapontá-los mas, não há outros. Mas, convenhamos, só por este já vale por outros milhões que ele viesse a escrever, pelo seu esforço e dedicação nesses 10 anos de pesquisa e por sua origem africana que muita gente sente vergonha. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: Negras Raízes
 

Autor: Alex Haley
 

Páginas: 646
 

Editora: Record/Círculo do Livro
 

Edição: Intergral
 

Ano: 1976




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domingo, 3 de outubro de 2010

Casa Nobre I

Eu pensei muito antes de escrever este post pois “Casa Nobre” tem dois volumes... e só li o primeiro. Ou seja meu texto ficaria incompleto. Eu poderia tirar conclusões precipitadas com relação à história. Mas resolvi fazer mesmo assim e quando ler a segunda parte completarei o raciocínio contido aqui.

Primeiramente, “Casa Nobre” se passa em Honk Kong, ou seja, fora da conurbação Europa-EUA. Conta a história da maior empresa da região (fictícia) em decadência. A salvação corporativa está em uma mega-parceria com uma gigante norte-americana. Mas as concorrentes querem ver a Struan no chão tentando, a qualquer preço desfazer esse negócio. Essas duas companhias não são apenas adversárias... são INIMIGAS. 
   
Esse foi um dos pontos positivos do livro, junto com o espaço da história. Um outro fator interessante é a descrição de como uma grande empresa é controlada, como a alta cúpula comanda, agita, influencia, mascara as suas artimanhas para conseguir o que quer sem muito esforço e sem muita dó. 
 
Apesar da narrativa se passar em Hong Kong metade das personagens são inglesas (Hong Kong pertenceu ao Reino Unido até 1997), ou seja, há relatos de hábitos ocidentais muito familiares para nós. Mas também o autor expõe um pouco dos hábitos chineses presentes na vida cotidiana da península. Um desses costumes que mais me chamou a atenção foi o de cuspir toda vez que a garganta der aquela arranhada, pois os chineses acreditam que há um deus maligno nesse escarro e então é necessário se livrarem dele. Por isso é comum (pelo menos no livro) ter uma escarradeira, assim como o cinzeiro é para nós (nota: sou completamente anti-tabaco!).

E para finalizar... simplesmente não posso finalizar pois como eu havia dito no começo do texto para uma completa compreensão dessa história eu preciso ler o segundo volume. Este post vai ficar incompleto por esse motivo. Ou seja eu entendo se você não gostou dessa conclusão.


FICHA TÉCNICA:

Título: Casa Nobre I
 
Autor: James Clavell
 
Páginas: 701
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1981





DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!


domingo, 26 de setembro de 2010

O Morro dos Ventos Uivantes

Pense num livro chato... e multiplique isso por 372. Pronto! Você obterá “O Morro dos Ventos Uivantes”! Olha, nem preciso pensar muito para dizer que essa história foi sofrível. Estou para conhecer um mais insuportável. 
 
Eu tinha sorte quando ia ler uma narrativa estática, aquelas que dão muito sono logo após tomar um litro de chá mate, porque eram, em geral, curtas (Irmã Monika, Os Lusíadas, Cinco Minutos, Dom Casmurro e etc.), ou seja, meu sofrimento durava pouco. Mas esse não! DEMOREI 20 DIAS PARA LER TUDO!! NO MESMO PERÍODO DE TEMPO CONSEGUI TERMINAR “Havaí” QUE TEM TRÊS VEZES MAIS PÁGINAS!!! Tinha noite que eu não queria continuar folheando aquela narrativa, em vez disso eu lia gibi da Turma da Mônica. Para ter-se uma ideia, a minha média de leitura desse romance foi de 18,6 páginas por dia enquanto a média “normal” é de 41,9. Olha a diferença.

A história basicamente é contada em flashback. Apenas uns poucos capítulos no início e no fim são contemporâneos. E por causa disso eu fico pensando, por que Elis Bell (Emily Brönte) não fez uma cronologia simples? É lógico que tem algo por trás disso tudo porque eu sou ignorante em aspectos mais complexos das histórias (não estou sendo irônico). Isso é reforçado pelo fato de “O Morro dos Ventos Uivantes” ter, ainda hoje, uma boa vendagem e ser considerado um clássico inglês apesar de não poder se classificado em nenhuma escola literária da época (1845).

A narrativa em si conta a história de uma granja (Thrushcross Grange) no interior da Inglaterra. Mostra os acontecimentos nesta localidade durante quase 50 anos. É contada por Ellen Dean (testemunha ocular de tudo) em primeira pessoa. Foi isso que mais me irritou. O relato do cotidiano de uma família típica do século XIX, aonde não há muitos deslocamentos espaciais e nada de tão dinâmico acontece. Tanto é que enquanto conta tudo, ela tricota. Para mim soou como um indício de que nem ela, que é a narradora, tem interesse na história. 
 
Ainda por cima, essa história foi base para diversos filmes desde 1938 e com direito até um remake feito pela MTV. Aqui no Brasil serviu como base para duas telenovelas: o homônimo transmitido pela extinta TV Excelsior em 1967; “Vendaval”, exibido pela TV Record em 1973.

Apesar de toda essa glória que o livro carrega, eu detestei demais a história. É apenas uma questão de gosto. Vivo no século XXI onde tudo é dinâmico (a internet representa isso) e a história é da década de 1840 transcorrida no começo daquele século. Imagina o choque de culturas que ocorre. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: O Morro Dos Ventos Uivantes
 
Autor: Emily Brontë
 
Páginas: 372
 
Editora: Cedibra/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1845




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!