quarta-feira, 28 de julho de 2010

Havaí

Quem gosta desse arquipélago localizado no meio do oceano Pacífico, um dos locais mais meridionais da Terra, um dos locais mais isolados e o estado norte-americano mais distante da capital federal, deve ler esse livro homônimo. Livro este que impõe respeito, tanto pela sua história, quanto pelo seu tamanho.

Para começo de conversa, “Havaí” é, por enquanto, o livro mais longo que li com 1024 páginas. E essa narrativa, obviamente, conta a história, fictícia, de formação do arquipélago, desde a formação rochosa até o processo de união aos EUA como o 50º estado. Para isso são necessárias 6 partes. A primeira parte relata a formação geológica da ilha. A parte seguinte conta como os primeiros taitianos chegaram ao Havaí por volta do ano de 750 d.C. A terceira narra a chegada dos primeiros missionários protestantes ao arquipélago na década de 1820. Na quarta parte, mostra como os chineses foram parar em tal ilha e na quinta parte faz-se o mesmo com os japoneses. Já na última parte do livro tem um enfoque maior em todo o processo para a união do arquipélago junto à federação.

O curioso disso tudo é que o autor não é natural do Havaí. Pois é! James Michener nasceu na Pennsylvania. A impressão que dá é que quem escreveu presenciou tudo o que aconteceu no livro de tantos detalhes da vida cotidiana da ilha. É realmente difícil de acreditar que o autor dessa magnânima obra não seja de lá.

Agora, quero ressaltar duas passagens do livro. A primeira cita que o alfabeto havaiano possui por volta 13 letras, por isso há repetição delas numa mesma palavra (Honolulu, Kamehameha, etc). A segunda refere-se a como os leprosos eram tratados na época da Segunda Guerra Mundial, onde eles eram levados para uma ilha isolada, habitado apenas por outros portadores da doença e alguns acompanhantes voluntários (grande parte formados por familiares).

Outro fato bastante curioso citado no livro refere-se ao nome de um líder indígena local chamado Kamehameha. Quem assistiu Dragon Ball entendeu o que eu quis dizer. Mas para quem não assistia, vou dar o “gabarito da piada”. Kamehameha (acho que é assim que se escreve) era um nome de um golpe de energia muito poderoso.

O que confunde a leitura desse livro são os nomes dos personagens ao longo da história, principalmente aqueles com ascendência branca. Os nomes dos filhos, netos, bisnetos, tataranetos e etc. dos missionários eram sempre derivados dos nomes e sobrenomes dos mesmos. E o agravante é que eles só se casavam entre si, quase não havendo casamentos entre brancos e nativos. Mas o que faz retirar parcialmente a minha crítica é o fato de no final do livro ter uma árvore genealógica de todos os principais personagens da narrativa (polinésios, brancos e asiáticos). Mas que ainda assim causam muita confusão.

Precedendo a história há uma nota esclarecendo que a narrativa é fictícia em fatos e em nomes, mas não no espírito. Apenas um personagem foi baseado em uma pessoa real. À primeira vista me impressionou o tamanho do livro, mas quando comecei a ler, torci para que não acabasse mais.

Ah, depois disso tudo você quer saber a minha opinião do livro? Está bem, aí vai: E-X-C-E-L-E-N-T-E!


FICHA TÉCNICA:

Título: Havaii

Autor: James A. Michener

Páginas: 1024

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1983







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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dois para Conquistar

Darkover é uma série de livros criado por Marion Z. Bradley. Mas Darkover também é o planeta fictício aonde se passam as histórias contidas nessa sequência. Série esta que está dividida em várias eras. “Dois para Conquistar” se passa no fim da “Era do Caos” e no início da era dos “Cem Reinos”. Mas há um aviso precedendo a história, dizendo que o leitor pode ler como uma narrativa independente, mas se preferir pode-se fazer a tal cronologia.

Para muitos que não leram esses livros na “ordem correta” (como eu), é muito fácil confundir o espaço da história. Eu jurava que se passava na Idade Média, tanto é que a narrativa possui rei, rainha, príncipe, princesa, cavalos e papagaios e um dos reinos se chama “Reino das Astúrias”. Só percebi que não se passava na Terra quando são citados os quatro satélite naturais que circundam o planeta. Mas até chegar a essa passagem foi-se 2/5 do livro.

A história de “Dois para Conquistar” conta a sucessão da corte real do reino das Astúrias, aonde usam-se a ciência, o estupro e a feitiçaria como armas de guerra. No caso especial da feitiçaria, com a ajuda dos “laranzu” (que eram os feiticeiros do sexo masculino), conseguiu-se teletransportar um terráqueo para Darkover.

Nessa parte eu fiquei confuso, pois esse terráqueo diz que vivia, ou sentia-se, preso em uma caixa de estase. O que eu quero ressaltar aqui não o fato de ele ficar preso numa caixa (o que é metafórico), mas o fato específico da palavra “estase” e não “êxtase”. Por muito tempo eu pensei que estivesse errado a escrita e fosse realmente “êxtase”. Só há pouco tempo, quando fui verificar se existia tal palavra, é que tive respostas satisfatórias. Basicamente, estase possui três sentidos diferentes em biologia, medicina e psicanálise. Mas também tal palavra pode ser usado de modo genérico para designar entorpecimento, o que faz mais sentido ao estado do tal terráqueo.

Eu me decepcionei com o final do livro pois não trás muitas explicações e/ou respostas sobre a história. Mas depois caiu a ficha de que esse livro faz parte de uma saga e para obter tais respostas preciso ler toda a cronologia. E então tudo fez sentido. Acho que eu levei a sério aquele aviso de narrativa independente. =P


FICHA TÉCNICA:

Título: Dois Para Conquistar

Autor: Marion Zimmer Bradley

Páginas: 392

Editora: Imago/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1980




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sábado, 17 de julho de 2010

Perdidos na Noite

Se teve uma história que, durante muito tempo, não fez sentido para mim, foi esse. Apenas quando eu fui pesquisar essa história na net para escrever este post é que obtive esclarecimentos. Mas isso não muda minha opinião sobre esse livro.

A narrativa conta a história de um texano que deixa a sua terra natal e se muda para Nova York para se prostituir com mulheres. Não conseguindo êxito, o protagonista se envolve com um marginal de pequenos crimes. E ambos tem a ideia de ir para a Flórida. Um pouco antes de chegarem ao destino, esse meliante morre dentro do ônibus.

Durante um certo período de tempo, achei essa história “sem pé e sem cabeça”, muito estranho. Depois das pesquisas que fiz para esse post, ainda fica uma sensação de “esquisitice” na história. Quando o personagem central se envolve com esse meliante e começa a conhecer os “inferninhos” de NY, a impressão que me passou foi de nojo dos lugares aonde eles frequentavam. Fiquei com certa repugnância dos personagens. Mas pelo que eu averiguei, essa foi a intenção do autor, de retratar o desajuste social presente, também, em países desenvolvidos.

O que me surpreendeu muito foi o fato desse livro ter sido adaptado para o cinema. E o que mais me espantou foi que esse filme, em 1970, ganhou 3 Oscars!!! (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado). Achei espantoso pois essa história não fazia sentido para mim. E essa ideia amadureceu até ser rompida com as tais pesquisas. Apesar de gostar da ideia de adaptar ao cinema BONS livros, não sou muito fã de tais produções pelo fato de haver necessidade de cortes e modificações para que o filme possa ser feito. Um filme, comercialmente falando, tem entre 1h30 e 2h30, enquanto não há um limite de páginas para livros. Então, se o livro for grande e muito cheio de detalhes ou com flashbacks não caberá nessas 2h30 de longa-metragem.

No começo do post eu disse que, apesar de tudo, pelo que citei acima, minha opinião não mudou sobre o livro. Continuo não gostando dele, também pelos motivos citados anteriormente. Eu não gostar do livro não quer dizer que o livro é ruim. Já disse no meu primeiro post que não sou nenhum crítico, apenas mais um leitor. Leia e tire suas próprias conclusões! =)


FICHA TÉCNICA:

Título: Perdidos na Noite

Autor: James Leo Herlihy

Páginas: 223

Editora: Record/Círculo do Livro

Ediç

ão: Integral

Ano: 1965




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terça-feira, 13 de julho de 2010

Exodus

Quando se fala em judeus na década de 1940 logo vem à cabeça o holocausto nos campos de concentração nazistas. E todo mundo sabe o final disso: os russos invadem a Polônia e a Alemanha e descobrem os tais campos. E então viveram todos felizes para sempre... Ou não. É difícil achar alguém que saiba o que aconteceu depois do final da 2ª Guerra Mundial (tirando os professores de história, é clado!). Será que, o que aconteceu nessa época, tem alguma ligação com os conflitos entre israelenses e palestinos que vivem recheando os noticiários? Há um certo período de tempo até a formação do Estado de Israel. O que aconteceu com os judeus nesse meio-tempo? Muita gente não sabe, eu não tinha a mínima ideia. Só depois de começar a ler esse livro é que comecei a fazer tais questionamentos.

A narrativa, basicamente, conta a história de formação do estado de Israel e os fatos que o antecederam. Na realidade, a história começa em 1946 em campos de concentração de judeus no Chipre, sob tutela britânica. Mas no meio do livro, há flashbacks de alguns personagens-chave, mostrando de onde vieram e como foram para em tal lugar. “Exodus” era o nome do navio que, na narrativa, transportava “ilegalmente” os judeus até a Palestina.

Um fato bastante interessante, abordado na história, mostra como a estrutura familiar era abalada com a separação dos seus membros (em muitas delas definitivamente). O livro cita também a votação na ONU da partilha da Palestina em um estado sionista e outro muçulmano. Achei muito interessante essa parte, pois achava que as votações eram encerradas por maioria simples. Mas não. Até hoje usa-se o sistema de 2 terços dos votos. No caso de Israel todos os estados árabes e Cuba votaram contra.

Quando entendi o “intuito” do livro eu pensava que a história acabaria na criação do estado israelense. Mas isso não aconteceu. O livro ainda fala dos conflitos pós-criação e os três primeiros anos de Israel. A narrativa acaba exatamente no dia do 3º aniversário de independência, com um final que me surpreendeu muito.

Após a leitura de “Exodus” comecei a entender melhor o conflito naquela região. Comecei a entender por qual motivo isso perdura há tanto tempo. Sem muito exagero, eu poderia dizer que esse livro tem papel didático, pois essa narrativa se passa em um momento crucial da história contemporânea e descreve com detalhes (com muito mais detalhes que qualquer livro didático!) como era o dia a dia dos judeus após 1945. E como eles levantaram essa nação numa terra onde quase nada pode ser cultivado. Para alguns leitores mais atentos, o autor deixa uma mensagem de que, o judaísmo não é apenas uma religião...


FICHA TÉCNICA:

Título: Exodus

Autor: Leon Uris

Páginas: 697

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1958




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quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Homem que calculava

Decidi ler essa obra-prima nacional (sem exageros) pois eu já tinha visto uma peça teatral sobre esse livro. Mas como peças teatrais tem um limite de tempo, não foi possível adaptar aos palcos muitos dos problemas solucionados pelo “homem que calculava”. E além do mais, fazia um certo tempo que eu já tinha assistido, então não me lembrava muito bem do enredo. Ler o livro foi fundamental para relembrar os enigmas resolvidos em cena e conhecer outros mais. Cada capítulo é um enigma à ser solucionado.

A história se passa em Bagdá – isso mesmo! - no século XIII, onde foi o mais importante polo cultural da época. Palco das artes, ciências e tudo mais. O enredo cita umas das lendas do surgimento do xadrez ocidental e, já no final do livro, a queda da cidade pela invasão do mongóis em 1258. Essa edição possui também um apêndice onde estão algumas publicações matemáticas que podem auxiliar na compreensão das resoluções. Até uma pessoa graduada na área pode surpreender-se com as respostas apresentadas pelo personagem central.

Como eu disse no começo do post, essa obra foi escrita por um brasileiro. Sim! Para quem não sabe, Malba Tahan é o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, um matemático carioca conhecido no Brasil e no mundo pelos seus livros de contos e fábulas passadas no oriente e, em muitos deles, tendo a matemática como instrumento de recreação. É indispensável a leitura desse livro para quem aprecia a matemática ou as ciências exatas em geral, como eu.

Para mim – de longe – foi o melhor livro brasileiro de todos os tempos, pelos fatos citados acima. Fiquei muitíssimo impressionado com as soluções contidas no livro, algumas até que eu pensava que não tinha resolução alguma. Em várias delas tive que parar e ficar pensando por algum tempo, reler a solução para conseguir entender. Impressiona muito o fato de a matemática ter aplicação em tudo que nos rodeia e como a mais simples fórmulas resolvem os mais complicados enigmas. Altamente recomendável.


FICHA TÉCNICA:

Título: O Homem que Calculava

Autor: Malba Tahan (Júlio César de Mello e Souza)

Páginas: 346

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1983





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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Primeiro o conteúdo, depois a forma.

Este blog foi criado única e exclusivamente com o intuito de compartilhar minhas opiniões sobre as obras que eu li. Não sou nenhum crítico literário, não tenho formação alguma na área. O conteúdo contido nos posts são apenas as minhas impressões sobre o(s) livro(s). Cada um tem uma impressão diferente do mesmo livro.

Apresentação e esclarecimentos

Meu nome é Stephan Hanada, tenho 19 anos, sou técnico eletrônico e moro em São Paulo. Eu nunca fui muito fã de leitura. Comecei agora a ser um leitor compulsivo. Iniciei esse ano apenas (para ser mais exato, no dia 20 de janeiro), quando descobri uma pequena “mina de ouro” num canto aqui de casa que eu nunca dei muita importância. Apenas reparei a sua existência após a visita de um tio meu. Era uma “pequena” coleção de livros dele da época do “Círculo do Livro” (o pessoal das antigas deve lembrar). E a partir disso não parei mais.

Eu nunca consegui definir meu gênero literário favorito. O que vier pela frente eu leio! Mas eu tenho uma preferência por romances de aventura, que tenham um pouco de ação e de dinamismo. O livro pode ter nenhum valor literário, mas prendendo a minha atenção, tá valendo! Mas eu já li de tudo um pouco: livros infantis, livros de xadrez, livros de química estequiométrica e física nuclear, livros de poesia, romances, tanto nacionais como estrangeiros, livros científicos, livros para-didáticos e etc. Mais adiante segue uma pequena lista de alguma obras que eu li (apenas por curiosidade):

Mas, vamos ao que interessa!

Eu criei esse blog para expressar as minhas opiniões sobre alguns dos livros que eu li, e, se possível, estimular a leitura e debates literários além de ser uma fonte alternativa para leitores que tem vontade de ler o que outro leitores têm a dizer (e para fugir dos textos dos críticos literários). O meu intuito não é fazer resumo de obra nenhuma e nem criar uma “verdade absoluta”. Não sou crítico e muito menos tenho formação na área. Sou apenas um leitor que possui uma impressão de cada livro que leio, seja boa ou ruim. Mas algumas citações das histórias serão necessárias para complementar a ideia.

Você pode perfeitamente destinar 1 hora por dia à leitura. Eu te garanto que você não deixar de ser legal, inteligente, interessante e nem vai criar inimizade com ninguém por causa disso. Se alguns de vocês quiserem discutir os posts comigo, ou comunicar algum erro, vou deixar meu e-mail no meu perfil. Caso queiram me criticar, também podem me escrever. E se você não tiver o que fazer... VÁ LER UM LIVRO!