domingo, 29 de maio de 2011

Kundu

Morris West (junto com Sidney Sheldon e Graciliano Ramos) é um dos autores de mais tenho lido suas obras. Dentre elas, “Um Mundo Transparente” foi o que conseguiu prender mais minha atenção por falar sobre uma das grandes mentes do século passado. Já “Proteu” não se saiu tão bem quanto o seu antecessor. Mas vamos falar de “Kundu”.

Esta narrativa passa-se na ilha da Nova Guiné no qual, hoje, divide-se entre Papua-Nova Guiné e Indonésia. Agora eu não lembro em qual lado da fronteira se passa a história. Mas comparando o desenrolar da história, a suástica da capa e o passado do local deduzo que se passa do lado papuásio. 

“Kundu” narra a saga de Kurt Sonderfeld, um alemão sem escrúpulos morais que tenta tomar o controle da região por meio de magia negra. Poder esse que Kurt usa para controlar o feiticeiro mais poderoso da região, Kumo. Porém (é lógico, até um pouco previsível) não obtém êxito.

Nova Guiné não fica tão próximo da China (muita gente nem sabe por onde começar a procurar no mapa) porém há citações sobre a língua pingin que originariamente eu tinha visto em “Casa Nobre”. O bom da história foram os costumes que West nos contou sobre os nativos. Pelo que eu entendi Kundu é um nome de uma espécie de tambor usado em certos rituais. 
 
Dentre os que li de Morris West este se saiu melhor, muito pelo local da história. Ninguém nem sequer sabe que existe esta nação ao norte da Austrália. Se você ler estre livro (ou pesquisar no Google) saberá aonde está.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Kundu

Autor: Morris West

Páginas: 223

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1965




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Até a próxima!



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Madrapur

Você já pensou em passar seus últimos momentos de vida dentro de um avião? É insano uma ideias dessas. Mas para o argelino Robert Merle não. Ele nos põe em uma situação totalmente desconfortável quando narra a saga de uns poucos “sortudos” para um local que nunca existiu: Madrapur.

Basicamente, “Madrapur” apresenta, de forma metafórica, um destino de que nunca iremos escapar: a morte. Todos os passageiros a bordo esperam desembarcar num principado que dá nome à obra. Mas ao invés disso, os afortunados deparam-se com um avião sem piloto, sem copiloto, sem outros passageiros, sem comida, sem bagagem e apenas uma aeromoça. O itinerário é bem simples: rodar em círculos. Os aventureiros só podem desembarcar quando estiverem nas últimas.

Até eu entender o que se passava na história demorou um pouco. O começo estava muito confuso muito pelos diálogos entre os personagens que são recheadas de metáforas, ironias, sarcasmo e etc. Tinha esperanças de melhoras quando soube que a maior parte da história iria se passar dentro de um avião. Acabei quebrando a cara pois lá dentro a narrativa acabou mostrando-se mais insuportável que antes. 
   
Falando um pouco dos personagens agora. Dentro do avião encontra-se tipos variados de pessoas. Todas as grandes nações possuem representantes. O que para mim foi proposital porque cada um é um esteriótipo de cada localidade. O americano quer impor o seu modo de pensar; o francês não suporta ser criticado; o inglês é sempre muito arrogante e polido na presença dos demais, e etc. 
  
Apesar de ter uma temática surreal (o que me agrada bastante) não foi o que se passou durante a história. Muito parado, sonolento mesmo em pleno voo. Por muito tempo pensei que Madrapur pudesse existir mesmo. Mas isso foi desmentido tanto na narrativa quanto nas minhas pesquisas. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: Madrapur
 

Autor: Robert Merle
 

Páginas: 296
 

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro
 

Edição: Integral
 

Ano: 1976




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!
 

domingo, 1 de maio de 2011

A Terceira Expedição

No post do livro “Não Verás País Nenhum” disse que este era profético. Pois eu uso as mesmas palavras para retratar essa obra do francês (quase brasileiro) Daniel Fresnot. Se bem que essa história remete-nos a um futuro bem distante.

“A Terceira Expedição” conta a saga dos sobreviventes da guerra nuclear que atingiu o mundo todo. Estes sortudos estavam no interior de Santa Catarina quando tudo aconteceu. Segundo Mané a poeira demorou cerca de 1 ano para assentar. Quando a vida retomou ao normal a população resolve ir para São Paulo ver o que sobrou da cidade (pois o dono da fábrica aonde o protagonista trabalha viera de lá). E nisso o título é alto-explicativo. Foram necessárias três tentativas para que se conseguisse chegar ao destino. Uma vez em São Paulo coisas entranhas começam a acontecer com o comboio. 
   
Fresnot mostra grande conhecimento dos locais por onde a caravana catarinense passava. Descrevia certos detalhes como entrocamentos, retornos, estradas de terra e etc. A rota dos aventureiros faz um caminho normal até São José dos Pinhais. Alguns corajosos tentam entrar em Curitiba com roupas especiais mas não conseguem avançar muito na cidade e são obrigados a recuar. A partir deste ponto são obrigados a entrar no estado paulista via Tatuí. A uns poucos quilômetros da capital eles possuem duas opções: Raposo Tavares ou Castelo Branco. Optam pelo último para já desembocarem no Cebolão.

Para envolver o leitor no clima do romance, o autor trata-nos como sobreviventes dessa guerra (ou dirige-se à Teodoro, o cara que faz a pesquisa para a concepção do “livro” porém não creio nisso). No meio da narrativa algumas cartas entre conhecidos dão uma dica de como acabará essa romaria. 
   
É possível fazer um paralelo desta obra com o livro anterior “Viagens na Minha Terra”. A diferença está na ficção do primeiro que contrasta com a realidade deste. Quando a história é em primeira pessoa eu costumo confundir o personagem com o autor. Mas nesse caso fica bem evidente que não trata-se da mesma pessoa pois o protagonista não é estudado, sendo o famoso “peão” da fábrica. 

Achei alguns fatos no decorrer da história surreais, como, por exemplo, a turma do Mané conseguiu ligar um veículo trocando apenas uma bateria. Primeiro, não é fácil achar uma coisa dessas em bom estado para ser reutilizado. Segundo, achar um outro automotor com a bateria intocada, sendo ambos considerados como destroços da tal guerra nuclear é ganhar na loteca! Um outro ponto que quero citar trata-se do pó que as bombas levantaram. Se houver um conflito tão devastador assim, duvido muito que tudo assente-se em apenas um ano. E sem contar que nesta poeira há resíduos radioativos que podem ser levados de um lugar a outro. Vegetais, solo e água absorveriam tudo isso o que inviabilizaria o consumo minando a pouca vida sobrevivente. Mas ficção científica é assim mesmo: hoje podemos chamar de absurdo mas amanhã isso tudo será real. 
   
A minha paixão é a ficção científica pois (queiramos ou não) ela “modelou” a vida de hoje. Ideias consideradas insanas no passado hoje são realidade. Me acostumei a ler livros sobre a Segunda Mundial, a Guerra do Vietnã ou a guerra civil do Líbano, porém gosto de fugir um pouco da realidade e imaginar um mundo diferente, com acontecimentos diferentes, com pensamentos diferentes, ou até mundo totalmente surreal. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: A Terceira Expedição
 

Autor: Daniel Fresnot
 

Páginas: 169
 

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro
 

Edição: Integral
 

Ano: 1987


 

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Até a próxima!