domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Elixir da Longa Vida

Só quero deixar registrado um fato: quando eu peguei pela primeira vez “O Elixir da Longa Vida” e “Não Verás País Nenhum” (tema do próximo post) parecia que eram histórias que continham lições de vida. Mas me enganei. Apenas este último contém uma crítica, quase uma profecia. Foi a partir disso que cheguei a conclusão de que o Círculo do Livro abusava do poder de persuasão que um lay-out pode carregar. Ainda não sei dizer se isso é bom ou ruim.

A história fala de um gerontologista que descobre uma forma de prolongar a vida humana até os 150 anos, nomeada de C-98. Mas essa descoberta foi feita depois de 12 anos de pesquisas na região de Abkhazia até então território soviético. Logo o KGB fica sabendo de tal descoberta e tenta tomar posse dos papeis de Davis MacDonald. Porém ele consegue escapar para Veneza aonde é cercado e preso por comunistas locais num mosteiro. Numa tentativa surreal o gerontólogo põe um bilhete de socorro numa garrafa e atira-o ao mar. Numa outra insanidade, alguém em terra vê, pega, lê e resolve resgatá-lo. E nisso começa uma verdadeira sucessão de tentativas de fuga para Paris. 
 
Aí é que mora o problema. Quando você está lendo e percebe que o resgate do doutor pode acontece muito cedo você fica pensando como o autor vai ocupar o leitor até o fim das páginas (que desde o começo eu sabia que MacDonald não iria conseguir publicar a sua fórmula). E então começa-se a levantar as possibilidades de retirada dele da ilha (que se encontra cercada). No caos de ficar mudando de esconderijo a cada 12 horas surgiu em mim um certo ceticismo de como a polícia, junto com os mercenários locais, não conseguiram localizar o paradeiro do moribundo, apesar de tantos relatos de testemunhas. Mas também se achassem o cientista nas primeiras buscas o que seria do resto da narrativa? 
 
Além de tudo isso tem a questão moral do prolongamento da vida humana e suas consequências. É muito complicado tratar de assuntos desse tipo e esse blog não foi criado com tal finalidade e não quero me prolongar mais (pois o texto já está ficando grande). Mas vou resumir todo esse debate num trecho que retirei do livro:

Mas Veneza havia liberado os espectros obscuros também. Na mente e no coração de Jordan eles eram reais e muito aterradores. Prolongar a vida humana significava uma expansão monstruosa dos habitantes da Terra. Superpopulação sufocante. Escassez maciça de alimentos, desemprego, sofrimento, fome. Em troca, crime, violência, selvageria. Crise de energia. Lixo e sujeira apodrecendo o meio ambiente. Guerras constantes pela sobrevivência e guerras mais rápidas e sem sentido para equilibrar a taxa de natalidade perpetuamente em ascensão. Conflitos sociais. Perda de individualidade. A elite dos mais velhos. O tédio, a vida transformada num filme comprido demais.” 
 
“O Elixir da Longa Vida” é um livro igual e diferente dos demais. É igual porque está ligada de forma direta à Guerra Fria, tema quase unânime das obras lidas por mim até aqui. E é diferente pelo fato de fazer pensar um pouco e não apenas contar a história. Tirando o fato da fuga do professor, este livro poderia ser extraordinário. O que ele é, em partes.



FICHA TÉCNICA:

Nome: O Elixir da Longa Vida

Autor: Irving Wallace

Páginas: 350

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1979




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Até a próxima!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem Perdão

“Sem Perdão” é um livro de piadas de contos escrito pelo inglês Frederick Forsyth que possui a Irlanda como cenário de pelo menos 4 destas pequenas histórias. Mas há variação no espaço, revezando em territórios dentro do Reino Unido à ilhas perdidas no meio do Oceano Índico. 
   
Nesses contos Forsyth explora temas pessoais como a vingança, arrependimento e etc. fugindo do seu habitual estilo literário no qual trouxe-lhe a fama: espionagem e política internacional, sendo, em ambos os casos, o mais realista possível. Dentre as dez histórias que compõe na obra vou destacar as 3 primeiras.

1º) Sem Perdão: o conto que dá nome ao livro é justamente a primeira narrativa. Fala basicamente de um homem rico que quer conquistar uma mulher de origem humilde e leva o caso às últimas consequências. Não vou contar o final para não ser tachado de chato, mas uma coisa eu posso afirmar... foi muito hilário. Ri pacas
2º) Não Há Cobras na Irlanda: conta a chegada (fictícia) da primeira serpente na ilha trazida por um estudante indiano de medicina. O conto pode ser resumido nesse chavão: “O feitiço virou contra o feiticeiro”. Se você lê-lo irá entender melhor. Junto com a primeira história, formam a dupla que compõe o lay-out da capa (o nome e a ilustração).
3º) O Imperador: não entendi direito o motivo do nome mas o que me chamou a atenção foi o local da aventura: Ilhas Maurício. 99,8% das pessoas nem imaginam de onde começar a procurar no mapa. Aqui vai uma luz. Esse arquipélago localiza-se bem perto de Madagascar, na costa leste africana. Esta narrativa conta a história de um executivo inglês que resolveu tirar férias na ilha com sua esposa. Mas durante esse período algo acontece e faz o sr. Murgatroyd desistir da vida que levava.

Eu pus a expressão “de piadas” em tachado no começo do texto pelos contos possuírem um final cômico, principalmente o primeiro deles. Não sei se é excesso de humor negro em mim... mas não tive como segurar a risada quando terminava de ler cada história. 
   
Foi a minha segunda experiência com livros de contos. Me lembrou muito “Sagarana” de Guimarães Rosa (o único livro do gênero que já havia lido). Mas esse me fez rir bastante. “Sem Perdão” deixa muito livro de piadas no chinelo. Vale a pena ler (e dar risadas).


FICHA TÉCNICA:

Nome: Sem Perdão

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 258

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1982




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Até a próxima!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ninja Capa e Espada – Espionagem e Técnicas Marciais

O ninja é conhecido mundialmente por possuir poderes sobre-humanos, atravessar paredes, andar sobre a água, evaporar-se na escuridão e etc. Mas o que os filmes não mostram e o grande público não sabe é que as técnicas empregadas pelos seus discípulos são extremamente simples.

Basicamente os ninjas beneficiam-se de alguns comportamentos humanos e usam-as em seu benefício. Abusam da ilusão ótica que a combinação de capa e espada é capaz. Portanto eles não possuem poderes paranormais. É tudo na base da “enganação”. Isso é proposital para dar um efeito psicológico devastador no seu adversário. 
 
Dentre os 12 capítulos eu vou destacar 3 deles. O primeiro fala de como uma simples capa negra pode se tornar uma arma. (Só um detalhe: as fotos destas demonstrações foram feitas na claridade então estes truques parecem idiotas. Porém se considerarmos que um ninja nunca irá atacar de dia então faz um pouco de sentido... mas ainda assim a essência dos golpes é muito imbecil). O segundo é dedicado à espada. Neste capítulo há muitas ilustrações de como realizar os movimentos com ela no intuito de incapacitar ou liquidar o inimigo. Porém fica um pouco difícil nos basearmos em fotos pois temos que deduzir (por mais explicado que esteja) esses tais golpes. Nesse caso seria melhor um vídeo. E o último trata da “Penetração Sub-Reptícia” aonde há um tutorial de como o ninja pode se esconder em quaisquer espaços de um cômodo e efetuar seu investida sem ser desmascarado.

Antes disso tudo, porém, há aquele velho clichê de prefácio, introdução, história das artes marciais, os princípios da classe e etc. Este último adverte o leitor de que é condenável o uso dessa arte ancestral por ego. Ela é apenas um instrumento de combate onde criou-se um esteriótipo, de proveito próprio dos seus praticantes. 
 
FICHA TÉCNICA:

Nome: Ninja Capa e Espada – Espionagem e Técnicas Marciais

Autor: Ashida Kim

Páginas: 176

Editora: Ediouro

Edição: Integral

Ano: 1987




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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Selva Trágica

Eu já disse várias vezes que não costumo gostar de livros nacionais, não importa de qual época seja. “Selva Trágica” é uma exceção pelo simples fato de a história tratar da extração do mate. Sim! Aquele mesmo do chá. Muita gente não sabe da onde vem tal bebida. 

A narrativa descreve a o cotidiano sub-humano no qual estão sujeitos os que fazem a “colheita” da erva. Chega a ser impressionante como era o ganha-pão dos moribundos. Para conseguirem bater a cota diária eles tinham que levar na cabeça 150 kg de volta ao acampamento. Caso contrário eles não receberiam o valor integral da mercadoria.

Não identifiquei o espaço da aventura. Mas acredito que seja no Paraguai pois há algumas palavras em tupi e outras em espanhol, fora o dinheiro usado nas apostas das jogatinas... que era o guarani. Mas não há indício claro. A parte ruim foram os regionalismos que emperraram a minha leitura, mesmo com o glossário no final do livro. Vamos ser francos, ninguém pára de ler a história para consultar os significado de cada termo. Eu, por exemplo, fico sem entender, na esperança de que algo durante a história possa esclarecer a minha dúvida. Doce ilusão...“Selva Trágica” também serviu de base para o filme homônimo lançado em 1963. Mas eu não consegui achar muitas informações sobre ele. 

Para finalizar: se tem uma frase que resume o sentimento, a intenção, o envolvimento, a realidade dessa história, seria esta:
“A terra, o tempo, o sonho... seres humanos mergulhados
na tragédia de uma sobrevivência absurda.”,
que, não por coincidência, está na primeira página.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Selva Trágica

Autor: Hernâni Donato

Páginas: 232

Editora: Edibolso

Edição: Revisada

Ano: 1957





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