domingo, 27 de março de 2011

A Chave de Rebecca

Era (e possivelmente ainda o seja) comum o uso de código nas forças armadas de qualquer país. Na Segunda Guerra Mundial nem se fala. Era algo tão corriqueiro que haviam espiões triplos ou até quádruplos. O exemplo de livro mais fiel a essa metodologia é “Conspiração Telefone”. Mas como esse livro é uma ficção eu tive dúvidas sobre a existência do livro “Rebecca”.

“A Chave de Rebecca” conta as investidas de Erwin Rommel no norte da África em 1942, entre elas a famosa batalha de Tobruk. Além de simplesmente contar o que aconteceu com os nazistas em solo africano, Ken Follett bota mais um ingrediente na trama: a colaboração de um espião bi-nacional para furtar alguns documentos top secret do governo britânico. A missão de ambos é invadir o Egito (território sob domínio dos Aliados).

A história é dividida em três partes cada uma relatando um pouco do cerco das cidades envolvidas: Tobruk e Mersa Matruh aonde Rommel consegue os seus triunfos; e Alam Halfa no qual Rommel sai enfermo do campo de batalha e seus comandados recuam.

Seria mais uma obra sobre espionagem e guerra se não fosse o fato de Alex Wolff (o espião) não passasse tanta insegurança necessária para tal façanha. Durante toda a trama ele usou apenas uma faca. É muito bizarro pensar que ele conseguisse tanto sucesso com uma arma branca. E o mais impressionante ainda está por vir. O serviço de inteligência britânico não consegue localizá-lo mesmo sabendo seu nome e endereço verdadeiros, origem e contatos. Mesmo assim o alemão consegue dar um OLÉ nos aliados durante um bom tempo.

Como curiosidade eu fui verificar se o livro “Rebecca” realmente existiu. E para a minha surpresa ela é real, sido escrita por Daphne Du Maurier. Eu fiquei com o pé atrás nesse assunto pois não tinha certeza se havia problemas em citar livros alheios por causa de direitos autorias ou coisa do tipo. “A Chave de Rebecca” também foi adaptado para as telona sob o título “A Chave para Rebecca”. Eu imaginei que esse filme não tivesse ligação com o livro pela pequena troca de preposições (vai saber né? =[ ). Porém não possuo informações de elenco, prêmios, crítica ou coisa do gênero.

Foi minha segunda experiência com livros de Ken Follett. A primeira foi a coletânea de contos “Sem Perdão”, que poderia ser um livro de anedotas que não teria problema nenhum. Como essa obra também foi de boa leitura, considero muito o trabalho do galês.

FICHA TÉCNICA:

Nome: A Chave de Rebecca

Autor: Ken Follett

Páginas: 343

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1980




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Até a próxima!
 

domingo, 20 de março de 2011

A Águia Pousou

“Precisamente à uma hora da manhã de sábado, 6 de novembro de 1943, Heinrich Himmler, Reichsführer da SS e chefe da Polícia do Estado, recebeu uma mensagem em código simples: 'A Águia Pousou'.” É justamente assim que começa essa loucura alemã em um ato surreal para reverter o rumo da 2ª Guerra Mundial. 

“A Águia Pousou” conta a saga de um grupo de para-quedistas que deverão cumprir a missão mais louca de todos os tempos: sequestrar Wiston Churchill em 1943. Coordenado por, ninguém menos que Himmler, a ideia (desesperada) era que, com o premier inglês sob o poder nazista, os alemães pudessem mudar o curso do conflito, já que a essa altura eles sofriam baixas cada vez maiores. No decorrer da história você começa a perceber que em certos momentos os alemães usam de artimanhas para adentrar em solo bretão. Ignoram o Tratado de Genebra e vestem-se como soldados ingleses. Instalam-se nas proximidades de Norfolk para reconhecimento. Neste meio tempo de ambientação com o local e contato com a população, um desses soldados acaba expondo seu uniforme nazista. 
 
O que me chamou a atenção para tal exposição foi a tentativa do soldado de salvar a vida de uma criança que caiu num córrego. Isso contraria todo o esteriótipo de um cadete. É comum pensar que, em período de guerra, o militar combate e mata por puro prazer. Não é bem assim. Há vários subalternos que podem não concordar com as ordens recebidas mas deverá cumpri-las a seu contra-gosto, por medo de represálias ou por puro patriotismo. 
 
Outro aspecto, até certo ponto, bizarro é a de que os próprios mandatários subordinados de Adolf Hitler sentiam ódio do Führer pelo modo como a guerra desenrolou-se, chegando à possibilidade de assassinato do líder. Isso prova que ele só conseguia alienar os ignorantes, que possuíam uma outra imagem sua. Quem era da alta cúpula nazista já possuía uma totalmente diferente. 
 
Antes de eu começar a leitura pesquisei para saber do que se trata o livro. Quando vi que se referia a essa incrível façanha dos alemães logo fiquei curioso em saber porque o plano não vingou (eu já sabia o final pois, como foi baseado em documentos, nunca ouvi falar desse plano em nenhum livro didático ou similares). 
 
No início do livro o autor deixa uma observação de que 50% dessa história é documentada. E cabe a nós analisarmos o restante. A minha opinião nisso tudo é universal: o real constitui os resultados/fatos/desfechos; o irreal são os diálogos e os meios que fizeram chegar a tal. E para quem restar um ponta de dúvida, o primeiro capítulo e o último são em primeira pessoa, passando ao leitor uma veracidade maior.

Caso durante a leitura dê vontade de pesquisar a biografia do primeiro-ministro inglês para tirar a limpo tudo isso, você não irá encontrar nada. Porque (o próprio livro esclarece isso) Churchill encontrava-se no Oriente Médio no fim de semana dessa operação. Quem estava no seu lugar era um comediante sósia, contratado pelo governo de Sua Majestade, para se passar propositadamente por Wiston. Caso algo ou alguém o matasse teria pego o alvo errado. Ideia genial! O que a guerra não faz no homem?Bom, 


FICHA TÉCNICA:

Nome: A Águia Pousou

Autor: Jack Higgins

Páginas: 392

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1975




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Até a próxima!

domingo, 13 de março de 2011

Triângulo

Não lembro-me de já ter dito isso (acho que sim) mas toda informação é válida para entender o motivo de judeus e árabes se odiarem tanto. Eu gosto de ler qualquer coisa sobre isso, seja notícia, documentos históricos, histórias, livros e etc. Apesar de eu possuir uma teoria sobre o que acontece, não sei se estou no caminho certo. Então continuo procurando mais textos para encontrar uma explicação. Este livro, apesar de ser meio real, meio ficção, ajudou, à seu modo.

“Triângulo” conta a saga israelense na busca por urânio para produzir bombas nucleares a partir de um (falso) boato internacional de que o Egito já teria produzido a sua e tencionava utilizá-la contra Israel. Nisso, o governo sionista convoca um espião para achar uma fonte do minério que possa ser encoberto para não gerar revolta da comunidade internacional. Porém, não obtém êxito. A única saída é bolar um plano miraculoso com o intuito de sequestrar um navio com a preciosa carga. Mas, também por meio da espionagem, os muçulmanos acabam descobrindo a artimanha e tentam “salvar” esse cargueiro e posteriormente denunciar o estado judeu ao mundo. 
 
Apesar de o livro ter todos os ingredientes para uma história excelente, não o foi em sua totalidade. A primeira metade da história é muito parada por ser justamente a parte da concepção do plano de roubo, aonde o espaço da história localiza-se entre Luxemburgo, Reino Unido e a França. A narrativa só melhora (e muito) quando vamos para alto-mar com a execução do plano de Nat Dickenstein. Nesse meio tempo Nat envolve-se com a filha do seu ex-professor no qual os israelenses suspeitam de simpatia com a causa árabe.

Como o uso de palavras, hábitos e locais sionistas, lembrou-me “Exodus” que se passa naquela mesma região e também há uma parte da história que transcorre em alto-mar. Porém este é (podemos dizer) mais patriota pois conta toda a trajetória para a formação do Estado de Israel; aquele se concentra mais na fabricação da bomba nuclear. 
 
Apesar de suspeitar de como seria o desfecho, me senti preso à história.
Odeio finais óbvios como finais felizes ou tristes. Mas no fundo a gente acaba torcendo para que os mocinhos vençam. Odeio admitir isso!


FICHA TÉCNICA:

Nome: Triângulo

Autor: Ken Follett

Páginas: 385

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1979




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domingo, 6 de março de 2011

Não Verás País Nenhum

O aumento da temperatura terrestre vem causando furor na humanidade. Uns dizem que o aquecimento global é uma farsa e outros argumentam que é o fim do mundo. Todos nós já ouvimos relatos disso tudo e de suas possíveis consequências. Mas creio que não há experiência melhor, em visualizar o futuro macabro que nos espera, do que ler este livro (profético).

“Não Verás País Nenhum” conta a história de Souza, um burguês que perde seu status e acaba virando mendigo numa São Paulo do amanhã. Mas o que interessa aqui não é a trajetória do protagonista, mas sim o que ele nos conta. E o que acaba nos mostrando é uma cidade deteriorada, insuportavelmente quente e super-populada. Há tanta gente que o Esquema (sistema de governo vigente) introduz as fichas de circulação, geralmente restritas apenas à região de residência do portador. Nesse futuro não haverá água que acabou sendo substituída por urina reciclada. E o calor é tanto que o governo inaugura uma obra faraônica, chamada de “A Grande Marquise” para proteger os moribundos do Sol.

Nessa narrativa, o autor passa sensação de que tudo, nesse amanhã negro, é padronizado, tudo muito controlado, rígido, robótico. Não existe mais o direito da livre circulação, pois não há espaço para tal façanha. Souza também se tornou (a meu ver) um esteriótipo do brasileiro, que mesmo descontente com os governantes, aceita de bom grado tudo o que estes dão àqueles (mais por impotência do que por vontade). 
 
O livro, no geral, é muito pessimista, o que realmente será o nosso futuro se andar conforme o roteiro. Mas mesmo nessa obra há uma luz no fim do túnel quando nas últimas páginas Souza sente a umidade aumentar indicando que haverá chuva dentro de pouco tempo. Mas na realidade talvez não haja essa ponta de esperança. Essa publicação tem muita coisa em comum com outro livro escrito por Daniel Fresnot, “A Terceira Expedição”, que fala de um Brasil pós-Guerra Nuclear. Falarei desta história futuramente. 

Como havia dito no texto anterior, eu pensava que “Não Verás País Nenhum” e “O Elixir da Longa Vida” fossem ter lições de vida ou um fundo moral. Mas apenas a obra de Loyola Brandão possui tal mensagem. Este livro é daqueles que marca a vida do leitor e comigo não foi diferente. Quando eu presenciar todas essas catástrofes irei lembrar desta história. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: Não Verás País Nenhum

Autor: Ignácio de Loyola Brandão

Páginas: 328

Editora: Codecri/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1982





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