Quem gosta desse arquipélago localizado no meio do oceano Pacífico, um dos locais mais meridionais da Terra, um dos locais mais isolados e o estado norte-americano mais distante da capital federal, deve ler esse livro homônimo. Livro este que impõe respeito, tanto pela sua história, quanto pelo seu tamanho.
Para começo de conversa, “Havaí” é, por enquanto, o livro mais longo que li com 1024 páginas. E essa narrativa, obviamente, conta a história, fictícia, de formação do arquipélago, desde a formação rochosa até o processo de união aos EUA como o 50º estado. Para isso são necessárias 6 partes. A primeira parte relata a formação geológica da ilha. A parte seguinte conta como os primeiros taitianos chegaram ao Havaí por volta do ano de 750 d.C. A terceira narra a chegada dos primeiros missionários protestantes ao arquipélago na década de 1820. Na quarta parte, mostra como os chineses foram parar em tal ilha e na quinta parte faz-se o mesmo com os japoneses. Já na última parte do livro tem um enfoque maior em todo o processo para a união do arquipélago junto à federação.
O curioso disso tudo é que o autor não é natural do Havaí. Pois é! James Michener nasceu na Pennsylvania. A impressão que dá é que quem escreveu presenciou tudo o que aconteceu no livro de tantos detalhes da vida cotidiana da ilha. É realmente difícil de acreditar que o autor dessa magnânima obra não seja de lá.
Agora, quero ressaltar duas passagens do livro. A primeira cita que o alfabeto havaiano possui por volta 13 letras, por isso há repetição delas numa mesma palavra (Honolulu, Kamehameha, etc). A segunda refere-se a como os leprosos eram tratados na época da Segunda Guerra Mundial, onde eles eram levados para uma ilha isolada, habitado apenas por outros portadores da doença e alguns acompanhantes voluntários (grande parte formados por familiares).
Outro fato bastante curioso citado no livro refere-se ao nome de um líder indígena local chamado Kamehameha. Quem assistiu Dragon Ball entendeu o que eu quis dizer. Mas para quem não assistia, vou dar o “gabarito da piada”. Kamehameha (acho que é assim que se escreve) era um nome de um golpe de energia muito poderoso.
O que confunde a leitura desse livro são os nomes dos personagens ao longo da história, principalmente aqueles com ascendência branca. Os nomes dos filhos, netos, bisnetos, tataranetos e etc. dos missionários eram sempre derivados dos nomes e sobrenomes dos mesmos. E o agravante é que eles só se casavam entre si, quase não havendo casamentos entre brancos e nativos. Mas o que faz retirar parcialmente a minha crítica é o fato de no final do livro ter uma árvore genealógica de todos os principais personagens da narrativa (polinésios, brancos e asiáticos). Mas que ainda assim causam muita confusão.
Precedendo a história há uma nota esclarecendo que a narrativa é fictícia em fatos e em nomes, mas não no espírito. Apenas um personagem foi baseado em uma pessoa real. À primeira vista me impressionou o tamanho do livro, mas quando comecei a ler, torci para que não acabasse mais.
Ah, depois disso tudo você quer saber a minha opinião do livro? Está bem, aí vai: E-X-C-E-L-E-N-T-E!
Título: Havaii
Autor: James A. Michener
Páginas: 1024
Editora: Record/Círculo do Livro
Edição: Integral
Ano: 1983

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