quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Arquipélago Gulag

O Arquipélago Gulag não é um conjunto de ilhas como é bem comum ser confundido. Alexandr Soljenítsin usa a expressão como metáfora para designar os vários campos de trabalho forçado que existia na Sibéria na época stalinista. Aliás era mais fácil você ir para esses tais presídios do que ficar em liberdade.

“Arquipélago Gulag” é um relato do dia a dia de 66 milhões de pessoas que tiveram a infelicidade de passar períodos de suas vidas nesse inferno sem realmente cometer um crime. As autoridades possuíam N argumentos para prender qualquer cidadão em qualquer local. Ia-se preso por xingamentos alheios, por discussões em público, por brigar no trânsito, contato com pessoas sob investigação, trabalhos em locais chave e etc. Enfim, tudo o que poderia por em risco a URSS, por mais banal que seja o ocorrido.

A minha primeira ideia que veio logo nas primeiras páginas era de tratar-se de um livro de memórias. Mas não é bem assim. Há alguns fatos que ocorreram com Alexandr. A maioria delas fala de terceiros, pessoas que Soljenítsin conviveu. As experiências de vida do autor aparecem pouco durante a narrativa. Outro fator que desestimula a leitura são as circunstâncias que precisam ser expostas para que o resto do livro faça sentido. 
 
Antes de ler essa obra descobri que todo o relato do “arquipélago” possui 1800 páginas. Porém o livro que eu tenho não passa das 610. Então, corri atrás das partes que faltavam. O porém é que não há nenhuma continuação com o nome de “Arquipélago Gulag”. Essa continuação deve estar sob o disfarce de um outro nome.

Eu criei uma expectativa enorme logo que soube que a obra tinha como cenário a imensidão da Sibéria. Porém as exposições e os esclarecimentos que Soljenítsin teve que fazer deixaram a narrativa chata. Mesmo assim quero terminar de ler todo o relato desse russo que fala por 66 milhões de pessoas que adentraram os portões do Arquipélago.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Arquipélago Gulag

Autor: Alexandre Soljenítsin

Páginas: 608

Editora: Livraria Bertrand/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!


2 comentários:

  1. Gostei da proposta do seu blog e desse post, que é o primeiro que tenho a oportunidade de ler. No começo da leitura, fui lembrando de ´´1984``, de Orvell, um livro que me deixou preso e ao mesmo tanto angustiado de curiosidade para entender mais daquele período. Acho que pode se dizer o mesmo desse arquipélago mesmo se tratando de um livro que não tenha correspondido suas expectativas. Esses livros sobre períodos de ditaduras podem ter esse efeito mesmo sendo que em alguns talvez a narração e a descrição seja um tanto quanto imprecisa ou mal construída, o que atrapalha a leitura.

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  2. Primeiramente, obrigado por ter lido e comentado Marcus!
    O grande porém desse livro é a narrativa. Ela é muito arrastada, o que afasta o leitor. O que potencializa isso são as expressões que não fazem sentido quando traduzido para o português. Há algumas diferenças culturais que atrapalham bastante. Apesar disso tudo eu queria terminar de ler para ter uma ideia mais clara do que o Arquipélago, mesmo não sendo um dos meus livro preferidos.

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