domingo, 17 de outubro de 2010

O Sequestro do Metrô

Quando vi pela primeira vez a capa e o título desse livro pensei que a história seria fraquinha, fraquinha. Com muitos clichês, vergonhas alheias e coisas do gênero. Mas ainda bem que me enganei. Eu deixei de ver jogos do Mundial da África do Sul para lê-lo. Como consequência, foram 424 páginas devoradas em 4 dias e meio, o que dá 84,8 páginas diárias (coisa que não irei repetir mais). Sendo que minha média gira em torno de 35 a 40. 
   
Mas o que me fez ler tanto assim?

Resposta: NÃO SEI!

Eu lembro que li este livro na época da Copa do Mundo e eu deixava de ver alguns jogos sem importância para ir ler. Mas o que mais me chamou a atenção o fato da história conter ponto de vista de quase todos os personagens dentro daquele vagão do metrô, desde a prostituta até o ancião. Não me recordo de nada parecido. 
 
Para começo de conversa essa narrativa passa-se dentro do metrô (lógico!) mais antigo do mundo: o de Nova York. Na década de 70 essa cidade não era grande coisa, tenho a sensação que era como a cidade de São Paulo é hoje, suja, cinzenta, violenta, mau conservada, com desigualdades sociais muito fortes e um sentimento de racismo contra negros, latinos e mestiços muito difundido. Isso só começa a mudar lá por meados de 1990, vinte anos depois. 
 
Na narrativa, o autor passa a impressão de um sistema metroviário organizado, porém muito deteriorado, aonde apenas a escória populacional frequenta. Tem um final muito clichê. Porém tenho que ressaltar o fato de eu ter ficado curioso pela forma de captura dos sequestradores, o que durou até a última página (literalmente!).

Falando do autor, John Godey era um pseudônimo de Morton Freedgood pois ele queria separar os romances policiais dos livros “sérios”, escrevia esse gênero desde 1940, não obtendo êxito algum. Mas em 1973, quando lançou “O Sequestro Do Metrô”, a sorte deu as caras. Logo tornou-se best-seller e dois anos depois foi adaptado às telonas. Aliás se você jogar esse título em qualquer site de pesquisa irá aparecer mais referências sobre filme e não do livro.

Além, do mais Godey revelou uma vez que quando começou a esboçar este romance não tinha o final definido. E a facilidade com que descreveu as localidades e os deslocamentos deve-se ao fato de ser natural de Nova York e de ter morado em 4 dos 5 distritos da “capital do mundo”.

Como eu disse no começo do post, eu nunca mais irei igualar essa marca de 85 páginas lidas por dia. Muito pelas minhas obrigações do dia a dia e de meu tempo ocioso ter diminuído. Mas, com esses números posso dizer, sem dúvida alguma, que esse livro é um dos melhores que já li. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: O Sequestro do Metrô

Autor: John Godey

Páginas: 424

Editora: Nova Época/Círculo do Livro

Edição: 2ª

Ano: 1975




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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Negras Raízes

Você já pensou em vasculhar a árvore genealógica de sua família? Não começando pelos parentes mais longínquos que você possa se lembrar. Estou falando em ascendentes que você nunca imaginou ter existido, que viveram há 7 ou 8 gerações. Parece impossível? Mas para Alex Haley não foi. Este livro é a prova. 
 
Para começo de conversa Alex Haley não partiu do nada. Ele possuía uma base para suas pesquisas: o nome do suposto antepassado que veio da África contado por seus tios e avós quando era criança. Com essa informação foi mais fácil (ou menos difícil) achar o paradeiro de seus ascendentes até chegar a Kunta Kinte em Gâmbia. A partir desse ponto Haley começou a contar com a sorte. Como o governo gambiano não possui registros oficiais de nomes daquela época, ele teve que recorrer à uma espécie de contadores de histórias. Essas pessoas idosas possuem gravadas na memória os acontecimentos de todo um clã. Digo todo um clã mas é todo o clã MESMO... desde sua origem independendo da data (seja 1970 ou 1345). É de impressionar realmente. Então Alex achou um desses anciãos que era especialista de toda a história do clã Kinte, cintando o seu tataravô que foi raptado e levado para a América. 
 
É óbvio que nem tudo relatado no livro realmente aconteceu. Os locais, os nomes e os deslocamentos são reais mas os diálogos, não. Tanto é que certas passagens de “Negras Raízes” se parecem com alguns trechos do livro “The African” e consequentemente foi acusado de plágio que só serviu para aumentar a fama daquele.

Se algum afrodescendente brasileiro quisesse fazer a mesma coisa iria acabar esbarrando numa barreira intransponível: em 13 de maio de 1891 todos os arquivos relacionados à escravidão foram queimados por determinação do então ministro da Fazenda Rui Barbosa. Ou seja se algum antepassado seu chegou por aqui antes dessa data ficará mais difícil quaisquer pesquisas. 
 
Aqui vai alguns aspectos físicos do livro: possui 108 capítulos (isso mesmo!) mas “apenas” 646 páginas, sendo que cada capítulo gira em torno de 4 a 6 páginas. Com esses números “Negras Raízes” é o terceiro livro mais longo que li até hoje. Outro aspecto curioso, digamos assim se trata da data de lançamento do livro: 1976, ou seja o bi-centenário da independência norte-americana. Com isso o autor dedicou essa obra, com mais de 10 anos de pesquisa, à sua nação. No mesmo ano Haley ganhou o prêmio Pulitzer por essa narrativa. 
 
Em toda a sua vida, Alex Haley escreveu apenas esse romance. Mas ele redigiu a “Autobiografia de Malcom X” Portanto, se você gostou de “Negras Raízes” e quer pesquisar outras obras do mesmo autor... sinto desapontá-los mas, não há outros. Mas, convenhamos, só por este já vale por outros milhões que ele viesse a escrever, pelo seu esforço e dedicação nesses 10 anos de pesquisa e por sua origem africana que muita gente sente vergonha. 

 
FICHA TÉCNICA:

Título: Negras Raízes
 

Autor: Alex Haley
 

Páginas: 646
 

Editora: Record/Círculo do Livro
 

Edição: Intergral
 

Ano: 1976




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domingo, 3 de outubro de 2010

Casa Nobre I

Eu pensei muito antes de escrever este post pois “Casa Nobre” tem dois volumes... e só li o primeiro. Ou seja meu texto ficaria incompleto. Eu poderia tirar conclusões precipitadas com relação à história. Mas resolvi fazer mesmo assim e quando ler a segunda parte completarei o raciocínio contido aqui.

Primeiramente, “Casa Nobre” se passa em Honk Kong, ou seja, fora da conurbação Europa-EUA. Conta a história da maior empresa da região (fictícia) em decadência. A salvação corporativa está em uma mega-parceria com uma gigante norte-americana. Mas as concorrentes querem ver a Struan no chão tentando, a qualquer preço desfazer esse negócio. Essas duas companhias não são apenas adversárias... são INIMIGAS. 
   
Esse foi um dos pontos positivos do livro, junto com o espaço da história. Um outro fator interessante é a descrição de como uma grande empresa é controlada, como a alta cúpula comanda, agita, influencia, mascara as suas artimanhas para conseguir o que quer sem muito esforço e sem muita dó. 
 
Apesar da narrativa se passar em Hong Kong metade das personagens são inglesas (Hong Kong pertenceu ao Reino Unido até 1997), ou seja, há relatos de hábitos ocidentais muito familiares para nós. Mas também o autor expõe um pouco dos hábitos chineses presentes na vida cotidiana da península. Um desses costumes que mais me chamou a atenção foi o de cuspir toda vez que a garganta der aquela arranhada, pois os chineses acreditam que há um deus maligno nesse escarro e então é necessário se livrarem dele. Por isso é comum (pelo menos no livro) ter uma escarradeira, assim como o cinzeiro é para nós (nota: sou completamente anti-tabaco!).

E para finalizar... simplesmente não posso finalizar pois como eu havia dito no começo do texto para uma completa compreensão dessa história eu preciso ler o segundo volume. Este post vai ficar incompleto por esse motivo. Ou seja eu entendo se você não gostou dessa conclusão.


FICHA TÉCNICA:

Título: Casa Nobre I
 
Autor: James Clavell
 
Páginas: 701
 
Editora: Record/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1981





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domingo, 26 de setembro de 2010

O Morro dos Ventos Uivantes

Pense num livro chato... e multiplique isso por 372. Pronto! Você obterá “O Morro dos Ventos Uivantes”! Olha, nem preciso pensar muito para dizer que essa história foi sofrível. Estou para conhecer um mais insuportável. 
 
Eu tinha sorte quando ia ler uma narrativa estática, aquelas que dão muito sono logo após tomar um litro de chá mate, porque eram, em geral, curtas (Irmã Monika, Os Lusíadas, Cinco Minutos, Dom Casmurro e etc.), ou seja, meu sofrimento durava pouco. Mas esse não! DEMOREI 20 DIAS PARA LER TUDO!! NO MESMO PERÍODO DE TEMPO CONSEGUI TERMINAR “Havaí” QUE TEM TRÊS VEZES MAIS PÁGINAS!!! Tinha noite que eu não queria continuar folheando aquela narrativa, em vez disso eu lia gibi da Turma da Mônica. Para ter-se uma ideia, a minha média de leitura desse romance foi de 18,6 páginas por dia enquanto a média “normal” é de 41,9. Olha a diferença.

A história basicamente é contada em flashback. Apenas uns poucos capítulos no início e no fim são contemporâneos. E por causa disso eu fico pensando, por que Elis Bell (Emily Brönte) não fez uma cronologia simples? É lógico que tem algo por trás disso tudo porque eu sou ignorante em aspectos mais complexos das histórias (não estou sendo irônico). Isso é reforçado pelo fato de “O Morro dos Ventos Uivantes” ter, ainda hoje, uma boa vendagem e ser considerado um clássico inglês apesar de não poder se classificado em nenhuma escola literária da época (1845).

A narrativa em si conta a história de uma granja (Thrushcross Grange) no interior da Inglaterra. Mostra os acontecimentos nesta localidade durante quase 50 anos. É contada por Ellen Dean (testemunha ocular de tudo) em primeira pessoa. Foi isso que mais me irritou. O relato do cotidiano de uma família típica do século XIX, aonde não há muitos deslocamentos espaciais e nada de tão dinâmico acontece. Tanto é que enquanto conta tudo, ela tricota. Para mim soou como um indício de que nem ela, que é a narradora, tem interesse na história. 
 
Ainda por cima, essa história foi base para diversos filmes desde 1938 e com direito até um remake feito pela MTV. Aqui no Brasil serviu como base para duas telenovelas: o homônimo transmitido pela extinta TV Excelsior em 1967; “Vendaval”, exibido pela TV Record em 1973.

Apesar de toda essa glória que o livro carrega, eu detestei demais a história. É apenas uma questão de gosto. Vivo no século XXI onde tudo é dinâmico (a internet representa isso) e a história é da década de 1840 transcorrida no começo daquele século. Imagina o choque de culturas que ocorre. 
 

FICHA TÉCNICA:

Título: O Morro Dos Ventos Uivantes
 
Autor: Emily Brontë
 
Páginas: 372
 
Editora: Cedibra/Círculo do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1845




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domingo, 19 de setembro de 2010

A Galeria DelCorso

Depois da II Guerra Mundial, a Guerra do Vietnã é o conflito que ainda mais dá margem à discussão. Eu tinha uma curiosidade em saber o que fez o exército mais poderoso do mundo sucumbir diante dos vietcongs. Uma guerra que gerou milhares de protestos ao redor do globo, influenciando uma geração conhecida por “paz e amor”.

Primeiramente, Philip Caputo foi repórter antes de tornar-se escritor. Entre seus trabalhos, esteve na queda de Saigon. É justamente esse o principal pano-de-fundo desse romance (pois há outros). “A Galeria DelCorso” narra a saga de um fotógrafo que não mede esforços para conseguir o que quer: a melhor foto. E é justamente isso que causa a sua morte no final do livro (sim, eu tive que contar... desculpem-me!) quando Nick DelCorso cobre a guerra civil do Líbano.

Aliás, falando desse conflito, a única coisa que tenho conhecimento se trata de uma disputa entre católicos e muçulmanos. Só isso. O que é relatado na narrativa. Muita gente nem sabe localizar esse país no mapa. Quando era mais novo confundia Líbano com Libéria, sendo que este é uma nação africana e aquele localiza-se no Oriente Médio. 
 
Por ter dois conflitos pós-II Guerra, me agradou bastante conseguindo prender a minha atenção durante boa parte do livro. Digo boa parte pois no “meio” da história Nick se recupera de um acidente em sua casa nos EUA. Nessa hora a narrativa torna-se chata, parada e sonolenta, descrevendo a briga conjugal e divergências sobre a educação de seus dois filhos. Mas logo após ele parte para o Líbano e tudo volta ao normal!

A Galeira DelCorso foi um dos poucos livros que me fascinaram principalmente por fugir dos “lugares-comuns” (EUA, UK, Rússia e França) e colocar como pano-de-fundo dois países que ninguém dá muita importância atualmente. Aliás, os livros de que mais gosto de ler foram escritos por ex-repórteres (foi assim com Ernest Hemingway e Martin Cruz Smith), pois eles já passaram por muita coisa e possuem bagagem para escrever histórias localizadas no outro lado do planeta, e não apenas descrever o que acontece no seu bairro. 

 

FICHA TÉCNICA:

Título: A Galeria DelCorso

Autor: Philip Caputo

Páginas: 374

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1980





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