terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Casa Da Rússia

Logo que vi na capa o nome de John le Carré veio à minha mente lembranças de “A Garota do Tambor”. Porém, desta vez parecia ter cara de uma história típica dos anos da Guerra Fria, espionagem e contra-espionagem. Então eu me animei, com esperanças de que este livro seria melhor que o seu antecessor. Mero engano.

“A Casa Da Rússia” fala sobre a Casa da Rússia e o projeto Pássaro Azul (neste caso não é o Twitter, hein!). Não entendi direito o que estes dois projetos têm como objetivo. Mas, por dedução, seria algo como a defesa do mundo ocidental. Aumentado pelo fato de Katya possuir um livro escrito por Dante (Goethe) seu ex-amante e querer entregá-los à Barley Blair, um editorador britânico. Este livro expõe várias vulnerabilidades do sistema de defesa soviético o que acaba envolvendo Blair com o Serviço Secreto Britânico.

O livro me prendeu pouco. Não consegui manter muita concentração depois do primeiro terço da trama. Muito por causa da falta de dinâmica. Eu não vi nenhuma ação, ficou tudo na teoria. Sei que muitas vezes o trabalho da contra-espionagem é tedioso e muito hipotético. Mas há também as atividades de campo, o qual acaba sendo muito mais empolgante. Os romance que retratam esse lado costumam ter mais êxito (em mim).

Não sei se agi de má-fé neste livro pois eu fiquei com as impressões de “A Garota do Tambor”. A narrativa começou bem mas não manteve o ritmo até o final. E o desfecho conta muito na análise de uma história. Muitas vezes o miolo do livro pode ser um pouco maçante. Porém se tiver um bom final (o que muita gente pensa que é o bem vencendo o mal) ou, pelo menos, um final lógico as cotações do livro sobem mesmo não merecendo tais status. Mais uma vez John le Carré não me agradou mesmo este romance sendo melhor do que o seu anterior.

FICHA TÉCNICA:

Nome: A Casa da Rússia

Autor: John Le Carré

Páginas: 366

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1989





DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Guia Dos Curiosos - Língua Portuguesa

Não me lembro ao certo quando eu comecei a interessar-me pelas curiosidades da língua portuguesa. O pouco que eu sabia sobre origens de algumas palavras me fez a querer conhecer um pouco mais do latim. Foi esses os dois principais motivos para eu comprar esse livro.

Esse é o meu segundo volume da série “O Guia Dos Curiosos” de Marcelo Duarte. O outro volume que li é o mais extenso de todos e trata de tudo um pouco, como eu disse aqui há um mês. Eu tive grande expectativa em começar a ler logo esse livro para saber sobre a evolução do português desde o galego, e de outras línguas, tanto latinas, como germânicas, eslavas e etc. 
 
A minha leitura começou bem, com o capítulo sobre parentescos dos idiomas, línguas mortas e artificiais e algumas expressões em latim que usamos até hoje. Outra parte em que eu botei muita fé em ser a melhor do livro era a dos ditados populares. Não vingou. Muito porque pouco deles fazem referências àquilo que significam. Ou seja, eles foram modificados ao longo do tempo, trocando de palavras, letras, engolindo alguns caracteres, possuíam um outro significado e por aí vai.

Por eu já ter lido o “livro-chefe”, alguns verbetes apareceram novamente. Não reparei se tinham alguma modificação ou se tinham complementos. Parece-me que não. Este volume contém mais textos do que o primeiro livro. Então a minha leitura foi menos rápida. Dentro disso tudo, ainda tiveram alguns erros estranhos em dois tópicos. Umas delas está no verbete da síndrome de Down e a segunda encontra-se na parte relacionada ao Pico da Neblina. Ainda parei para pensar se eu poderia ter cometido um erro de interpretação ou se esses equívocos são toleráveis. Depois disso eu fiquei com um pé atrás sobre tudo o que lia porém cheguei a conclusão de que não devo ser tão desconfiado assim. Esses delizes não interferem no resto da série.

Eu me empolguei bastante com a série “O Guia Dos Curiosos”. Quis comprar os oito volumes que o compõe mas resolvi pisar no freio e voltar a ler romances que estão na fila. Postarei ainda um texto sobre o volume “Invenções”. Apesar de não ter sido aquilo tudo que eu imaginei continua sendo uma ótima opção de leitura.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curiosos – Língua Portuguesa

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 440

Editora: Panda Books

Edição: 2ª

Ano: 2010





DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os Tolos Morrem Antes

Mario Puzo é lembrado pela sua obra-prima “O Poderoso Chefão”, que fez sucesso tanto nas livrarias como nas telonas, Vencedor de 3 Óscares e 5 Globos de Ouro além de ser escolhido pelo Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos para a preservação da película. Porém, o romance eleito o seu favorito foi este.

“Os Tolos Morrem Antes” conta a história de John Merlyn, órfão que tornou-se um escritor de sucesso, tendo o seu livro adaptado para o cinema sem êxito. Antes de transformar-se em um literato, Merlyn tenta seguir os passos de seu irmão mais velho, Artie, no qual considera a pessoa mais correta do mundo. Porém, acaba se envolvendo com subornos, encrencas judiciais e até arruma uma amante (coisa que recusou-se a fazer nas suas estadas em Las Vegas, apesar da pequenas que lá existiam) durante as adaptações cinematográficas de seu romance. 
 
No começo do livro, há um enfoque especial em Jordan, jogador que acaba ganhando US$ 400 mil nas mesas de apostas e acaba suicidando-se horas depois no seu quarto. Com isso, tive a impressão de ser ele o protagonista da história, até porque Cully Contagem e Merlyn ainda relembram os feitos do falecido. Contudo, só no terceiro livro é que me dou conta que John Merlyn é o real herói da trama. 
 
O livro teve suas variações durante a cronologia. Quando a história fixava-se em Las Vegas ou ficava nas questões de jogo ou de amizade entre Cully e Merlyn a trama era muito empolgante, pelo simples motivo de envolver jogos de azar, de cartas e todo esse mundo dos cassinos. A história perde fôlego quando Merlyn vai para Hollywood e envolve-se com Janelle, uma atriz secundária. Entre as idas e vindas dos estúdios de filmagem, ela conta algumas histórias à ele, fugindo da linha de raciocínio da obra. Em meio a esse tédio todo, Cully aparecia para dar mais dinâmica à história, sendo pedindo ajuda ao protagonista ou mesmo um favorzinho simples. 
 
Um fato curioso é que esse livro teve muitas mortes de personagens não -relacionados, ou seja, eles morriam em consequências diferentes e com um espaço de tempo razoável. Entre eles estão Artie, o seu irmão mais velho, que morre de infarto (se não me engano), Osano, um escritor mulherengo, que almeja o prêmio Nobel e, o mais notório deles, Jordan, o sortudo jogador que suicida-se. Esse ponto difere das mortes em combates, de explosões ou acidentes automobilísticos e de avião. Junto com todas essas mortes, eu pensava que Merlyn teria o mesmo fim ou iria pagar por tudo o que ele fez de um forma bem cruel. Mas ele sobreviveu a tudo por um simples motivo: ele é Merlyn, o Mágico.

Pode parecer estranho mas eu associei Merlyn ao autor, pensando que esta obra trataria-se de uma auto-biografia, sendo que Puzo também é um jogador declarado. E esse raciocínio ganha muito mais impulso por essa frase: “Tenho duas razões para continuar a escrever as histórias que tenho para contar: primeiro, porque me divirto; e segundo, porque cheguei à conclusão de que ler é muito melhor que comer, beber, jogar e ter mulher. Enfim, tudo o que já conheci na vida”. Mas ainda assim são argumentos fracos, tanto que abandonei essa ideia.

Por mostrar a vida de Las Vegas, o lado bom e o lado ruim dos jogos de azar e por ter um final realista, este livro figura entre os meus favoritos. Tiro, também, o meu chapéu para esse incrível escritor que consegue fazer obras magníficas e merece ter seu nome vinculado entre os grandes da literatura universal. 

FICHA TÉCNICA: 

Nome: Os Tolos Morrem Antes

Autor: Mario Puzo

Páginas: 572

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1978




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!

domingo, 20 de novembro de 2011

O Guia dos Curiosos

Normalmente o curioso é conhecido por dizer “por que?” mais vezes que a própria respiração permite. Quando você vai crescendo outras palavras vão sendo adicionadas para fazer a mesma indagação. Mas Marcelo Duarte não deixa por menos e responde à todos os pronomes interrogativos existentes na língua portuguesa. 

“O Guia dos Curiosos” fala sobre... o título diz tudo. O que é normal qualquer leitor pensar à primeira vista é de tratar-se de um livro com dados históricos e científicos. Mas não só isso. Esta obra possui 20 capítulos abrangendo diversas áreas, desde astrofísica até invenções e esportes. As melhores partes do livro são algumas coincidências bizarras e engraçadas, assuntos ligados ao dia a dia, os capítulos sobre poder, medidas e o Universo. E logo no começo há alguns números das vendas da primeira edição de “O guia dos Curiosos” lançado em 1995, o que me entusiasmou bastante pois era isso mesmo que esperava encontrar nesta obra. Aliás, esta edição que li é a nona e com um bônus de 160 páginas.

Mas nem tudo é céu de brigadeiro. Há alguns capítulos que não empolgaram tanto. Como comidas, arte e música, datas e festas, cinema e televisão e, principalmente, celebridades. A única seção que poderia ter ficado de fora é o que mostra com quantos anos algumas celebridades usaram pela primeira vez um sutiã.(??!)

A série “O Guia dos Curiosos” possui outros volumes com assuntos mais específicos, como língua portuguesa, invenções, esportes, super-heróis, Brasil, O Guia das Curiosas, cards, sexo e jogos olímpicos. A medida que for lendo esses, eu os publicarei aqui. 

O livro é excelente para quem é curioso como eu. Tanto é que a minha média de leitura diária passava das 100 páginas. E lia com muito entusiasmo e cautela para absorver todo o conteúdo possível. Esta obra não possui apenas números de obras faraônicas ou façanhas humanas assim como o Guinness Book. Mas há um pouco mais que faz o leitor não querer fechar o livro em nenhuma circunstância.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Guia dos Curioso

Autor: Marcelo Duarte

Páginas: 704

Editora: Panda Books

Edição: 9ª

Ano: 1995




DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!

domingo, 13 de novembro de 2011

O Dossiê ODESSA

Os horrores da II Guerra Mundial ainda não foram totalmente digeridas e lidamos com consequências desses tempos. Imagina então o que isso significava há 45 anos atrás numa Alemanha dividida pela “cortina de ferro”. Potencializado pelo fato de ter como tempo cronológico a década de 60 que é a mais tensa de toda a Guerra Fria.

A morte de John Kennedy faz Miller (o protagonista) parar numa estrada para refletir sobre o assunto. Logo na sequência vê uma ambulância passar por ele. O instinto de jornalista é ativado e então começa a seguir a sirene. Isso resulta no corpo de Salomon Tauber, um judeu sobrevivente de um campo de concentração nos Bálcãs. Junto dele encontra-se um diário com relatos minuciosos de tudo o que acontecera lá. Quando Miller põe as mãos nesses papeis decide ir atrás de Eduard Roshmann, o açougueiro de Riga.

A história possui um suspense que foge do normal. Credito isso à nossa aversão aos nazistas e por tudo o que ele fizeram e como fizeram, e pela sensação de justiça (pelo menos no campo da ficção), sabendo nem todos os líderes desses campos foram julgados. Mas não só por isso. Há vários elementos dentro da narrativa que prendem o leitor e impede que nos deixem fechar o livro para dormir. 
 
Há mais um ponto: a ODESSA realmente existiu (ou existe) e tinha (ou tem) como principal função a ajuda mútua, seja no campo jurídico, no caso de algum ex-membro da SS for à julgamento, seja no campo sócio-econômico, inserindo-os no comércio ou na indústria, pegando embalo na ascensão da economia pós-guerra, seja no político, na tentativa de transferir a culpa do holocausto aos soldados extremamente patrióticos, ou para pedir asilo em caso de perseguição. E o destino mais comum era Argentina. 
 
Porém o fato que mais chamou a atenção foi de saber se Miller conseguiria capturar Roshmann sabendo que na vida real este último morreu no Paraguai. Não costumo passar por isso mas aconteceu de eu torcer para o mocinho dessa vez. Não que eu prefiro ver o vilão sair ileso. Eu gosto é de finais surpreendentes. Mas nesse caso eu preferi o arroz-e-feijão. E por último: esta obra foi adaptada às telonas que seguiu o mesmo sucesso que o livro teve.

“O Dossiê ODESSA” é uma história que prendeu muito a minha atenção e por isso merece ter um lugar cativo na memória. E cada vez mais gosto dos trabalhos do inglês Frederick Forsyth do qual “Sem Perdão” está entre os meus livros favoritos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Dossiê ODESSA

Autor: Frederick Forsyth

Páginas: 316

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1972




 
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!