Só quero deixar registrado um fato: quando eu peguei pela primeira vez “O Elixir da Longa Vida” e “Não Verás País Nenhum” (tema do próximo post) parecia que eram histórias que continham lições de vida. Mas me enganei. Apenas este último contém uma crítica, quase uma profecia. Foi a partir disso que cheguei a conclusão de que o Círculo do Livro abusava do poder de persuasão que um lay-out pode carregar. Ainda não sei dizer se isso é bom ou ruim.
A história fala de um gerontologista que descobre uma forma de prolongar a vida humana até os 150 anos, nomeada de C-98. Mas essa descoberta foi feita depois de 12 anos de pesquisas na região de Abkhazia até então território soviético. Logo o KGB fica sabendo de tal descoberta e tenta tomar posse dos papeis de Davis MacDonald. Porém ele consegue escapar para Veneza aonde é cercado e preso por comunistas locais num mosteiro. Numa tentativa surreal o gerontólogo põe um bilhete de socorro numa garrafa e atira-o ao mar. Numa outra insanidade, alguém em terra vê, pega, lê e resolve resgatá-lo. E nisso começa uma verdadeira sucessão de tentativas de fuga para Paris.
Aí é que mora o problema. Quando você está lendo e percebe que o resgate do doutor pode acontece muito cedo você fica pensando como o autor vai ocupar o leitor até o fim das páginas (que desde o começo eu sabia que MacDonald não iria conseguir publicar a sua fórmula). E então começa-se a levantar as possibilidades de retirada dele da ilha (que se encontra cercada). No caos de ficar mudando de esconderijo a cada 12 horas surgiu em mim um certo ceticismo de como a polícia, junto com os mercenários locais, não conseguiram localizar o paradeiro do moribundo, apesar de tantos relatos de testemunhas. Mas também se achassem o cientista nas primeiras buscas o que seria do resto da narrativa?
Além de tudo isso tem a questão moral do prolongamento da vida humana e suas consequências. É muito complicado tratar de assuntos desse tipo e esse blog não foi criado com tal finalidade e não quero me prolongar mais (pois o texto já está ficando grande). Mas vou resumir todo esse debate num trecho que retirei do livro:
“Mas Veneza havia liberado os espectros obscuros também. Na mente e no coração de Jordan eles eram reais e muito aterradores. Prolongar a vida humana significava uma expansão monstruosa dos habitantes da Terra. Superpopulação sufocante. Escassez maciça de alimentos, desemprego, sofrimento, fome. Em troca, crime, violência, selvageria. Crise de energia. Lixo e sujeira apodrecendo o meio ambiente. Guerras constantes pela sobrevivência e guerras mais rápidas e sem sentido para equilibrar a taxa de natalidade perpetuamente em ascensão. Conflitos sociais. Perda de individualidade. A elite dos mais velhos. O tédio, a vida transformada num filme comprido demais.”
“O Elixir da Longa Vida” é um livro igual e diferente dos demais. É igual porque está ligada de forma direta à Guerra Fria, tema quase unânime das obras lidas por mim até aqui. E é diferente pelo fato de fazer pensar um pouco e não apenas contar a história. Tirando o fato da fuga do professor, este livro poderia ser extraordinário. O que ele é, em partes.
FICHA TÉCNICA:
Nome: O Elixir da Longa Vida
Autor: Irving Wallace
Páginas: 350
Editora: Record/Círculo do Livro
Edição: Integral
Ano: 1979
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!

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