No post do livro “Não Verás País Nenhum” disse que este era profético. Pois eu uso as mesmas palavras para retratar essa obra do francês (quase brasileiro) Daniel Fresnot. Se bem que essa história remete-nos a um futuro bem distante.
“A Terceira Expedição” conta a saga dos sobreviventes da guerra nuclear que atingiu o mundo todo. Estes sortudos estavam no interior de Santa Catarina quando tudo aconteceu. Segundo Mané a poeira demorou cerca de 1 ano para assentar. Quando a vida retomou ao normal a população resolve ir para São Paulo ver o que sobrou da cidade (pois o dono da fábrica aonde o protagonista trabalha viera de lá). E nisso o título é alto-explicativo. Foram necessárias três tentativas para que se conseguisse chegar ao destino. Uma vez em São Paulo coisas entranhas começam a acontecer com o comboio.
Fresnot mostra grande conhecimento dos locais por onde a caravana catarinense passava. Descrevia certos detalhes como entrocamentos, retornos, estradas de terra e etc. A rota dos aventureiros faz um caminho normal até São José dos Pinhais. Alguns corajosos tentam entrar em Curitiba com roupas especiais mas não conseguem avançar muito na cidade e são obrigados a recuar. A partir deste ponto são obrigados a entrar no estado paulista via Tatuí. A uns poucos quilômetros da capital eles possuem duas opções: Raposo Tavares ou Castelo Branco. Optam pelo último para já desembocarem no Cebolão.
Para envolver o leitor no clima do romance, o autor trata-nos como sobreviventes dessa guerra (ou dirige-se à Teodoro, o cara que faz a pesquisa para a concepção do “livro” porém não creio nisso). No meio da narrativa algumas cartas entre conhecidos dão uma dica de como acabará essa romaria.
É possível fazer um paralelo desta obra com o livro anterior “Viagens na Minha Terra”. A diferença está na ficção do primeiro que contrasta com a realidade deste. Quando a história é em primeira pessoa eu costumo confundir o personagem com o autor. Mas nesse caso fica bem evidente que não trata-se da mesma pessoa pois o protagonista não é estudado, sendo o famoso “peão” da fábrica.
Achei alguns fatos no decorrer da história surreais, como, por exemplo, a turma do Mané conseguiu ligar um veículo trocando apenas uma bateria. Primeiro, não é fácil achar uma coisa dessas em bom estado para ser reutilizado. Segundo, achar um outro automotor com a bateria intocada, sendo ambos considerados como destroços da tal guerra nuclear é ganhar na loteca! Um outro ponto que quero citar trata-se do pó que as bombas levantaram. Se houver um conflito tão devastador assim, duvido muito que tudo assente-se em apenas um ano. E sem contar que nesta poeira há resíduos radioativos que podem ser levados de um lugar a outro. Vegetais, solo e água absorveriam tudo isso o que inviabilizaria o consumo minando a pouca vida sobrevivente. Mas ficção científica é assim mesmo: hoje podemos chamar de absurdo mas amanhã isso tudo será real.
A minha paixão é a ficção científica pois (queiramos ou não) ela “modelou” a vida de hoje. Ideias consideradas insanas no passado hoje são realidade. Me acostumei a ler livros sobre a Segunda Mundial, a Guerra do Vietnã ou a guerra civil do Líbano, porém gosto de fugir um pouco da realidade e imaginar um mundo diferente, com acontecimentos diferentes, com pensamentos diferentes, ou até mundo totalmente surreal.
Autor: Daniel Fresnot
Páginas: 169
Editora: Marco Zero/Círculo do Livro
Edição: Integral
Ano: 1987
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!

não consigo achar este livro para baixar será que vc teria algum link /obrigado
ResponderExcluirse tiver pode mandar para lucianouruguaiana@yahoo.com.br
ResponderExcluirgrato