domingo, 9 de outubro de 2011

O Beijo da Mulher-Aranha

Eu tenho uma vaga lembrança de um filme homônimo antigo no qual foi a única vez em que o Brasil co-produziu um filme vencedor de uma categoria no Oscar, apesar de o ator ganhador ser norte-americano. Ao pesquisar e não descobrir muita coisa acabei ficando cético em relação a isso. Mas no fim é tudo verdade. 
 
“O Beijo da Mulher-Aranha” conta a história de dois presos, um homossexual e um esquerdista. Durante a convivência deles na cela Molina (o homossexual) conta alguns filmes que ele viu para Valentím no objetivo de manter a mente sã. Um desses longa-metragens chama-se “Her Real Glory” que teria sido produzida pela Alemanha Nazista para propaganda. Molina é, também, usado pelo diretor da presídio para descobrir algumas informações extras do esquerdista. 
 
A primeira coisa que você nota na história é que não há narrador. Ou seja, você deduz a cronologia apenas com o diálogo entre os presos. No encontro de Molina com o diretor do presídio as falas são indicadas assim como em scripts. Ao invés delas serem indicadas por travessão há os nomes dos envolvidos. E outro fato meio confuso refere-se à alguns trechos do livro em que há caracteres em itálico que podem durar linhas ou páginas. Não sei direito de onde vêm. Mas eles estão inseridos no meio dos diálogos entre os protagonistas. Não tenho como afirmar que são trechos dos tais filmes de Molina. 
 
Se eu for verificar na minha memória irei encontrar semelhanças com outras obras. Se parece muito com “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos, por ter uma cela de presídio como o espaço da história. Lembra também “O Cônsul Honorário” por se passar na América do Sul, não sei precisamente se na Argentina ou no Brasil. Há também algumas notas de rodapé com algumas supostas explicações para o homossexualismo, a maioria delas vem da filosofia freudiana. Ainda nos rodapés há também algumas passagens misteriosas do mesmo gênero daquelas que aparecem em itálico. Esses possuem um indício muito maior de referirem-se aos filmes narrados por Molina.

Talvez o auge (ou o momento de grande espanto) do livro seja a parte aonde Molina penetra na intimidade de Valentím e consegue o quer: uma relação sexual com o seu companheiro de cela. Não só uma vez, me lembro de outra cópula entre os dois. Isso é até surpreendente pois em toda a narrativa este repreende Molina por seus gestos explicitamente afeminados.

Esta obra do argentino Manuel Puig conseguiu manter a minha atenção quando Molina contava os filmes para Valentím. Quando a história fugia disso, ou seja, quando havia apenas uma conversa sobre a vida de ambos ou os sentimentos e sensações deles dentro da prisão, o livro tornou-se monótono. O filme é altamente recomendável pois foi muito bem produzido e isso refletiu em festivais de cinema importantes como Cannes, no Globo de Ouro e no Oscar.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Beijo Da Mulher Aranha

Autor: Manuel Puig

Páginas: 234

Editora: Codecri/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1981




 
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!

Até a próxima!

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