Eu
tenho uma vaga lembrança de um filme homônimo antigo no qual foi a
única vez em que o Brasil co-produziu um filme vencedor de uma
categoria no Oscar, apesar de o ator ganhador ser norte-americano. Ao
pesquisar e não descobrir muita coisa acabei ficando cético em
relação a isso. Mas no fim é tudo verdade.
“O
Beijo da Mulher-Aranha” conta a história de dois presos, um
homossexual e um esquerdista. Durante a convivência deles na cela
Molina (o homossexual) conta alguns filmes que ele viu para Valentím
no objetivo de manter a mente sã. Um desses longa-metragens chama-se
“Her Real Glory” que teria sido produzida pela Alemanha Nazista
para propaganda. Molina é, também, usado pelo diretor da presídio
para descobrir algumas informações extras do esquerdista.
A
primeira coisa que você nota na história é que não há narrador.
Ou seja, você deduz a cronologia apenas com o diálogo entre os
presos. No encontro de Molina com o diretor do presídio as falas são
indicadas assim como em scripts. Ao invés delas serem indicadas por
travessão há os nomes dos envolvidos. E outro fato meio confuso
refere-se à alguns trechos do livro em que há caracteres em itálico
que podem durar linhas ou páginas. Não sei direito de onde vêm.
Mas eles estão inseridos no meio dos diálogos entre os
protagonistas. Não tenho como afirmar que são trechos dos tais
filmes de Molina.
Se
eu for verificar na minha memória irei encontrar semelhanças com
outras obras. Se parece muito com “Memórias do Cárcere”, de
Graciliano Ramos, por ter uma cela de presídio como o espaço da
história. Lembra também “O Cônsul Honorário” por se passar na
América do Sul, não sei precisamente se na Argentina ou no Brasil.
Há também algumas notas de rodapé com algumas supostas explicações
para o homossexualismo, a maioria delas vem da filosofia freudiana.
Ainda nos rodapés há também algumas passagens misteriosas do mesmo
gênero daquelas que aparecem em itálico. Esses possuem um indício
muito maior de referirem-se aos filmes narrados por Molina.
Talvez
o auge (ou o momento de grande espanto) do livro seja a parte aonde
Molina penetra na intimidade de Valentím e consegue o quer: uma
relação sexual com o seu companheiro de cela. Não só uma vez, me
lembro de outra cópula entre os dois. Isso é até surpreendente
pois em toda a narrativa este repreende Molina por seus gestos
explicitamente afeminados.
Esta
obra do argentino Manuel Puig conseguiu manter a minha atenção
quando Molina contava os filmes para Valentím. Quando a história
fugia disso, ou seja, quando havia apenas uma conversa sobre a vida
de ambos ou os sentimentos e sensações deles dentro da prisão, o
livro tornou-se monótono. O
filme é altamente recomendável pois foi muito bem produzido e isso
refletiu em festivais de cinema importantes como Cannes, no Globo de
Ouro e no Oscar.
FICHA TÉCNICA:
Nome:
O Beijo Da Mulher Aranha
Autor:
Manuel Puig
Páginas:
234
Editora:
Codecri/Círculo do Livro
Edição:
Integral
Ano:
1981
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!

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