Com a incrível evolução da informática e, consequentemente, do armazenamento e processamento de dados, empresas deste ramo tendem a ter um poder quase divino em decorrência dos serviços e produtos oferecidos tanto para o setor privado quando para o estatal. Morris West expõe-nos uma dessas tramóias.
Arlequim, neste caso, não diz repeito àquela figura popular dos blocos carnavalescos de rua, que também são retratados nas cartas de baralho como coringa. Aqui trata-se do sobrenome de George o protagonista da história e dono de um banco suíço. Sendo uma pessoa boa, culta e sensível não queria acreditar na carnificina que é o mundo corporativo, porém ele vê-se obrigado à penetrar nos meandros desse universo para provar a sua inocência ao qual foi acusado de dar um calote de US$15 milhões em seu próprio banco.
Além do livro ter um foco maior em Arlequim, West abre um espaço grande, até, para um “coadjuvante”. Paul Desmond, melhor amigo de Arlequim e diretor da Arlequim et Cie. é quem conta a história. Apesar de Desmond acompanhar o seu companheiro até o fim e ter de enfrentar situações horríveis como a morte da sra. Arlequim e o sequestro do filho de George, ainda arruma tempo para algumas reflexões de coro intimista. Durante a cronologia há várias frases de efeito, conseguindo arrancar um pensamento mais profundo por parte do leitor.
Todos nós sabemos que narrativas em primeira pessoa costumam ser parciais. Digo costumam porque nunca saberemos a verdade. Mas durante a leitura eu não consigo visualizar isso. Me deixo levar pela história e só tenho esse pensamento quando estou relembrando tudo o que acabei de ler.
Só fazendo uma ponte com um o post do livro “Os Tolos Morrem Antes”: se exagerássemos um pouco e seguíssemos a mesma lógica deste livro, aquele iria chamar-se Jordan, com a diferença de que no primeiro Merlyn é apenas coadjuvante até a morte deste, seguindo o resto do livro como narrador e protagonista. O que reparei também foram os comportamentos, expressões, locais e gestos típicos de uma pessoa católica. Por ser ambientado entre a Suíça, os Estados Unidos e o México, com exceção deste último, são países predominantemente protestantes sendo difícil ver algo parecido, lendo obras de outros autores. Isso se explica pelos doze anos em que Morris West passou em um convento. E, assim como Grahan Greene, ele alicerçou os seus melhores romances em torno da temática católica.
Este já é o quarto livro de Morris West que leio sendo que os dois primeiros, “Um Mundo Transparente” e “Proteu” não foram tão bons quanto os dois últimos, “Kundu” e “Arlequim”. Isso o coloca entre os meus autores favoritos, dividindo o posto com o seu compatriota James Clavell, James A. Michener e Frederick Forsyth.
Nome: Arlequim
Autor: Morris West
Páginas: 318
Editora: Record/Círculo do Livro
Edição: Integral
Ano: 1974
DESLIGA O PC E VAI LER UM LIVRO!!
Até a próxima!

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