domingo, 19 de junho de 2011

A Face Oculta do Terror

Todos nós sabemos que as ditaduras impostas (principalmente) nos países da América Latina foram agitadas pela CIA para impedir o avanço do comunismo. O que muita gente desconhece são os métodos usados por eles para treinar as polícias de várias nações. O jornalista A. J. Langguth desenvolveu uma longa pesquisa nos EUA, no Brasil e no Uruguai e trás-nos um relatório sombrio de como a tortura foi aprimorada nesses tais países.

“A Face Oculta Do Terror” expõe-nos a história de Dan Mitrione, um agente norte-americano que tem a missão de ensinar a “arte da tortura” para obtenção de informações. O autor descreve com minúcias como as polícias brasileiras e uruguaias evoluíram nesse sentido.

Durante a narrativa Langguth mescla o drama do sequestro (presente) com o passado do protagonista; e entre esse flashback ele explica o porquê das ditaduras dos dois países envolvidos, revela algumas manobras políticas, jogos de poder dando uma ênfase especial no Brasil onde Dan ficou por mais tempo. Uma terça parte é dedicada ao Uruguai.

Um ponto em que o autor fala muito é sobre a questão da crise de 1962. Discorre sobre Fidel Castro e as tentativas de depô-lo do governo cubano por parte da cúpula da Casa Branca. Langguth também explica de forma simples, porém objetiva, o Brasil pré-ditadura, como e por quê, desde Luís Carlos Prestes. Eu aprendi mais sobre a história recente brasileira com esse livro do que nas minhas aulas.

Pode até ser impressão minha mas percebi que o autor tratou Dan como herói nacional e revela certo desdém para com o Brasil e Uruguai. Não tenho muita certeza se isso foi proposital (para criar-se um ambiente irônico) ou se foi o que realmente ele quis passar-nos.

A história desse policial pacato, com ascendência italiana, foi o estopim para o bem maior do livro: a luta contra o comunismo na América Latina. Umas das piores barbáries já presenciadas no mundo em troca da Colonização Ideológica. Vidas nunca serão tão vazias à ponto de serem manipuladas por que quer que seja. 
 

FICHA TÉCNICA:
 
Nome: A Face Oculta Do Terror
 
Autor: A. J. Langguth
 
Páginas: 311
 
Editora: Civilização Brasileira/Círculo Do Livro
 
Edição: Integral
 
Ano: 1978




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domingo, 5 de junho de 2011

Uma Breve História do Tempo

Nunca um livro causou tanta euforia em mim quanto esse. Escrito por uma lenda viva; sobre o micro e macrocosmos; sobre “a mente de Deus”. Tinha tudo para ser uma experiência inesquecível. Porém (não sei se por minha culpa) tornou-se um livro confuso, muito por eu esperar de um resumo da evolução do Universo, desde o Big Bang passando por exoplanetas, cometas, buracos negros, estrelas e por aí vai. Mas o que vemos são teorias complexas e equações totalmente sem nexo para que não tem um mínimo de estudo.

Neste livro Stephen Hawking tenta simplificar um tema que, por natureza, é extremamente complicado: o Universo. O autor segue contra o senso comum quebrando algumas ideias comumente vista em leigos. Como a do tempo absoluto e o tempo relativo. Por essas e outras um leitor ignorante no assunto pode desistir da leitura precocemente. A edição que eu tenho é de 1988 então está desatualizado, o que é normal até para uma publicação científica.

O livro é dividido em onze capítulos com uma introdução de, ninguém mais ninguém menos que, Carl Sagan. A maior parte desse capítulos falam sobre como o microcosmos influencia o macrocosmos. Stephen disserta sobre várias teorias que são utilizadas atualmente e nos relata a busca da astronomia à uma teoria unificada.

Alguns fatos me chamaram a atenção: 1º) o autor bateu muito na tecla de que o tempo e espaço estão intimamente ligados. Com isso se torna possível (e já realizado) uma viagem no tempo; 2º) mecânica quântica (o estudo de estruturas menores que um átomo) é um forte instrumento para tentarmos entender porque o universo é assim; 3º) tempo absoluto ou tempo relativo? Pelo que eu entendi não existe tempo absoluto. Então nos resta apenas o tempo relativo o que induz a dizer que não ouve um único Big Bang mas vários; 4º) com o conteúdo do livro cheguei a conclusão de que possuímos conhecimentos astronômicos do século XIX. A física quântica foi A CIÊNCIA do século passado.

Quando eu peguei pra ler pensei que falava sobre a história do universo. Não é exatamente o que acontece. Ele descreve as teorias e os raciocínios para chegar ao estágio de conhecimento que temos hoje. Apesar de não ter sido um dos melhores livros em termos de dinâmica da leitura foi de grande valia para mim que sou um apaixonado por astronomia. Pude me aprofundar mais e me preparar para o que me aguarda na faculdade.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Uma Breve História Do Tempo

Autor: Stephen W. Hawking

Páginas: 184

Editora: Rocco/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1988




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domingo, 29 de maio de 2011

Kundu

Morris West (junto com Sidney Sheldon e Graciliano Ramos) é um dos autores de mais tenho lido suas obras. Dentre elas, “Um Mundo Transparente” foi o que conseguiu prender mais minha atenção por falar sobre uma das grandes mentes do século passado. Já “Proteu” não se saiu tão bem quanto o seu antecessor. Mas vamos falar de “Kundu”.

Esta narrativa passa-se na ilha da Nova Guiné no qual, hoje, divide-se entre Papua-Nova Guiné e Indonésia. Agora eu não lembro em qual lado da fronteira se passa a história. Mas comparando o desenrolar da história, a suástica da capa e o passado do local deduzo que se passa do lado papuásio. 

“Kundu” narra a saga de Kurt Sonderfeld, um alemão sem escrúpulos morais que tenta tomar o controle da região por meio de magia negra. Poder esse que Kurt usa para controlar o feiticeiro mais poderoso da região, Kumo. Porém (é lógico, até um pouco previsível) não obtém êxito.

Nova Guiné não fica tão próximo da China (muita gente nem sabe por onde começar a procurar no mapa) porém há citações sobre a língua pingin que originariamente eu tinha visto em “Casa Nobre”. O bom da história foram os costumes que West nos contou sobre os nativos. Pelo que eu entendi Kundu é um nome de uma espécie de tambor usado em certos rituais. 
 
Dentre os que li de Morris West este se saiu melhor, muito pelo local da história. Ninguém nem sequer sabe que existe esta nação ao norte da Austrália. Se você ler estre livro (ou pesquisar no Google) saberá aonde está.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Kundu

Autor: Morris West

Páginas: 223

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1965




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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Madrapur

Você já pensou em passar seus últimos momentos de vida dentro de um avião? É insano uma ideias dessas. Mas para o argelino Robert Merle não. Ele nos põe em uma situação totalmente desconfortável quando narra a saga de uns poucos “sortudos” para um local que nunca existiu: Madrapur.

Basicamente, “Madrapur” apresenta, de forma metafórica, um destino de que nunca iremos escapar: a morte. Todos os passageiros a bordo esperam desembarcar num principado que dá nome à obra. Mas ao invés disso, os afortunados deparam-se com um avião sem piloto, sem copiloto, sem outros passageiros, sem comida, sem bagagem e apenas uma aeromoça. O itinerário é bem simples: rodar em círculos. Os aventureiros só podem desembarcar quando estiverem nas últimas.

Até eu entender o que se passava na história demorou um pouco. O começo estava muito confuso muito pelos diálogos entre os personagens que são recheadas de metáforas, ironias, sarcasmo e etc. Tinha esperanças de melhoras quando soube que a maior parte da história iria se passar dentro de um avião. Acabei quebrando a cara pois lá dentro a narrativa acabou mostrando-se mais insuportável que antes. 
   
Falando um pouco dos personagens agora. Dentro do avião encontra-se tipos variados de pessoas. Todas as grandes nações possuem representantes. O que para mim foi proposital porque cada um é um esteriótipo de cada localidade. O americano quer impor o seu modo de pensar; o francês não suporta ser criticado; o inglês é sempre muito arrogante e polido na presença dos demais, e etc. 
  
Apesar de ter uma temática surreal (o que me agrada bastante) não foi o que se passou durante a história. Muito parado, sonolento mesmo em pleno voo. Por muito tempo pensei que Madrapur pudesse existir mesmo. Mas isso foi desmentido tanto na narrativa quanto nas minhas pesquisas. 

FICHA TÉCNICA:

Nome: Madrapur
 

Autor: Robert Merle
 

Páginas: 296
 

Editora: Nova Fronteira/Círculo do Livro
 

Edição: Integral
 

Ano: 1976




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domingo, 1 de maio de 2011

A Terceira Expedição

No post do livro “Não Verás País Nenhum” disse que este era profético. Pois eu uso as mesmas palavras para retratar essa obra do francês (quase brasileiro) Daniel Fresnot. Se bem que essa história remete-nos a um futuro bem distante.

“A Terceira Expedição” conta a saga dos sobreviventes da guerra nuclear que atingiu o mundo todo. Estes sortudos estavam no interior de Santa Catarina quando tudo aconteceu. Segundo Mané a poeira demorou cerca de 1 ano para assentar. Quando a vida retomou ao normal a população resolve ir para São Paulo ver o que sobrou da cidade (pois o dono da fábrica aonde o protagonista trabalha viera de lá). E nisso o título é alto-explicativo. Foram necessárias três tentativas para que se conseguisse chegar ao destino. Uma vez em São Paulo coisas entranhas começam a acontecer com o comboio. 
   
Fresnot mostra grande conhecimento dos locais por onde a caravana catarinense passava. Descrevia certos detalhes como entrocamentos, retornos, estradas de terra e etc. A rota dos aventureiros faz um caminho normal até São José dos Pinhais. Alguns corajosos tentam entrar em Curitiba com roupas especiais mas não conseguem avançar muito na cidade e são obrigados a recuar. A partir deste ponto são obrigados a entrar no estado paulista via Tatuí. A uns poucos quilômetros da capital eles possuem duas opções: Raposo Tavares ou Castelo Branco. Optam pelo último para já desembocarem no Cebolão.

Para envolver o leitor no clima do romance, o autor trata-nos como sobreviventes dessa guerra (ou dirige-se à Teodoro, o cara que faz a pesquisa para a concepção do “livro” porém não creio nisso). No meio da narrativa algumas cartas entre conhecidos dão uma dica de como acabará essa romaria. 
   
É possível fazer um paralelo desta obra com o livro anterior “Viagens na Minha Terra”. A diferença está na ficção do primeiro que contrasta com a realidade deste. Quando a história é em primeira pessoa eu costumo confundir o personagem com o autor. Mas nesse caso fica bem evidente que não trata-se da mesma pessoa pois o protagonista não é estudado, sendo o famoso “peão” da fábrica. 

Achei alguns fatos no decorrer da história surreais, como, por exemplo, a turma do Mané conseguiu ligar um veículo trocando apenas uma bateria. Primeiro, não é fácil achar uma coisa dessas em bom estado para ser reutilizado. Segundo, achar um outro automotor com a bateria intocada, sendo ambos considerados como destroços da tal guerra nuclear é ganhar na loteca! Um outro ponto que quero citar trata-se do pó que as bombas levantaram. Se houver um conflito tão devastador assim, duvido muito que tudo assente-se em apenas um ano. E sem contar que nesta poeira há resíduos radioativos que podem ser levados de um lugar a outro. Vegetais, solo e água absorveriam tudo isso o que inviabilizaria o consumo minando a pouca vida sobrevivente. Mas ficção científica é assim mesmo: hoje podemos chamar de absurdo mas amanhã isso tudo será real. 
   
A minha paixão é a ficção científica pois (queiramos ou não) ela “modelou” a vida de hoje. Ideias consideradas insanas no passado hoje são realidade. Me acostumei a ler livros sobre a Segunda Mundial, a Guerra do Vietnã ou a guerra civil do Líbano, porém gosto de fugir um pouco da realidade e imaginar um mundo diferente, com acontecimentos diferentes, com pensamentos diferentes, ou até mundo totalmente surreal. 


FICHA TÉCNICA:

Nome: A Terceira Expedição
 

Autor: Daniel Fresnot
 

Páginas: 169
 

Editora: Marco Zero/Círculo do Livro
 

Edição: Integral
 

Ano: 1987


 

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