domingo, 2 de janeiro de 2011

A História de O

Me diz uma coisa... qual é a sua motivação para ler um livro do qual já saiba o final? Muita gente diz: “não tenho interesse nenhum pois já sei como irá acabar!” ou “simplesmente, não leio! Que graça tem?” Pois é. Eu pensava assim também. Para mim o motivo maior por ter iniciado a leitura foi o motivo que levou O a morte. Ops! Fiz que nem no romance... contei o final antes... 
 
“A História de O” é um conto erótico da década de 1950, escrita por Anne Cécile Desclos sob o pseudônimo de Pauline Réage, que causou um tremendo alvoroço quando lançado. No princípio todos pensavam que o editor Jean Paulhan (que assina o prefácio) é o verdadeiro autor da obra. Mas isso é desmentido pelo mesmo até a revelação de Anne em 1994. Quando lançado nota-se o pioneirismo relatando a submissão feminina ao homem e descrevendo atos de sadomasoquismo, algo impensável há 60 anos. 
 
Esta narrativa foi a minha segunda experiência com contos eróticos. O primeiro foi com “Irmã Monika”. Na realidade, “A História de O” foi mais dinâmico que o primeiro. Mas não não é um dos meus favoritos. No primeiro capítulo mostra-se uma história até que bem interessante. Passando para o segundo, tornou-se confuso porém retoma a simplicidade no seguinte, seguindo assim até o final. O final mesmo foi suprimido tendo duas possibilidades de desfrecho: 1) Sir Stephen abandona O em Roissy e ela acaba morrendo; 2) sabendo que ia ser largada, O prefere suicidar-se com o consentimento de Sir Stephen.

No começo da minha leitura foi um pouco confusa pelo prefácio e até me adaptar com o espaço, o tempo e os personagens, principalmente com O pois eu confundia-a com o artigo definido masculino singular em começo de frase. Para falar a verdade não sei se fala “Ó” ou “Ô”, creio que seja aquele. Outro fato estranho foi a de os parágrafos serem gigantes, chegando a incríveis 16 páginas! Há uma versão cinematográfica para esta história lançada em 1975. Pauline Reage e sua obra voltam a ser notícia mas sem aquele escândalo 20 anos depois pois os tempos são outros. Ainda sob o pseudônimo, Desclos lança a continuação de “A História de O”... mas eu fico pensando como seria tal história sendo que O já morreu. 
 
Para finalizar a ideia: não foi ruim... mas não foi bom. Não sou fã desse tipo de história ainda mais por se passar na França (não tenho boas experiências com histórias transcorridas lá). Porém foi muito melhor que “Irmã Mônika” pelo fato de ser mais atual. Eu sei que é um clássico da literatura francesa e erótica e também conheço a fama que o livro carrega. Isso não irá mudar a minha opinião.

FICHA TÉCNICA:

Nome: A História de O

Autor: Pauline Réage

Páginas: 193

Editora: Brasiliense/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1954




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domingo, 26 de dezembro de 2010

Monsignore

Olhando o lay-out da capa você percebe do que fala este livro e a quem é dirigida a crítica. Porém J.-A. Léger diz na introdução que apesar de os fatos relatados serem autênticos não deixa de ser um romance. Durante toda a minha leitura eu não tratei como tal.

“Monsignore” expõe (fictícias ou não, como disse) as sujeiras da Igreja Católica, relatando as manobras dos clérigos para benefício de poucos. O que mais me impressionou é que houve citações de algumas artimanhas de papas já falecidos, porém não são tão confiáveis a ponto de serem levados em consideração por qualquer leitor. 
 
A história é em flashback, fazendo, assim, perder-me durante o enredo. Parecia que cada capítulo era uma história independente. Isso é normal até, para apresentação dos personagens, tempo e espaço. Mas logo percebi que a minha confusão era baseada na distância entre os capítulos. Mesmo assim fiquei perdidão. 
 
Ando reparando em um detalhe: há algum preconceito de americanos e britânicos para com os irlandeses? Já não é a primeira vez que vejo isso. Andei fazendo umas pesquisas rápidas pelos confins da net e achei pouca coisa. Mais precisamente um relato curto falando que essa discriminação é causada pelo atraso do desenvolvimento da qualidade de vida irlandesa. Outra questão que veio à tona neste livro foi a de eu preferir diálogos longos ao invés de períodos grande de narração pois este descreve o estático, o fixo, o parado. Enquanto aquele transmite dinâmica, velocidade e o rápido. 
 
No final das contas foi uma história chata por diversos motivos, mas o principal deles foi a “falta de sinalização” do flashback. Eu lia pensando que era continuação do capítulo anterior enquanto era na verdade um retorno para justificar o agora. Além de falar que a história não é tão interessante quanto parece.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Monsignore

Autor: Jack-Alain Léger

Páginas: 355

Editora: Difel/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1976





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domingo, 19 de dezembro de 2010

Proteu

Estamos (infelizmente) acostumados com todos os tipos de crimes como sequestros, atentados, assassinatos, jogos de poder e influência... enfim. Mas o que nem todos sabemos é se esses acontecimentos são pré-determinados para privilegiar fulano ou em benefício de uma elite em especial. Não posso provar nada... mas não podemos ter a ingenuidade de acreditar que essas coisas não acontecem.

Devo primeiramente explicar o por quê de o livro ter esse nome: Proteu é o pastor dos rebanhos de Poseidon. Tem o poder da premonição, sendo sondado por muitos. Para fugir ele se esconde nas profundezas oceânicas ou transformava-se em criaturas ferozes. Apenas conta toda a verdade aos corajosos. É justamente esse poder de “saber” (pré-determinar) o futuro e de metamorfose que são as semelhanças com John Spada que possui dois lados contraditórios e não associáveis: o lado empresário que, de certa forma, ajuda o sistema; e o lado humano que combate esse sistema. 
 
A história possui certa semelhança com “Casa Nobre” por mostrar como grandes corporações agem por interesses próprios. A narrativa dá enfoque às ditaduras sul-americanas, com destaque especial à da Argentina. Mostra como essas tiranias abusavam dos civis e como repreendiam ferozmente qualquer poeira socialista. Aponta também como um homem de influência e rico reage a esses abusos. Um ponto positivo do livro foi o suspense para o resgate do genro de Spada. Valorizo demais isso pois não me deixa dar uma pausa se quer na leitura. 
 
A frase que resume bem toda a trama é: "SE AJO TORNO-ME UM DELES. SE NÃO AJO TORNO-ME SEU ESCRAVO." Até onde podemos insurgir; essa reação possui alguma moral?; devemos agir ou simplesmente aceitar os fatos como naturais?; ou devemos nos mexer e acabar perdendo nossa identidade e transformar-nos em um deles?

FICHA TÉCNICA:

Título: Proteu

Autor: Morris West

Páginas: 336

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1979




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domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma Semana para a Defesa

Se você for dar uma pesquisada sobre este livro, não irá encontrar muita coisa. Mas nem precisa procurar nada. Só pelo título dá para saber do que se trata. Dependendo da edição, a capa também fornece detalhes da história. Um livro curto, clichê, até um certo ponto, porém consegue prender a atenção de quem gosta de romances policiais. 

“Uma Semana para a Defesa” conta a história de um advogado que tem em suas mãos um caso inusitado, defender a sua mulher de um assassinato. Mas quando ele fica sabendo disso, logo pensa tratar-se de uma traição de sua companheira. Mas a seguir descobre que ela foi vítima de uma conspiração para mandá-la à prisão. Com isso tudo, ambos têm apenas uma semana para prepararem-se para o julgamento. 
 
Este livro foi escrito em primeira pessoa (narrado pelo defensor), porém não se assemelha em nada com livros do tipo “memórias” encontrado em “Memórias do Cárcere” ou “Dom Casmurro”. J. P. Garen colocou os verbo no presente. O final é bem clichêzão pois o advogado consegue provar a inocência de sua mulher. Particularmente, odeio finais assim: clichês (tanto finais felizes ou não). Mas, também devo admitir que conseguiu prender a minha atenção durante os 3 dias que demorei para finalizar a leitura (esse foi o menor prazo com que li um romance). Um péssimo hábito que tenho é julgar o livro pelo seu desfecho; isso ainda exerce uma grande influência em mim. Gostei também do fato de o livro ser curto, pois romances policiais muito longos são desfavoráveis pois comumente perdem o fio da meada; quando você chega no final da história esquece o que aconteceu no começo. Só mais um ponto: por que todo livro que leio mostra personagens masculinos tomando uísque? Eu não bebo nada alcoólico (aliás o álcool, junto com o tabaco, são os vícios mais idiotas que existem) e não consigo entender como eles bebem álcool como se fosse água.

Para finalizar eu preciso dar minha opinião sobre este romance. Foi bom pelo que conseguiu prender a minha atenção durante a história, mesmo eu já sabendo como seria o final. O ruim, como eu previ, foi o final e muitos outros clichês que me deixaram com vergonha alheia. Se fosse de todo ruim não teria lido em 72 horas. Se fosse de todo bom teria devorado em 24 horas (no máximo!).

FICHA TÉCNICA:

Nome: Uma Semana para a Defesa

Autor: J. P. Garen

Páginas: 174

Editora: Abril

Edição: 1ª

Ano: 1972




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domingo, 5 de dezembro de 2010

Fator Humano

Eu botei muita expectativa nos livros de Grahan Greene pois eu já ouvi falar muito dele mas não tive chance de ler nada. Mas essa oportunidade chegou logo com duas obras, “Fator Humano” e “O Cônsul Honorário” (logo postarei sobre este). Pelo que li sobre ele e suas obras, acabei me decepcionando bastante com o que parecia ser o livro... mas não foi.
 
Eu digo que não foi o que eu esperava porque “Fator Humano” é um livro de espionagem. Só que eu demorei para reparar que Maurice Castle era um espião. E agente duplo. Mas o serviço secreto inglês acaba desconfiando de outra pessoa... um colega muito próximo de Castle, Arthur Davis que acaba pagando o pato. Quando o cerco aperta Maurice acaba fugindo, separando-se de sua esposa Sarah e o filho dela Sam, que adoece. Quero também ressaltar que em um ponto no meio da história aonde Castle precisa matar o cão de estimação de sua família, Buller. Isso remete-me à “Vidas Secas” e a cadela Baleia. Em ambos os casos os carrascos erram os alvos e os animais ficam agonizando até chegar bem lentamente à morte. 
 
Para começo de conversa eu pensava que o livro abordaria o lado humano de um agente em missões secretas e não como era a vida pessoal de um deles. Dois dos poucos pontos positivos da narrativa foi de dar enfoque, durante a Guerra Fria, a uma nação coadjuvante, a Grã-Bretanha; o outro refere-se, diferente de outras obras que já li com esse tema, à que esse agente duplo “soviético” não morreu, não sofreu nenhuma punição mais severa ou foi capturado. 
 
Acabei ficando decepcionado com a história toda pois foi muito monótona, lembrando-me de algumas narrativas do século XIX aonde a monotonia é um dos sérios agravantes à (minha) leitura. Mas valeu por fugir óbvio, num tema, até certo ponto, clichê.


FICHA TÉCNICA:

Nome: O Fator Humano

Autor: Graham Grenne

Páginas: 330

Editora: Record/Círculo do Livro

Edição: 12ª

Ano: 1978




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