domingo, 6 de novembro de 2011

Enciclonérdia

O nerd ou geek, dependendo das circunstâncias, começou a ser bem visto com a popularização dos PCs e pela crescente demanda de profissionais no setor. Mas, de um modo geral, nerd não é só aqueles indivíduos que ficam na frente do computador o dia todo resolvendo problemas de rede e de boots. Esse termo pode ser usado em N ocasiões, designando uma pessoa que possui um conhecido profundo sobre um assunto.

“Enciclonérdia” é uma pequena introdução ao universo dos nerds. Não trás verbetes apenas de física quântica e informática. Possui também notas sobre os seus passatempos (HQs, jogos, filmes, seriados e etc). Até é mais provável que tenha mais tópicos sobre esse assunto que sobre conteúdos científicos. Uma das explicações é que muitas vezes a ficção antecipa, algumas vezes de forma exagerada, o futuro, tornando-se então a base para o desenvolvimento tecnológico, juntamente com as necessidades de uma sociedade cada vez mais globalizada.

Durante a minha leitura fiquei espantado com alguns dados. Um deles refere-se sobre os filmes “Shrek” e a trilogia “O Senhor dos Anéis” terem sido baseados em livros. No caso deste último, os três livros não têm o mesmo nome da dos longas-metragens. J.R.R. Tolkien publicou-os na década de 50. Já o ogro mais famoso do mundo nasceu de um livro ilustrado em 1990.

Outro fato que eu nem desconfiava é sobre Star Trek e Star Wars. Os dois disputam o título de a séria favorita dos nerd. Além desses seriados, aparecem tópicos sobre filmes e histórias em quadrinhos norte-americanos, nos quais eu nunca fui um bom entendedor. Agora está mais claro como os heróis de HQs nasceram e conquistaram o mundo. 
 
Na parte científica encontramos biografias resumidas dos nomes mais importantes da história. Desde Newton até Stephen Hawking. Há também algumas explicações sobre alguns assuntos que ainda são desconhecidos do grande público. Destaque para o sempre polêmico paradoxo tempo-espaço e o “Gato de Schödinger”

Antes mesmo de iniciar a leitura pode-se ver uma nota dizendo que “Enciclonérdia” não é uma obra completa sobre o assunto. Trata-se apenas de uma introdução à cultura nerd sendo que este universo engloba muita mais coisas do que foi publicado neste livro. Não tinha intenção de comprá-lo pois não sabia de sua existência. Agora tenho uma visão mais ampla de todo esse universo.


FICHA TÉCNICA:

Nome: Enciclonérdia

Autor: Luís Flávio Fernandes, Rosana Rios

Páginas: 248

Editora: Panda Books

Edição: 1ª

Ano: 2011




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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Arquipélago Gulag

O Arquipélago Gulag não é um conjunto de ilhas como é bem comum ser confundido. Alexandr Soljenítsin usa a expressão como metáfora para designar os vários campos de trabalho forçado que existia na Sibéria na época stalinista. Aliás era mais fácil você ir para esses tais presídios do que ficar em liberdade.

“Arquipélago Gulag” é um relato do dia a dia de 66 milhões de pessoas que tiveram a infelicidade de passar períodos de suas vidas nesse inferno sem realmente cometer um crime. As autoridades possuíam N argumentos para prender qualquer cidadão em qualquer local. Ia-se preso por xingamentos alheios, por discussões em público, por brigar no trânsito, contato com pessoas sob investigação, trabalhos em locais chave e etc. Enfim, tudo o que poderia por em risco a URSS, por mais banal que seja o ocorrido.

A minha primeira ideia que veio logo nas primeiras páginas era de tratar-se de um livro de memórias. Mas não é bem assim. Há alguns fatos que ocorreram com Alexandr. A maioria delas fala de terceiros, pessoas que Soljenítsin conviveu. As experiências de vida do autor aparecem pouco durante a narrativa. Outro fator que desestimula a leitura são as circunstâncias que precisam ser expostas para que o resto do livro faça sentido. 
 
Antes de ler essa obra descobri que todo o relato do “arquipélago” possui 1800 páginas. Porém o livro que eu tenho não passa das 610. Então, corri atrás das partes que faltavam. O porém é que não há nenhuma continuação com o nome de “Arquipélago Gulag”. Essa continuação deve estar sob o disfarce de um outro nome.

Eu criei uma expectativa enorme logo que soube que a obra tinha como cenário a imensidão da Sibéria. Porém as exposições e os esclarecimentos que Soljenítsin teve que fazer deixaram a narrativa chata. Mesmo assim quero terminar de ler todo o relato desse russo que fala por 66 milhões de pessoas que adentraram os portões do Arquipélago.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Arquipélago Gulag

Autor: Alexandre Soljenítsin

Páginas: 608

Editora: Livraria Bertrand/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973




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domingo, 23 de outubro de 2011

Xaveira

Olhando a figura e a predominância da cor rosa na capa fica fácil deduzir o que esperar quando você abrir esse livro. Logo vi que seria uma tarefa árdua terminar de ler essa novela erótica com 408 páginas, levando em conta as minha experiências com outras obras desse gênero: “A História de O” e “Irmã Monika”. Mas essa história teve algo que conseguiu prender-me a atenção (e não foram os relatos das orgias de Xaveira).

“Xaviera!” é basicamente lembranças de Xaviera Hollander durante a sua estada nos EUA. A maior parte dos fatos expostos aconteceram quando ela possuía um bordel de luxo em Nova York. A história em si não tem uma sequência cronológica (os editores deixam isso bem claro no começo do livro), sendo que alguns relatos que possam estar tanto no início como no fim do livro ocorreram simultaneamente. 
 
Além disso tudo, Xaviera narra em primeira pessoa dando a impressão de ser uma conversa entre amigos. Mais pro final, ela conta-nos alguns detalhes da concepção e divulgação do seu mais famoso livro “A Aliciadora Feliz”. O grande trunfo de “Xaviera!” é a exposição de como é a vida de uma madame numa cidade como Nova York. Ficamos reféns daquilo que vemos na TV e são poucas as pessoas que realmente sabem o que acontece dentro deste círculo das que são donas(os) de bordéis.

A última vez que um livro me prendeu a atenção assim foi com o clássico de Júlio Verne “Vinte Mil Léguas Submarinas” há uns 3 ou 4 meses. E ironicamente foi com uma novela erótica, no qual não tenho boas recordações. Mas “Xaviera!” possui um diferencial. Ela não só contém relatos de sexo. Além disso aparecer em grande quantidade, é claro, essa novela mostra o dia a dia de uma ex-prostituta no qual ainda gera uma certa repugnância e um desinteresse em saber o que há por trás das meretrizes.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Xaviera!

Autor: Xaviera Hollander

Páginas: 408

Editora: Record/Círculo Do Livro

Edição: Integral

Ano: 1973





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domingo, 9 de outubro de 2011

O Beijo da Mulher-Aranha

Eu tenho uma vaga lembrança de um filme homônimo antigo no qual foi a única vez em que o Brasil co-produziu um filme vencedor de uma categoria no Oscar, apesar de o ator ganhador ser norte-americano. Ao pesquisar e não descobrir muita coisa acabei ficando cético em relação a isso. Mas no fim é tudo verdade. 
 
“O Beijo da Mulher-Aranha” conta a história de dois presos, um homossexual e um esquerdista. Durante a convivência deles na cela Molina (o homossexual) conta alguns filmes que ele viu para Valentím no objetivo de manter a mente sã. Um desses longa-metragens chama-se “Her Real Glory” que teria sido produzida pela Alemanha Nazista para propaganda. Molina é, também, usado pelo diretor da presídio para descobrir algumas informações extras do esquerdista. 
 
A primeira coisa que você nota na história é que não há narrador. Ou seja, você deduz a cronologia apenas com o diálogo entre os presos. No encontro de Molina com o diretor do presídio as falas são indicadas assim como em scripts. Ao invés delas serem indicadas por travessão há os nomes dos envolvidos. E outro fato meio confuso refere-se à alguns trechos do livro em que há caracteres em itálico que podem durar linhas ou páginas. Não sei direito de onde vêm. Mas eles estão inseridos no meio dos diálogos entre os protagonistas. Não tenho como afirmar que são trechos dos tais filmes de Molina. 
 
Se eu for verificar na minha memória irei encontrar semelhanças com outras obras. Se parece muito com “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos, por ter uma cela de presídio como o espaço da história. Lembra também “O Cônsul Honorário” por se passar na América do Sul, não sei precisamente se na Argentina ou no Brasil. Há também algumas notas de rodapé com algumas supostas explicações para o homossexualismo, a maioria delas vem da filosofia freudiana. Ainda nos rodapés há também algumas passagens misteriosas do mesmo gênero daquelas que aparecem em itálico. Esses possuem um indício muito maior de referirem-se aos filmes narrados por Molina.

Talvez o auge (ou o momento de grande espanto) do livro seja a parte aonde Molina penetra na intimidade de Valentím e consegue o quer: uma relação sexual com o seu companheiro de cela. Não só uma vez, me lembro de outra cópula entre os dois. Isso é até surpreendente pois em toda a narrativa este repreende Molina por seus gestos explicitamente afeminados.

Esta obra do argentino Manuel Puig conseguiu manter a minha atenção quando Molina contava os filmes para Valentím. Quando a história fugia disso, ou seja, quando havia apenas uma conversa sobre a vida de ambos ou os sentimentos e sensações deles dentro da prisão, o livro tornou-se monótono. O filme é altamente recomendável pois foi muito bem produzido e isso refletiu em festivais de cinema importantes como Cannes, no Globo de Ouro e no Oscar.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Beijo Da Mulher Aranha

Autor: Manuel Puig

Páginas: 234

Editora: Codecri/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1981




 
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domingo, 2 de outubro de 2011

Mais Um Domingo

Na Idade Antiga os povos bárbaros de origem saxônica usavam o domingo para o culto do Deus Sol. Por isso, nessas regiões esse dia é conhecido como o Dia do Sol. Desde o Concílio de Niceia, em 325, o domingo sobrepôs-se ao sábado como o dia de descanso e para incorporar povos pagãos ao Cristianismo. Desde então as missas começaram a serem celebradas nessa data. É exatamente nesse dia que John MacDonald usa para iniciar a sua trama envolvendo religião e poder.

“Mais Um Domingo” conta como uma grande Instituição Religiosa usa a fé para obter o poder e a manipulação de seus fiéis. Essa trama conta a história do sumiço de Lindy logo depois de descobrir alguns segredos da Igreja Eterna do Crente. Dentro do complexo religioso havia uma sessão que cuidava só dos dízimos(!) ao qual o autor dá uma atenção especial. 
 
Eu me perdi quando a história saía do foco pela busca por Lindy. Até porque não há nada de interessante e novo em dizer que uma enorme instituição manipule o que for preciso para manter e conseguir mais poder. Alguns dos personagens possuem um ar misterioso o que dá mais emoção na leitura. Mas a minha motivação não era saber quem a tinha matado. Queria saber quais foram esses segredos que ela, supostamente, havia descoberto e se haveria alguma punição no final da trama.

Outro ponto interessante diz respeito aos dogmas. Apesar dos pastores aparecerem na TV e no rádio como pessoas que pregam e difundem a palavra divina, é curioso notar como esses tais dogmas não servem para esses indivíduos domados pela ganância. 
 
Apesar de se passar em uma igreja protestante isso não só acontece nesse ambiente. Há casos tanto no cristianismo e no catolicismo quanto em outros seguimentos capitalistas que podem, ou não, usar a fé, o pânico, a chantagem e o medo em prol de dinheiro e poder. O mundo deixou de ser dos mais aptos como dizia Darwin. Agora o mundo são dos abastados. 
 
FICHA TÉCNICA:

Nome: Mais Um Domingo

Autor: John D. MacDonald

Páginas: 374

Editora: Imago/Círculo do Livro

Edição: Integral

Ano: 1984




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